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Antônio Conselheiro Pagina Inicial
Certidão de Batismo/Nascimento de Antônio Vicente Mendes Maciel (Antonio Conselheiro)
"Aos vinte e dois de maio de mil oitocentos e trinta baptizei e pus os Santos Oleos nesta matriz de Quixeramobim ao parvulo Antonio pardo nascido aos treze de março do mesmo ano supra, filho natural de Maria Joaquina: foram padrinhos, Gonçalo Nunes Leitão, e Maria Francisca de Paula.
Do que, para constar, fiz este termo, em que me assinei.
O Vigário, Domingos Álvaro Vieira"
(Livro de Assentamentos de Batizados da Paróquia de Quixeramobim, Livro 11, fl. 221 v. Documento encontrado pelo pesquisador cearense Ismael Pordeus e publicado em "O Nordeste", 06.07.1949/ Fortaleza. Apud Calasans, 1997, p.25.)
Certidão de Casamento de Antônio Vicente Mendes Maciel e Brasilina Laurentina de Lima
"Aos sete dias do mês de janeiro de 1857, nesta matriz de Quixeramobim, pelas oito horas da noite, depois de preenchidas as formalidades de direito, assisti a receberem-se em matrimônio e dei a benção nupciais aos meus paroquianos Antonio Vicente Mendes Maciel e Brasilina Laurentina de Lima, naturais e moradores nesta freguesia de Quixeramobim, esta filha natural de Francisca Pereira de Lima e aquele filho legítimo de Vicente Mendes Maciel e de Maria Joaquina do Nascimento, ambos já falecidos, sendo dispensados do impedimento do terceiro grau atinente ao segundo, de consanguinidade lateral desigual; foram testemunhas José Raimundo Façanhas e Pedro José de Matos; do que para constar mandei fazer este assento que assino.
O Vigário interino José Jacinto Bezerra"
(Arquivo do Arcebispado. Quixeramobim. Casamentos Liv. 4 p.53 / Apud Ismael Pordeus in "O Nordeste", 26.09.1949. / Arquivo de José Calasans/Núcleo do Sertão, UFBA)
Certidão do Casamento de Vicente Mendes Maciel
(pai de Antonio Conselheiro) com Maria Joaquina de Jesus (mãe de Antonio Conselheiro)
"Aos trinta e hum de Agosto de mil oitocentos e trinta e quatro pelas cinco horas da tarde em casa de morada do contraente Vicente Mendes Maciel, omitidas as deligencias de costume por ser o casamento feito - in articulo mortis - assisti ao recebimento dos contrahentes Vicente Mendes Maciel, filho natural de Maria Manuela do Sacramento, já falecida, com Maria Joaquina de Jesus, filha natural de Feliciana Maria Francisca, em presença das testemunhas José Antonio de Barros e José Raimundo Façanha, casados: os nubentes naturais e moradores desta freguesia de Santo Antonio de Quixeramobim e logo receberao as Bençãos Nupciais: do que para constar fiz este assento que assino.
O Vigr. Frutuoso Dias Ribeiro."
(Arquivo do Arcebispado. Quixeramobim. Casamentos Liv. 4 p.53 / Apud Ismael Pordeus in "O Nordeste", 26.09.1949. / Arquivo de José Calasans/Núcleo do Sertão, UFBA)
Certidão do Casamento de Vicente Mendes Maciel com Francisca Maria da Conceição
"Aos doze dias de fevereiro de mil oitocentos e trinta e seis, pelas oito horas da noite, na matriz desta freguezia, ometidas as Denunciações do estilo, de licença minha o Reverendo Frutuoso Dias Ribeiro casou e deo as bensãos nupciais a Vicente Mendes Maciel, viúvo por falecimento de sua mulher Maria Joaquina de Jesus, com Francisca Maria da Conceição, filha legitima de Innocencio Alves Freire e Joana Maria da Conceição, já falecidos; forão testemunhas Francisco das Chagas Pinto e José de Souza Nogueira, casados; todos moradores nesta freguezia, do que para constar, do assento que me foi remetido, fiz o presente termo que asigno.
O Vigr. Pinto de Mendonça"
(Arquivo do Arcebispado. Quixeramobim. Casamentos Liv. 4 p.53 / Apud Ismael Pordeus in "O Nordeste", 26.09.1949. / Arquivo de José Calasans/Núcleo do Sertão, UFBA)
SOBRE A REPÚBLICA
A Companhia de Jesus — O casamento civil —A família Imperial — A libertação dos escravos.
Agora tenho de falar-vos de um assunto que tem sido o assombro e o abalo dos fiéis, de um assunto que só a incredulidade do homem ocasionaria semelhante acontecimento: a república, que é incontestavelmente um grande mal para o Brasil que era outrora tão bela a sua estrela, hoje porém foge toda a segurança, porque um novo governo acaba de ter o seu invento e do seu emprego se lança mão como meio mais eficaz e pronto para o extermínio da religião. Admiro o procedimento daqueles que têm concorrido com o seu voto para realizar-se a república, cuja idéia tem barbaramente oprimido a Igreja e os fiéis: chegando a incredulidade a ponto de proibir até a Companhia de Jesus; quem pois não pasma à vista de tão degradante procedimento? Quem diria que houvesse homens que partilhassem de semelhante idéia. A república é o ludíbrio da tirania para os fiéis. Não se pode qualificar o procedimento daqueles que têm concorrido para que a república produza tão horroroso efeito!! Homens que olham por um prisma, quando deviam impugnar generosamente a República, dando assim brilhante prova de religião. Demonstrado, como se acha, que a república quer acabar com a religião, esta obra-prima de Deus que há dezenove séculos existe e há de permanecer até o fim do mundo; porque Deus protege a sua obra: ela tem atravessado no meio das perseguições; mas sempre triunfando da impiedade. Por mais ignorante que seja o homem, conhece que é impotente o poder humano para acabar com a obra de Deus. Considerem portanto, estas verdades que devem convencer àquele que concebeu a idéia da república, que é impotente o poder humano para acabar com a religião. O presidente da república, porém, movido pela incredulidade que tem atraído sobre ele toda sorte de ilusões, entende que pode governar o Brasil como se fora um monarca legitimamente constituído por Deus; tanta injustiça os católicos contemplam amargurados. Oh! homem incrédulo, quanto pesa a tua incredulidade diante de Deus! e, para fazê-la mais patente vejam o que diz Nosso Senhor Jesus Cristo (Mat., cap. 16, v. 16.).
O que crê e for batizado será salvo, o que porém não crê será condenado. Parece-me que há homens que olham indiferentemente estas verdades; tirem o véu dos olhos, penetrando-se do profundo arrependimento de terdes concorrido para consumar a obra da iniqüidade, que alguém deseja levar a efeito sobre o título república. Todo poder legítimo é emanação da Onipotência eterna de Deus e está sujeito a uma regra, divina, tanto na ordem temporal como na espiritual, de sorte que, obedecendo ao pontífice, ao príncipe, ao pai, a quem é realmente ministro de Deus para o bem, a Deus só obedecemos. Feliz aquele que compreende esta celestial doutrina, livre da escravidão do erro e das paixões, dócil à voz de Deus e da consciência, goza da verdadeira liberdade de Deus. É evidente que a república permanece sobre um princípio falso e dele não se pode tirar conseqüência legítima: sustentar o contrário seria absurdo, espantoso e singularíssimo; porque, ainda que ela trouxesse o bem para o país, por si é má, porque vai de encontro à vontade de Deus, com manifesta ofensa de sua divina lei. Como podem conciliar-se a lei divina e as humanas, tirando o direito de quem tem para dar a quem não tem? Quem não sabe que o digno príncipe o senhor dom Pedro 3.° tem poder legitimamente constituído por Deus para governar o Brasil? Quem não sabe que o seu digno avô o senhor dom Pedro 2.°, de saudosa memória, não obstante ter sido vítima de uma traição a ponto de ser lançado fora do seu governo, recebendo tão pesado golpe, que prevalece o seu direito e, conseqüentemente, só sua real família tem poder para governar o Brasil? Negar estas verdades seria o mesmo que dizer que a aurora não veio descobrir um novo dia. O sossego de um povo consiste em fazer a vontade de Deus e para obter-se a sua glória é indispensável que se faça a sua divina.vontade. Corrobora-se melhor esta verdade pelo que diz Nosso Senhor Jesus Cristo (Mat., cap. 7, v. 21). Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus; mas sim o que faz a vontade de meu pai que está nos céus; esse entrará no reino dos céus. Nosso Senhor Jesus Cristo deixou-nos o exemplo desta verdade, quando o anjo apresentou o cálice, no fundo do qual estava a sua morte; Ele dirigiu esta oração: meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas sim a tua (Mat., cap. 26, v. 39). Entretanto, Ele era inocente, não tinha necessidade de sofrer ultrajes no seu maior grau, como diz santo Tomás, e uma morte a mais amarga e dolorosa que podia dar-se aos homens, pois que o Salvador morreu na cruz sem o mais pequeno alívio, como diz são Laurenço Justiniano. É necessário que se sofra para obter a verdadeira felicidade que é a glória de Deus. É necessário que se sustente a fé da sua Igreja. É necessário enfim que se faça a sua divina vontade, combatendo o demônio que quer acabar com a fé da Igreja. A religião santifica tudo e não destrói cousa alguma, exceto o pecado. Daqui se vê que o casamento civil ocasiona a nulidade do casamento, conforme manda a santa madre Igreja de Roma, contra a disposição mais clara do seu ensino (sempre benigna, sempre caridosa e sábia no seu ensino) vêm os homens ao conhecimento de toda a verdade para melhor se aproveitarem no serviço de Deus. Persuadido que a unção que respira neste ensino, e ser ele ditado e ensinado pelo fundador da Igreja, que é Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeira lei da sabedoria, fonte de toda a santidade e perfeição, o que tudo fez para a salvação dos homens. Quando Deus autorizou com a sua presença o primeiro estado que houve de casado no mundo, foi para nos mostrar as grandes excelências e perfeição que nele se encerram e as obrigações que os casados têm de viver conforme os preceitos divinos unindo-se ambos numa só vontade, fundando-se nela mui diversas e copiosas virtudes, mostrando-se mui agradecido a um Senhor que tanto os honrou com a sua presença e tanto os alimenta e favorece com a sua Providência e misericórdia. Porque é o casamento (como todos sabem) um contrato de duas vontades ligadas com o amor que Deus Ihes comunica, justificados com a graça que Ihes deu Nosso Senhor Jesus Cristo e autorizada com a cerimônia que lhes juntou a santa madre Igreja, que este é o efeito de um verdadeiro desposório: unir duas almas em um corpo: porém importam obrigações dos preceitos divinos, que devem guardar em primeiro lugar e muito à risca: todos os casados têm obrigação de viver perfeitamente no seu estado, sem embargo de qualquer encargo ou desgosto. Em razão dos respeitos humanos, são necessárias muitas circunstancias para se guardar este perfeito estado, tanto para segurança da honra e descanso da vida. Estas verdades demonstram que o casamento é puramente da competência da santa Igreja, que só seus ministros têm poder para celebrá-lo; não pode portanto o poder temporal de forma alguma intervir neste casamento, cujo matrimônio na lei da graça Nosso Senhor Jesus Cristo o elevou à dignidade de sacramento, figurando nele a sua união com a santa Igreja, como diz são Paulo. Assim, pois, é prudente e justo que os pais de família não obedeçam à lei do casamento civil, evitando a gravíssima ofensa em matéria religiosa que toca diretamente a consciência e a alma. Quem não se comove, quem não sente estremecer-se, ouvindo esta verdade? O pai de família, porém, que tem obedecido à lei do casamento civil, se não nota esta comoção bem própria da natureza humana: nesse coração não entra a ternura nem a compaixão. Considerem a gravíssima ofensa que tendes para com Deus, se obedecerdes a semelhante lei. Como pode dominar em vós a fé tão preciosa diante de Deus, se obedecerdes a semelhante lei? Como pode conciliar-se o afeto que deveis às vossas filhas, entregando-as ao pecado proveniente de tal lei? Plenamente certo de que, se cometerdes tal procedimento, tendes negado a fé: que peso enorme não deveis sentir na vossa consciência e alma como jóia preciosa diante de Deus? Para que a ternura desta verdade domine no vosso coração é preciso sustentar a fé. O casamento civil é incontestavelmente nulo, ocasiona o pecado do escândalo, que segundo diz o Evangelho Deus não usará de sua misericórdia quando dá ocasião ao escândalo.
Nosso Senhor Jesus Cristo,falando de semelhante procedimento, lamentou a sorte daquele que comete escândalo, dizendo: Ai daquele por quem vem o escândalo; melhor fora ser lançado com uma pedra ao pescoço no fundo do mar do que dar ocasião ao escândalo. Bem podem avaliar quanto pesa diante de Deus aquele que comete tão abominável procedimento. Sem afeição legítima e natural que devem ter a vossas famílias, chama a vossa atenção nesta quadra que vamos atravessando, que a corrupção vai invadindo, terrível efeito que produz a incredulidade.
Nessa crise que mais se aumentam as vossas obrigações como guardas de vossas famílias; como se neste momento houvesse uma voz dizendo: sustentai ó pai de família a moralidade de vossas familias. Figurei esta comparação como incentivo para maior luz e inteligência do fiel desempenho dos vossos deveres para com vossas famílias, sem embargo de qualquer sofrimento.
São Paulo escrevia que Jesus Cristo quis morrer consumido de dores para obter o paraíso a todos os pecadores arrependidos e resolutos a corrigir-se. Pelo que, acrescenta o Apóstolo: Vamos com coragem combater os nossos inimigos com os olhos fixos em Jesus Cristo, que pelos merecimentos da sua paixão nos oferece a vitória e a coroa. Quem à vista destas verdades será tão falto de fé que não sinta penetrar-se de júbilo para sustentá-la ainda que sofra os maiores trabalhos? Onde está a vossa fé? Não tendes paciência para esperar a promessa que o adorável Jesus faz a são Pedro, dizendo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mat., cap. 16, v. 18).
Afirmo-vos, penetrado da mais íntima certeza, que o Senhor Jesus é Todo-Poderoso e fiel para cumprir a sua promessa é un erro de aquele que diz que a família real não há de governar mais o Brasil: se este mundo fosse absoluto. devia-se crer na vossa opinião; mas não há nada de absoluto neste mundo, porque tudo está sujeito à santíssima Providência de Deus, que dissipa o plano dos homens e confunde do modo que quer, sem mover-se do seu trono. A república há de cair por terra para confusão daquele que concebeu tão horrorosa idéia. Convençam-se, republicanos, que não hão de triunfar porque a sua causa é filha da incredulidade, que a cada movimento, a
cada passo está sujeita a sofrer o castigo de tão horroroso procedimento. Para prova destas verdades vejam o que sucedeu aos habitantes de Jerusalém, que fecharam os olhos e nem conheceram o que lhes havia de suceder movidos pela incredulidade, não obstante serem advertidos por Nosso Senhor Jesus Cristo que, olhando para aquela cidade, chorou a destruição dela e desgraça do seu povo, dizendo—Ah! se ao menos neste dia que agora te foi dado conhecesses o que te pode trazer a paz, mas por ora tudo isto está encoberto aos teus olhos (Luc., cap. 19, v. 42). Dá a Deus o que é de Deus, dá a César o que é de César. Mas este sublime sentimento não domina no coração do presidente da república, que a seu talante quer governar o Brasil, praticando tão clamorosa injustiça, ferindo assim o direito mais claro, mais palpável da família real, legitimamente constituída para governar o Brasil. Creio, nutro a esperança que mais cedo ou mais tarde há de triunfar o seu direito, porque Deus fará devida Justiça, e nessa ocasião virá a paz para aqueles que generosamente tem impugnado a República. É preciso, — porém, que não deixe no silêncio a origem do ódio que tendes à família real, porque sua alteza a senhora Dona Isabel libertou a escravidão, que não fez mais do que cumprir a ordem do céu; porque era chegado o tempo marcado por Deus para libertar esse povo de semelhante estado, o mais degradante a que podia ver reduzido o ente humano; a força moral (que — tanto a orna) com que ela procedeu à satisfação da vontade divina constitui a confiança que tem em Deus para libertar esse povo, não era motivo suficiente para soar o brado da indignação que arrancou o ódio da maior parte daqueles a quem esse povo estava sujeito.
Mas os homens não penetram a inspiração divina que moveu o coração da digna e virtuosa princesa para dar semelhante passo; não obstante ela dispor do seu poder, todavia era de supor que meditaria, antes de o pôr em assim que na noite que tinha de assinar o decreto da liberdade, um dos ministros Ihe disse:
Sua Alteza assina o decreto da liberdade, olhe a repú-blica como uma ameaça; ao que ela não liga a mínima importância. assinando o decreto com aquela disposição que tanto a caracteriza. A sua disposição, porém, e prova que atesta do mundo mais significativo que era vontade de Deus que libertasse esse povo. Os homens ficaram assombrados com tão belo acontecimento. porque Já sentiam o braço que sustentava o seu trabalho, donde formavam o seu tesouro, correspondendo com ingratidão e insensibilidade ao trabalho que desse povo recebiam. Quantos morriam debaixo dos açoites por algumas faltas que cometiam; alguns quase nus, oprimidos da fome e de pesado trabalho.
E que direi eu daqueles que não levavam com paciência tanta crueldade e no furor ou excesso de sua infeliz estrela se matavam? Chegou enfim o dia em que Deus tinha de pôr termo a tanta crueldade, movido de compaixão a favor de seu povo e ordena para que se liberte de tão penosa escravidão.
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Despedida
Praza aos céus que abundantes frutos produzam os conselhos que tendes ouvido; que ventura para vós se assim o praticardes; podeis entretanto estar certos de que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo, nossa luz e força, permanecerá em vosso espírito: Ele vos defenderá das misérias deste mundo; um dia alcançareis o prêmio que o Senhor tem preparado (se converter des sinceramente para Ele) que é a glória eterna.
Como não ficarei plenamente satisfeito sabendo da vossa conversão, por mim tão ardentemente desejada.
Outra cousa, porém, não é de esperar de vós à vista do fervor e animação com que tendes concorrido para ouvirdes a palavra de Deus, o que é uma prova que atesta o vosso zelo religioso. Antes de fazer-vos a minha despedida, peço-vos perdão se nos conselhos vos tenho ofendido. Conquanto em algumas ocasiões pro ferisse palavras excessivamente rígidas, combatendo a maldita república, repreendendo os vícios e movendo o coração ao santo temor e amor de Deus, todavia não concebam que eu nutrisse o mínimo desejo de macular a vossa reputação. Sim, o desejo que tenho da vossa salvação (que fala mais alto do que tudo quanto eu pudesse aqui deduzir) me forçou a proceder daquela maneira. Se porém se acham ressentidos de mim, peço-vos que me perdoeis pelo amor de Deus. É chegado o momento para me despedir de vós; que pena, que sentimento tão vivo ocasiona esta despedida em minha alma, à vista do modo benévolo, generoso e caridoso com que me tendes tratado, penhorando-me assim bastantemente! São estes os testemunhos que me fazem compreender quanto domina em vossos corações tão belo sentimento! Adeus povo adeus aves, adeus árvores, adeus campos, aceitai a — minha despedida, que bem demonstra as gratas recordações que levo de vós, que jamais se apagarão da lembrança deste peregrino, que aspira ansiosamente a vossa salvação e o bem da Igreja. Praza aos céus que tão ardente desejo seja correspondido com aquela conversão smcera que tanto deve cativar o vosso afeto.
(Ataliba Nogueira: Antonio Conselheiro e Canudos, págs. 175/181).
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