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Bello Monte Pagina Inicial
13 de Junho - 1893
No coração da Bahia, em meio a vegetação de caatinga, existia um velho e decadente povoado a beira do Rio Vaza-Barris rodeado de imponentes morros denominados Cambaio, Caipã, Canabrava, Cocorobó, Poço de Cima, Saui e Angico. É este o lugar escolhido por Antônio Conselheiro para construir sua última morada. O nome do lugar era Canudos, devido a uma planta chamada Canudos-de-Pito, com a qual os antigos moradores, fumavam longos cachimbos, Conselheiro o rebatizou de Bello Monte, e já conhecia o local de andanças anteriores, tendo inclusive realizado obras na antiga capela de Santo Antônio, com a ajuda do beato Paulo da Rosa. Chegou com algumas centenas de fiéis seguidores e se estabeleceu, iniciando assim, a construção de uma comunidade sertaneja com o uso coletivo da terra, sem polícia e sem impostos e onde não tinha patrão nem empregado.
Uma das primeiras providências dos conselheiristas ao se estabelecer em Bello Monte, foi cavar trincheiras e praticar exercícios de tiro. Era uma medida de segurança importante, pois há poucos dias tinha havido em Masseté, um confronto armado com os soldados enviados de Salvador pelo governo estadual (Ver detalhes em Antônio Conselheiro).
As características sociais e econômicas de Canudos, atraiam milhares de pessoas de todo o sertão nordestino. Falava-se em toda a região que em Bello Monte "corria rios de leite e as barrancas eram de cuscuz". E a cidade crescia a um ritmo acelerado. Continuamente chegava novos grupos de pessoas de todas as direções. A Igreja de Santo Antônio, também chamada de Igreja Velha, logo se tornou pequena para a multidão, que a noite se reunia pra cantar as ladainhas e ouvir as pregações de Conselheiro.
Foi iniciada a construção da Igreja Nova ou Igreja do Bom Jesus. As doações para as obras vinham de vários pontos do Estado, arrecadadas em missões executadas por homens de inteira confiança do Conselheiro, como José Beatinho, Pedrão, José Venâncio e Manoel Ciriaco. A praça das igrejas era o centro espiritual e político da comunidade, onde moravam seus principais líderes em casas de telha. Era circundada por inúmeros becos estreitos e entrelaçados, compostos de casas de taipa, que eram construídas de forma desordenada e em grandes mutirões.
O comércio em Canudos já existia antes da chegada de Conselheiro. Antônio da Mota e Joaquim Macambira antigos moradores e comerciantes também tinham pedaços de terra. Antônio da Mota era morador antigo e descendente de Joaquim da Mota, que descobriu em 1784 o famoso meteorito de Bendengó. Joaquim Macambira, era o mais bem relacionado nas redondezas e quem fazia os contatos comerciais externos de Bello Monte, e teve uma participação ativa na Guerra. Norberto das Baixas veio após a fundação do Arraial, tinha uma fazenda em Bom Conselho e exerceu papel de relevo antes e durante a guerra. Antônio Vilanova era o mais influente de todos. Cuidava da economia canudense e também era uma espécie de "juiz de paz" .Durante a guerra fazia parte do núcleo dirigente das operações militares e sob a sua guarda ficavam as armas e munições.
Em tempos de paz, a segurança da cidade e a defesa pessoal de Conselheiro era atribuição da Guarda Católica (ou Companhia de Jesus), formada por 600 homens uniformizados escolhidos entre os melhores para a luta e sob a chefia de João Abade, "o comandante da rua" ou o "chefe do Povo".
Os negros ex-escravos constituíram parcela expressiva do Arraial onde finalmente encontraram "a alforria da terra". José Calazans afirmou que "tantos homens de cor nos leva a supor que Canudos foi o último quilombo". Era grande também a presença dos índios Kaimbé e Kiriri, povos de influências marcantes na cultura e nos hábitos sertanejos. Conselheiro fundou uma escola que teve um professor e uma professora. Na cidade, era proibido tabernas e aguardentes e não havia prostituição. Tinha uma cadeia e segundo o Deputado César Zama, os delitos leves, Conselheiro punia a seu modo, aqueles mais graves ele entregava para as autoridades da comarca. O padre Vicente Sabino do Cumbe freqüentemente visitava o Arraial e promovia batizados e casamentos, muitos deles já consumados na prática. A velha e respeitada D. Benta era quem fazia os partos.
Honório Vilanova, sobrevivente de Canudos e irmão de Antônio Vilanova, um dos principais lideres conselheiristas, declarou ao escritor Nertan Macedo:
Grande era a Canudos do meu tempo. Quem tinha roça, tratava da roça na beira do rio. Quem tinha gado, tratava do gado. Quem tinha mulher e filhos, tratava da mulher e dos filhos. Quem gostava de rezar, ia rezar. De tudo se tratava, porque a nenhum pertencia e era de todos, pequenos e grandes, na regra ensinada pelo Peregrino. (MACEDO, Nertan. Memorial de Vilanova. Rio de Janeiro, O Cruzeiro, 1964)
Manuel Ciriaco, antigo morador de Canudos, declarou em 1947:
No tempo do Conselheiro, não gosto nem de falar pra não passar por mentiroso, havia de tudo, por estes arredores. Dava de tudo e até cana-de-açúcar de se descascar com a unha, nascia bonitona por estes lados. Legumes em abundância e chuvas a vontade. (TAVARES, 1993: p. 48)
21 de Maio - 1895
Termina a missão dos frades capuchinhos a Canudos. Enviada pelo Arcebispo de Salvador, D. Jerônimo Tomé, para promover a dissolução do povoado, a fracassada missão durou 8 dias e era composta pelo Frei italiano João Evangelista do Monte Marciano, Frei Caetano Leo e o Padre Vicente Sabino. Posteriormente foi publicado um relatório com os pormenores da viagem (Antônio Conselheiro e seu Séquito no Arraial dos Canudos / Ver em Livros).
24 de Maio - 1895
Antônio Conselheiro conclui o livro intitulado Apontamentos dos Preceitos da Divina Lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, para a Salvação dos Homens, obra de conteúdo essencialmente religioso, escrito em Bello Monte, ainda inédito, tendo sido doado pelo Prof. José Calazans ao acervo do Núcleo do Sertão (CEB - UFBA).
Canudos virou uma lenda em todo o Nordeste. Parecia que todo o sertão queria ir para o Bello Monte. Em quatro anos tornou-se a 2ª maior cidade da Bahia com mais de 25 mil habitantes. Salvador tinha 200 mil na época. Inúmeros povoados ficaram praticamente desabitados. Os trabalhadores abandonavam as grandes propriedades, com isso desorganizando a produção e afetando seriamente toda a economia da região. A elite agrária nordestina estava apavorada e não tardaria a articular uma reação.
O Padre Cícero Romão Batista, nascido no Crato (CE) em 24 de Março de 1844, tinha muito interesse por Canudos, a ponto de ter enviado em 1896, antes do inicio da guerra, um observador chamado Herculano. Conselheiro então lhe disse: "haverá quatro fogos, os três primeiros serão meus, o quarto eu entrego nas mãos do Bom Jesus."
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