domingo, 3 de abril de 2011

10242 - BRASIL, PAÍS SEM POVO (LUIS COUTY)

Governo: O otimismo toma conta do Palácio do Planalto


Ideologia: As madraçais do MST


Personalidade: Kakay, o 'resolvedor-geral da República'



Estados Unidos: Bush a caminho da reeleição



Justiça: A cruzada de um pai contra o crime em Buenos Aires


Diplomacia: O notável homem da Unesco no Brasil


Dieta: Os produtos light para crianças nos Estados Unidos


Beleza: As pílulas que evitam filhos e melhoram a pele


Sociedade: A herança da viúva brasileira de Jean-Luc Lagardère


Saúde: Assumir a calvície é a melhor saída


Perfil: Felipe Dylon, o ídolo teen da música brasileira


Moda: O figurino ousado das tenistas


Especial: Crianças na mira do terror na Rússia


Tecnologia: A ciência a serviço dos amputados


Religião: Mensagens místicas via celular



Infra-estrutura: A briga pelas parcerias público-privadas


Administração: As ações perseguem ex-autoridades federais



Conforto: Os aparelhos de som para quem corre ouvindo música


Fotografia: Três idéias para expor fotos em casa


Coleção: Dicas para guardar bem objetos


Peregrinação: Os caminhos para Santiago de Compostela


Viagem: Como evitar o mal-estar no transporte



Arte: Os novos colecionadores brasileiros


Cinema: Redentor, de Claudio Torres


Cinema: Irmãos de Fé, novo filme do padre Marcelo Rossi


Televisão: O fenômeno Milton Neves



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Edição 1870 . 8 de setembro de 2004






Índice
















Lya Luft

Sérgio Abranches

Diogo Mainardi

Tales Alvarenga

André Petry

Roberto Pompeu de Toledo




Carta ao leitor

Entrevista

Cartas

Radar

Holofote

Contexto

Veja essa

Autor-retrato

Gente

Datas

VEJA Recomenda

Os livros mais vendidos




Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
Diálogo sobre as
grandezas do Brasil

Interlocutores de diversas épocas discutem o
país cuja data se comemora no Sete de Setembro

– Numa terra radiosa vive um povo triste. Legaram-lhe essa melancolia os descobridores que a revelaram ao mundo e a povoaram. O esplêndido dinamismo dessa gente rude obedecia a dois grandes impulsos que dominam toda a psicologia da descoberta e nunca foram geradores de alegria: a ambição do ouro e a sensualidade livre e infrene que, como culto, a Renascença fizera ressuscitar. (Paulo Prado, escritor, Retrato do Brasil, 1928)

– O Brasil não tem povo. (Louis Couty, biólogo francês, A Escravidão no Brasil, 1881)

– Apesar disso o Brasil passou a ser uma nação mais ou menos independente, tendo como imperador o barão de Rothschild. (Mendes Fradique, humorista, História do Brasil pelo Método Confuso, 1920)

– Os brasileiros são entusiastas do belo ideal, amigos da sua liberdade, e mal sofrem perder as regalias que uma vez adquiriram. Obedientes ao justo, inimigos do arbitrário, suportam melhor o roubo que o vilipêndio. Ignorantes por falta de instrução, mas cheios de talento por natureza; de imaginação brilhante, e por isso amigos das novidades que prometem perfeição e enobrecimento; generosos, mas com bazófia; capazes de grandes ações, contanto que não exijam atenção aturada, e não requeiram trabalho assíduo e monotônico; apaixonados do sexo por clima, vida e educação. Empreendem muito, acabam pouco. Serão os atenienses da América, se não forem comprimidos e tiranizados pelo despotismo. (José Bonifácio de Andrada e Silva, Patriarca da Independência, Pensamentos e Notas, sem data)

– O Brasil é um vasto hospital. (Miguel Couto, médico e escritor, 1864-1934)

– Pouca saúde e muita saúva os males do Brasil são. (Mário de Andrade, escritor, pela boca do personagem-título de Macunaíma, 1928)

– Há em nosso povo duas constantes que nos induzem a sustentar que o Brasil é o único país brasileiro de todo o mundo. Brasileiro até demais. Colunas da brasilidade, as duas colunas são: a capacidade de dar um jeito; a capacidade de adiar. (...) Para o brasileiro, os atos fundamentais da existência são: nascimento, reprodução, procrastinação e morte (esta última, se possível, também adiada). (...) O brasileiro adia; logo existe. (Paulo Mendes Campos, escritor, O Colunista do Morro, 1965)

– O Brasil é um deserto de homens e idéias. (Oswaldo Aranha, político e diplomata, 1933)

– Em suma: temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de "complexo de vira-latas". (...) Por "complexo de vira-latas", entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isso em todos os setores e, sobretudo, no futebol. (...) O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas e que tem futebol para dar e vender, lá na Suécia. (Nelson Rodrigues, escritor, Complexo de Vira-Latas, crônica publicada em 31 de maio de 1958, às vésperas da Copa do Mundo da Suécia)

– O brasileiro é um homem que deseja apaixonadamente morar em Paris. (Conde de Gobineau, escritor e diplomata francês, embaixador no Brasil entre 1869 e 1870)

– Já se disse, numa expressão feliz, que a contribuição brasileira para a civilização será de cordialidade – daremos ao mundo o "homem cordial". A lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam, com efeito, um traço definido do caráter brasileiro (...). Seria engano supor que essas virtudes possam significar "boas maneiras", civilidade. São antes de tudo expressões legítimas de um fundo emotivo extremamente rico e transbordante. (Sérgio Buarque de Holanda, historiador, Raízes do Brasil, 1936)

– O brasileiro é cheio de cordialidade e bom coração. Quando você encontrar por aí um cafajeste roubando e matando pode perguntar imediatamente "Who are you?", porque se trata certamente de um gringo. (Millôr Fernandes, humorista, Millôr Definitivo, 1994)

– Eu digo sempre que o Brasil é um país abençoado, porque Deus nos deu esse solo extraordinário, com uma extensão territorial fantástica, sem as intempéries que acontecem na maioria de outros países. Nós não temos vulcão, não temos maremoto, não temos vendaval, como tem em outros países, não temos neve, ou seja, nós temos todas as condições que a natureza nos deu como vantagem comparativa. (Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, 2004)

– O país, no dizer de todos, é rico, tem todos os minerais, todos os vegetais úteis, todas as condições de riqueza, mas vive na miséria. (Lima Barreto, escritor, Os Bruzundangas, 1922)








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