segunda-feira, 27 de setembro de 2010

5367 - LITERATURA DA GUATEMALA

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Literatura de Guatemala
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Denomina-se literatura de Guatemala à escrita por autores guatemaltecos, já seja em qualquer dos 23 idiomas que conformam o canon linguístico do país, ou em língua espanhola|espanhol]]. Ainda que com toda a probabilidade existiu uma literatura guatemalteca anterior à chegada dos conquistadores espanhóis, todos os textos que se conservam são posteriores, e estão ademais transliterados a caracteres latinos.

Índice
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1 Literatura em línguas mayenses
1.1 O Popol Vuh
1.2 O Rabinal Achí
2 A literatura guatemalteca depois da colonização espanhola
2.1 Época colonial: séculos XVI-XIX
2.2 A literatura guatemalteca depois da independência: século XIX
2.3 Século XX
3 Veja-se também
4 Enlaces externos


Literatura em línguas mayenses
O Popol Vuh
Artigo principal: Popol Vuh
A obra mais significativa da literatura guatemalteca em idioma quiché]], e uma das mais importantes da literatura hispanoamericana precolombina. Trata-se de um compendio de história]]s e lendas mayas, destinado a conservar a memória das tradições da raça. A primeira versão conhecida deste texto data do século XVI, e está escrita em idioma quiché]] transcrito em caracteres latinos. Foi traduzida ao espanhol pelo dominico Fray Francisco Ximénez a começos do século XVIII.

As lendas incluídas no Popol Vuh podem dividir-se em quatro partes:

Criação do mundo e dos primeiros seres humanos
Histórias de Hunahpú e Ixbalanqué
Criação dos "homens de maíz"
Listagem de gerações posteriores
A importância do Popol Vuh radica em seu carácter de compendio histórico-religioso, ainda que com preponderancia do segundo elemento sobre o primeiro. Por esta conjunción do mítico e o religioso, tem sido denominado a Biblia maya, e é um documento fundamental para conhecer a cultura da América precolombina.

O Rabinal Achí
Artigo principal: Rabinal Achí
O Rabinal Achí, no original Xajooj Tun ou "Dance do Tun", é uma obra dramática, consistente em dances e textos, que se conserva e se representa tal e como se deveu representar originalmente. Supõe-se que data do século XV, e nele se narram as origens míticas e dinásticos do povo Kek'chi', e suas relações com os povos vizinhos. A história conta como o príncipe dos Kek'chi' luta contra as tribos vizinhas e, ainda que inicialmente a derrota, posteriormente é capturado e levado ante o rei Job’Toj, quem lhe concede voltar a seu povo para se despedir e dançar com a princesa por última vez.

O Rabinal Achí representa-se durante a festa de Rabinal, o 25 de janeiro, dia de San Pablo. Foi declarado Obra Mestre da tradição Oral e Intangible da Humanidade pela Unesco em 2005.

A literatura guatemalteca depois da colonização espanhola
Época colonial: séculos XVI-XIX
Os primeiros escritores naturais de Guatemala que empregaram o idioma espanhol em suas criações datam do século XVII. Entre eles cabe mencionar a Sor Juana de Maldonado, a quem se considera a primeira poetisa e dramaturga colonial de Centroamérica, ou a históriador Francisco Antonio de Fontes e Guzmán.

O jesuita Rafael Landívar (1731-1793) é considerado como o primeiro grande poeta de Guatemala. Obrigado a exiliarse pela ordem do expulsión ditada por Carlos III, viajou a México primeiro, e a Itália depois, onde faleceu. Escreveu originalmente em latín seu Rusticatio Mexicana, de grande sucesso, bem como suas poesias de elogio ao bispo Figueredo e Vitória.

No campo da poesia é de soma importância o cultivo de formas poéticas tradicionais escritas para ser cantadas. Entre estas destaca especialmente o villancico destinado aos oficios de vésperas]] das principais festas do ano litúrgico. Esta era a única ocasião litúrgica na que era permitido cantar em idiomas vernáculos, enquanto todas as demais celebrações eram exclusivamente em latín. Em Guatemala como em todo o império espanhol se compuseram sainetes, jácaras, tonadas, cantatas e villancicos sobre letras em castelhano. Entre os autores destes poemas, que foram postas em música por eles mesmos, sobresalen Manuel José de Quirós (ca. 1765-1790), Pedro Nolasco Estrada Aristondo, Pedro Antonio Vermelhas e Rafael Antonio Castelhanos (ca. 1725-1791). Este último é um dos mais importantes no mundo hispano e na música de Guatemala.

Durante o século XVIII a literatura guatemalteca recebeu a influência do Neoclasicismo francês, como demonstram as obras didácticas e filosóficas de autores como Rafael García Goyena ou Fray Matías de Córdoba.

A literatura guatemalteca depois da independência: século XIX
Guatemala conseguiu a independência de Espanha no ano 1821, em seu desejo por estabelecer relações políticas e comerciais com outros países além da metrópole. A literatura durante esta época está muito marcada pelas lutas políticas, pelo que predominan o ensaio e o discurso como géneros literários. Ademais, esta época vê o nascimento do jornalismo em Guatemala, com figuras como Antonio José de Irisarri.

Durante o século XIX começa a desenvolver-se a literatura guatemalteca independente da espanhola, ainda que seguiram recebendo-se importantes influências européias. Entre os escritores desta época cabe mencionar a María Josefa García Granados e José Batres Montúfar (conhecido simplesmente como "Pepe Batres"), quem escreveram conjuntamente o "Sermón para José María Castilla", uma obra que resultou escandalosa para a época. O segundo é ademais autor do poema "Eu penso em ti", um dos mais conhecidos da literatura guatemalteca.

Na segunda metade do século XIX triunfa o género novelesco, graça em especial a José Milha e Vidaurre, considerado como o "pai da novela guatemalteca", que assinou algumas de suas obras com o seudónimo de "Salomé Jil", anagrama de seu nome. Entre suas obras destacam A filha do Adiantado (1866), Os Nazarenos (1867), O visitador (1867) e O livro sem nome.

O modernismo hispanoamericano, herdeiro do simbolismo e do parnasianismo franceses e impulsionado pela nicaragüense Rubén Darío, também teve seus representantes em Guatemala. No campo da poesia, cabe mencionar a Domingo Estrada, Máximo Soto Hall ou María Cruz. Enrique Gómez Carrillo, escritor polifacético, representa o modernismo na prosa.

Século XX
No século XX, a literatura de Guatemala atinge um nível comparável ao das demais literaturas de Hispanoamérica, graças ao aparecimento de várias gerações de escritores, e em especial a quatro escritores fundamentais: o novelista Miguel Ángel Astúrias (Prêmio Nobel de Literatura em 1967), autor de novelas como O Senhor Presidente ou Homens de Maíz; o poeta Luis Cardoza e Aragón; o cuentista e novelista Augusto Monterroso (Premeio Príncipe das Astúrias das Letras em 2000) e o dramaturgo Carlos Solórzano. Em general, a literatura guatemalteca do século XX tem uma forte influência da vida política, como prova o facto de que seus principais autores devessem exiliarse durante as sucessivas ditaduras e guerras civis que sofreu Guatemala.

Costuma dividir-se a literatura guatemalteca do século XX por gerações ou décadas. As mais importantes são:

A geração de 1910 ou "do Cometa"
A geração de 1920
A geração de 1930 ou "Grupo Tepeus"
A geração de 1940 ou "Grupo Acento"
O Grupo Saker-ti (1944-1954)
A "Geração comprometida" (após 1954)
Veja-se também
Cultura de Guatemala
Literatura maya
Enlaces externos
Página dedicada à literatura guatemaltecaem:Guatemalan literature
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Categoria: Literatura de Guatemala

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