sábado, 4 de setembro de 2010

3961 - HISTÓRIA DA SOCIOLOGIA

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preenchendo o retângulo correspondente com caneta de tinta preta.
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rasuras e preenchimento além dos limites do retângulo destinado para cada marcação
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tampouco o uso de livros, apontamentos e equipamentos, eletrônicos ou não, inclusive
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para devolver, em separado, o caderno de prova e a folha de respostas, devidamente
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11. O tempo para o preenchimento da folha de respostas está contido na duração desta
prova.
DURAÇÃO DESTA PROVA: 4 HORAS
SALA NÚMERO DE INSCRIÇÃO NOME DO CANDIDATO
ASSINATURA DO CANDIDATO
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HISTÓRIA
SOCIOLOGIA
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3
HISTÓRIA
01- Marcial, escritor que viveu no século I depois de Cristo,
tornou-se conhecido pela escrita de epigramas, dirigidos
a vários personagens do Período Imperial Romano, sempre
em tom jocoso e crítico. “Porque lho saúdo, agora, pelo
seu nome, quando, antes, lhe chamava de ‘rei’ e ‘senhor’, não
me chame de insolente: comprei meu solidéu da liberdade à
custa de todos os meus bens. ‘Reis’ e ‘senhores’ deve ter
alguém que não possui a si mesmo e que cobiça aquilo que
os reis e os senhores cobiçam. Se você pode suportar não ter
um escravo, Olo, pode, também, agüentar não ter um rei.”
(MARCIAL apud FUNARI, Pedro Paulo Abreu. Antigüidade
Clássica. A História e a Cultura a partir dos Documentos. Campinas:
Editora da Unicamp, 1995. p. 132.)
Com base no epigrama, é correto afirmar:
a) O escritor demonstra que, no Período Imperial Romano,
as relações entre escravos e senhores eram harmônicas.
b) Marcial reconhece que viver na pobreza era melhor que a
condição de escravo, o que denota ser a liberdade um
valor fundamental no Período Imperial Romano.
c) Marcial reverencia os senhores romanos, o que expressa
a inexistência de qualquer forma de insulto entre categorias
sociais distintas.
d) Para Marcial a estrutura social existente à época tornava
os escravos indiferentes à luta pela liberdade.
e) Para Marcial obter a liberdade com a venda de seus bens
pessoais é uma atitude insolente.
02- Os homens da Europa Medieval produziram um conjunto
relevante de obras artísticas. Observe a seguir uma representação
da arquitetura românica.
(Igreja de Santo Ambrósio em Milão. In: CONTI, Flávio. Como reconhecer a arte
românica. Lisboa: Edições 70, s. d. p. 8.)
Sobre as características do estilo românico, analise as
afirmativas a seguir.
I. Quanto mais ampla a abóbada, tanto mais maciças
deveriam ser as paredes para sustentá-la.
II. Paredes espessas, arcos arredondados e tetos das
naves centrais que deixaram de ser de madeira, estão
presentes de modo marcante.
III. Na fachada principal e nas do transepto estão os
pórticos monumentais, encimados por uma rosácea,
uma ou duas galerias de estátuas e duas torres.
IV. O interior da edificação românica era escassamente
iluminado, devido à impossibilidade da abertura de
grandes janelas nas paredes sem enfraquecê-las.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
03- “Em finais do séc. IX surge na literatura medieval, para se
espraiar no século XI e até tornar-se um lugar comum no século
XII, um tema que descreve a sociedade dividida em três
categorias ou ordens. As três componentes desta sociedade
tripartida são segundo a forma clássica de Adalberon de Laon
do séc XI: oratores, bellatores, laboratores.” (LE GOFF,
Jacques. Para um novo conceito de Idade Média. Lisboa:
Editorial Estampa, 1979.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a estrutura
social da Idade Média, é correto afirmar:
a) Na estrutura tripartida, o conjunto dos homens livres
subsistia sem seus servos.
b) Os oratores, pertencentes à ordem clerical, recusavam
qualquer pagamento pelos seus préstimos, pois a sua
vocação era meramente combater.
c) A atividade religiosa, o prestígio militar e a incumbência
da produção eram, respectivamente, elementos
constitutivos das três ordens no medievo.
d) Os bellatores tinham a responsabilidade de produzir
alimentos para as outras duas ordens.
e) Os laboratores constituíam uma camada social marcada
pelo distanciamento das atividades ligadas à terra e ao
pastoreio de animais.
04- Nos textos a seguir, o escrivão da frota cabralina, Pero
Vaz de Caminha, e o poeta Olavo Bilac apresentam imagens
simbólicas do Brasil.
“Esta terra, senhor, [...] De ponta a ponta é toda praia redonda...
muito chã e muito formosa. Pelo sertão, nos pareceu, vista do
mar, muito grande; porque a estender d’olhos, não podíamos
ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.
[...] a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados
como os de Entre-Douro e Minho. [...] As águas são muitas;
infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo aproveitála,
tudo dará nela, por causa das águas que tem.” (CAMINHA
apud CASTRO, Silvio. A carta de Pero Vaz de Caminha: o
descobrimento do Brasil. 2.ed. São Paulo: L&PM Editores,
1987. p. 97-98.)
“Ama com fé e orgulho a terra em que nascestes!
Criança, jamais verás país como este!
Olha que céu, que mar que floresta!
A natureza, aqui perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.”
(Olavo Bilac apud CHAUÍ, Marilena. O mito fundador do Brasil.
Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 mar. 2000. Caderno Mais!, p.
10.)
Com base nos textos, assinale a alternativa que apresenta
a compreensão dos autores sobre o Brasil.
a) Tanto para Caminha quanto para Bilac, a imensa e
esplendorosa natureza do Brasil constitui-se em um
elemento negativo, já que a imagem de perigo
sobrepõe-se à de Paraíso.
b) A presença de elementos míticos do Paraíso Terrestre
restringe-se à descrição de Caminha, pois no poema
de Bilac a nossa identidade e grandeza desligam-se
do plano natural.
c) A descrição de Caminha sobre a natureza inaugurou
uma visão do Brasil associada ao mito do Paraíso
Terrestre, visão essa que permaneceu no poema de
Bilac num tom ufanista.
d) Tanto o escrivão quanto o poeta construíram imagens
do Brasil em desarmonia com sua natureza, defendendo
que somente a extensão territorial era digna de
destaque.
e) As imagens simbólicas criadas por Olavo Bilac para
representar o Brasil estão dissociadas das de Pero Vaz
de Caminha, visto que com o fim do período da
colonização encerra-se a demanda pela construção de
um mito fundador do país.
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05- Em termos demográficos a conquista da América pelos espanhóis
revelou-se uma tragédia. A esse respeito, vários
autores destacam o caso do México Central, afirmando que
entre os séculos XVI e XVII ocorreu uma dizimação das populações
indígenas. Vários fatores contribuíram para esse
genocídio. Sobre eles, considere as afirmativas a seguir.
I. Foi decisiva a ação dos espanhóis na desocupação
das terras dos nativos, visando à exploração agrícola
extensiva aos moldes europeus do período.
II. Um fator importante foi a intensa utilização da mãode-
obra indígena na construção das cidades e no processo
de mineração.
III. Foi fundamental a profunda alteração efetuada pelos
europeus no sistema produtivo e cultural das populações
ameríndias, que levou fome e doenças às comunidades.
IV. A crise demográfica foi influenciada pela disseminação
entre os membros das comunidades indígenas
de atitudes como suicídio, infanticídio, abortos e abstinência
sexual entre os casais.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.
06- “Apesar dos diferentes níveis do sucesso nas capitanias, a
política básica dos jesuítas foi a mesma em todo o Nordeste.
Opondo-se à escravização do gentio, eles realizaram um programa
de catequização nos pequenos povoados ou aldeias,
onde tanto os grupos tribais locais quanto os índios trazidos
do sertão pudessem receber instrução e orientação espiritual.
Os índios eram educados para viver como cristãos, conceito
que incluía não só a moralidade, mas também os hábitos de
trabalho dos europeus.” (SCHWARTZ, Stuart. Segredos internos:
engenhos e escravos na sociedade colonial. São Paulo:
Companhia das Letras, 1988. p. 48.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a política
jesuítica implementada no Nordeste brasileiro durante os
séculos XVI e XVII, é correto afirmar:
a) A defesa de uma política de catequização para as
populações nativas revela o respeito dos jesuítas à cultura
indígena, distanciando-se dos colonizadores que a
concebiam como bárbara e inferior.
b) A atuação dos jesuítas foi decisiva para a manutenção
das formas tradicionais de trabalho presentes nas
comunidades indígenas.
c) Embora houvesse discordância entre jesuítas e colonos,
ambos respeitaram as diferenças entre os grupos étnicos
nativos e atuaram na pacificação das relações intertribais.
d) A ação dos jesuítas fundou-se no trabalho de
catequização, que requereu a destribalização e conversão
dos gentios ao catolicismo, práticas tão desintegradoras
da cultura indígena quanto a escravização.
e) Os jesuítas, ao manterem alguns princípios essenciais das
comunidades indígenas, como a poligamia e o canibalismo
ritual, obtiveram a conversão integral dos gentios ao
cristianismo.
07- Na Europa moderna, entre os séculos XV e XVIII, as festas
como: o Solstício de Verão, o Ano Novo, o dia de Reis, o
Carnaval e as festas dos Santos padroeiros, eram ocasiões
especiais em que as pessoas paravam de trabalhar,
comiam e bebiam para comemorar e se divertir. Sobre
essas festas, é correto afirmar:
a) Para as sociedades européias, as ocasiões de festas
eram momentos que serviam para reforçar o
comportamento de economia cuidadosa, evitando-se
desperdícios de alimentos, bebidas e vestimentas.
08- Observe as imagens a seguir.
(AGOSTINI, Ângelo. Cabrião, 15 set. 1867. In: Cabrião: semanário humorístico: 1866-
1867. 2.ed. São Paulo: Unesp, 2000. p. 392.)
Com base nas imagens e nos conhecimentos sobre a
política de recrutamento no Brasil na época da Guerra do
Paraguai (1864-1870), assinale a alternativa que remete à
interpretação de Ângelo Agostini sobre o tema.
a) O autor enfatiza a harmonia presente na política de
recrutamento para a Guarda Nacional, a qual obteve o
apoio do conjunto da população brasileira, que se dispôs
a ser “Voluntário da Pátria”.
b) Os desenhos de Agostini constituem-se numa exaltação
ao patriotismo, pois conclamam à adesão de todos os
brasileiros para lutar contra o Paraguai.
c) O traço caricatural nos desenhos do autor denota o seu
vínculo com a imprensa monárquica, que buscava
mobilizar a população usando de estratégias humorísticas.
d) Ao compor uma situação imaginária da paisagem
brasileira, Agostini afasta-se da realidade apresentada
pelos desdobramentos da Guerra do Paraguai no cotidiano
da época.
e) Agostini apresenta uma caricatura do cenário político
brasileiro que remete à Guerra do Paraguai, período no
qual as populações livres pobres são aterrorizadas com o
recrutamento forçado.
b) Nas festas, a participação de nobres e plebeus, ricos e
pobres, reis e súditos, possibilitava uma inversão de papéis
e a crítica momentânea à estrutura social da época.
c) O ato de profanar e insultar as autoridades reais e
religiosas estava ausente das festividades, que eram
ocasiões marcadas pela moderação dos participantes.
d) As festas populares da Europa moderna, especialmente
o Carnaval, estiveram dissociadas do aumento da
transgressão social.
e) A comemoração e os ritos presentes nas festas apontam
claramente para a separação entre a “cultura popular” e a
“cultura erudita” existente à época.
Em razão do recrutamento ainda veremos
os homens metidos no mato.
E os bichos habitando a cidade.
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09- “A natureza não faz nada verdadeiramente supérfluo e não
é perdulária no uso dos meios para atingir seus fins. Tendo
dado ao homem a razão e a liberdade da vontade que nela
se funda, a natureza forneceu um claro indício de seu propósito
quanto à maneira de dotá-lo. Ele não deveria ser
guiado pelo instinto, ou ser provido e ensinado pelo conhecimento
inato, ele deveria, antes, tirar tudo de si mesmo.”
(KANT, Immanuel. Idéia de uma história universal de um
ponto de vista cosmopolita. São Paulo: Brasiliense, 1986.
p. 12.)
O texto do filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804)
é representativo do Iluminismo, movimento inspirador
das revoluções burguesas dos séculos XVIII e XIX.
Baseado nele, é correto afirmar que o Iluminismo tinha
como um de seus fundamentos:
a) A crença na superioridade e na providência divina, que
regula todos os acontecimentos no mundo dos homens.
b) A luta pela implantação de regimes democráticos
baseados no ideário da Contra-Reforma católica.
c) O reconhecimento da desigualdade natural dos
homens, que legitimava a escravidão no período em
que viveu o filósofo.
d) A confiança na racionalidade e a convicção do papel
dos homens como sujeitos autônomos, estimulando
movimentos por mudanças em todas as esferas sociais.
e) A certeza da incapacidade dos homens de se
autogovernarem, exigindo a reprodução do modelo da
tutela do Estado Monárquico.
10- “[...] Nas grandes fazendas de café, [...] a maior parte dos
escravos se ocupava do serviço de roça. Esse era o trabalho
de José, embora tivesse, depois da sua chegada, aprendido
alguma coisa de carpintaria. [...] Não demorou muito
José percebeu que os ritmos do trabalho não tinham somente
os sons do chicote e da gritaria imposta pelos feitores.
Aprendeu e logo se animava com os vissungos, cantigas
africanas. Sob formas de versos cifrados, repetidos
refrões e com significados simbólicos, também serviam como
senhas, por meio das quais resenhavam suas vidas e expectativas
e mesmo avisavam uns aos outros sobre a aproximação
de um feitor. O ‘ngoma’ – como diziam – podia estar
perto. A despeito da violência e péssimas condições, tentar
definir alguns sons e ritmos do trabalho era uma face
fundamental da organização de suas próprias vidas
escravas.” (GOMES, Flávio. O cotidiano de um escravo. Folha
de S. Paulo, São Paulo, 24 ago. 2003. Caderno Mais!, p. 9.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a escravidão
no Brasil, assinale a alternativa que interpreta de
maneira adequada as estratégias presentes no cotidiano
dos escravos.
a) Entre os escravos, formas de comunicação e
sociabilidade alternativas foram eliminadas pelo uso
constante da violência e da vigilância dos senhores.
b) O escravo africano redefinia sua identidade social
reagindo contra a alienação imposta pela cultura do
trabalho baseada na escravidão.
c) Ao utilizar cantigas africanas para amenizar o trabalho
árduo, os escravos criaram estratégias simbólicas
dissociadas da resistência, já que esta última se reduzia
à formação dos quilombos.
d) A condição do escravo como simples instrumento de
trabalho para lavrar a terra impossibilitou a negociação
de relações sociais diferenciadas como, por exemplo,
o aprendizado de outros ofícios.
e) A comunicação por meio de sinais durante o trabalho
limitava-se a evitar os castigos corporais, sendo
irrelevante para a constituição de uma identidade social
entre os escravos.
11- O debate em torno da política imigratória fez-se presente
no Brasil antes da Independência política, acirrando-se
em 1850 com a proibição do tráfico negreiro. Sobre os
diferentes posicionamentos diante do tema da imigração
no período, leia o texto a seguir.
“Determinados a consolidar a grande propriedade e a agricultura
de exportação, os fazendeiros e o grande comércio
buscavam angariar proletários de qualquer parte do mundo,
de qualquer raça, para substituir, nas fazendas, os escravos
mortos, fugidos e os que deixavam de vir da África.
Preocupados, ao contrário, com o mapa social e cultural do
país, a burocracia imperial e a intelectualidade tentavam
fazer da imigração um instrumento de ‘civilização’, a qual,
na época, referia-se ao embranquecimento do país [...].”
(ALENCASTRO, Luiz Felipe de; RENAUX, Maria Luiza. Caras
e modos dos migrantes e imigrantes. In: NOVAIS,
Fernando (org.). História da vida privada no Brasil 2. São
Paulo: Companhia das Letras, 1997. p. 293.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre política
imigratória no Brasil, é correto afirmar:
a) Embora houvesse divergências entre fazendeiros e
burocracia imperial quanto à forma de conceber a
imigração, ambos concordavam que os asiáticos
constituíam a nacionalidade que melhor se adequaria
ao projeto de civilizar o país.
b) Na segunda metade do século XIX, o tema da imigração
ocupou espaço restrito no cenário sociopolítico e
econômico brasileiro, motivo pelo qual deixou de ser
incorporado pela imprensa brasileira da época.
c) Para os fazendeiros, a imigração significava a
continuidade do latifúndio exportador, enquanto para
os altos funcionários acenava para a oportunidade tão
esperada de “civilizar” o conjunto da sociedade.
d) O debate sobre a nacionalidade distanciava-se da
discussão sobre a imigração, o que tornava
insignificante a origem dos imigrantes para o conjunto
do pensamento político brasileiro.
e) No debate sobre a imigração, os fazendeiros,
especialmente os cafeicultores paulistas, defendiam a
formação de núcleos coloniais que possibilitassem a
reconstrução da identidade cultural dos imigrantes.
12- Os textos a seguir apresentam leituras sobre o contexto
do fim da escravidão no Brasil.
“[...] No Brasil a decretação da lei que pôs fim a essa chaga
secular – a escravidão – foi uma festa de fraternidade, que lembra
os entusiasmos das festas com que a França toda se irmanou a
14 de julho e que inspiraram Michellet. [...] Entre nós não houve
necessidade de uma luta entre irmãos, de armas em punho,
levantados uns em nome do interesse da rotina agrícola, erguidos
outros à sombra de um lábaro, que traía seus interesses
egoísticos de sociedade industrial precisado de braço livre e
branco. [...]” (O Paiz, 13 maio 1908, citado por HONORATO,
César Teixeira; OLIVEIRA, Newton Cardoso de. In: COGGIOLA,
Osvaldo (org.). A revolução francesa e seu impacto na América
Latina. São Paulo: Edusp, 1990. p. 340.)
“[...] O abolicionismo se fez num ambiente de violência, de
revoltas locais de quilombos, num movimento de ameaça à
ordem pública e que marcou profundamente a política brasileira
com relação à cidadania, por isso este é um momento de retração
dos votos, de crise da cidadania urbana, há o motim dos vinténs,
o radicalismo urbano no Rio de Janeiro, o movimento de revolta
dos funcionários públicos contra o selo, contra o aumento das
passagens do bonde, enfim, um clima de comícios populares,
com o começo do movimento operário no Rio de Janeiro, que
se confunde muito com o abolicionismo na sua tangente mais
revolucionária.” (DIAS, Maria Odila Leite da Silva. A Revolução
Francesa e o Brasil: sociedade e cidadania. In: COGGIOLA,
Osvaldo (org.). A revolução francesa e seu impacto na América
Latina. São Paulo: Edusp, 1990. p. 305.)
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15- “A verdade é que os líderes totalitários, embora estejam convencidos
de que devem seguir consistentemente a ficção e
as normas do mundo fictício estabelecidas durante a luta
pelo poder, só aos poucos descobrem toda a implicação
desse mundo irreal e de suas normas. A fé na onipotência
humana e a convicção de que tudo pode ser feito através da
organização leva-os a experiências com que a imaginação
humana pode ter sonhado, mas que a atividade humana
nunca realizou.” (ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo.
São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 486.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre os regimes
totalitários (nazismo e stalinismo), é correto afirmar:
a) Os regimes totalitários consistem numa forma de
opressão política idêntica ao despotismo e à ditadura,
o que torna imprecisa a afirmação de que o totalitarismo
é uma modalidade específica de governo.
b) Por ser artificialmente fabricado, o carisma dos líderes
totalitários constituiu um instrumento pouco eficaz para
a adesão da coletividade as suas propostas.
c) Tanto o nazismo quanto o stalinismo operaram com o
imaginário social, recorrendo ao “terror imaginário” para
conseguir a participação entusiástica da população.
d) A concepção de poder do totalitarismo se apropria mais
das suas potencialidades econômicas do que da força
das suas organizações de massa, aspecto que coloca
em segundo plano a fé num mundo idealizado e fictício.
e) O emprego do terror direcionado a segmentos
específicos da sociedade (judeus, ciganos etc.) evitou
que o cotidiano da população em geral fosse
impregnado pela insegurança e pela impotência durante
a vigência do totalitarismo.
13- Leia os textos a seguir.
“Estando com apenas quatorze anos, em Paris, onde nasci, eu
já tinha visto o surgimento do telefone, do aeroplano, do
automóvel, da eletricidade doméstica, do fonógrafo, do cinema,
do rádio, dos elevadores, dos refrigeradores, do raio-x, da
radioatividade e, ademais, da moderna anestesia.” (Raymond
Loewy apud SEVCENKO, Nicolau. História da vida privada no
Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. v. 3, p. 10.)
“[...] A economia capitalista era, e só podia ser, mundial. Esta
feição global acentuou-se continuamente no decorrer do século
XIX, à medida que estendia suas operações a partes cada vez
mais remotas do planeta e transformava todas as regiões cada
vez mais profundamente. Ademais, essa economia não
reconhecia fronteiras, pois funcionava melhor quando nada
interferia no livre movimento dos fatores de produção.”
(HOBSBAWM, Eric. A era dos impérios. 3 ed. Rio de Janeiro:
Paz e Terra, 1988. p. 66.)
Comparando os diferentes olhares, do narrador Raymond
Loewy e do historiador Eric Hobsbawm, é correto afirmar:
a) Na condição de testemunha das transformações
tecnológicas, o narrador acentua o seu caráter inovador,
enquanto o historiador enfatiza o caráter expansionista
e internacionalista do capitalismo.
b) As citações revelam a preocupação dos autores com
os impactos maléficos das indústrias químicas, com o
desenvolvimento da medicina e com o controle da
natalidade e das moléstias.
c) O olhar do narrador é determinado pelo distanciamento
em relação às mudanças, enquanto o historiador
percebe as transformações ao seu redor de forma
emocional e alheia aos desdobramentos econômicos,
políticos e sociais.
d) Para ambos, o progresso decorrente das
transformações tecnológicas iguala as economias
mundiais e preserva o modo de vida das sociedades
tradicionais.
e) Para o historiador, as transformações tecnológicas
representam uma barreira ao fortalecimento da economia
capitalista, enquanto para o narrador, contribuem para
manter inalteradas as formas de intimidade e lazer.
14- Durante o Estado Novo, o governo de Getúlio Vargas foi
marcado por fértil produção de materiais como cartilhas,
cartazes, filmes e pela prática de grandes espetáculos
comemorativos. Sobre o significado da propaganda política
na ditadura estadonovista, é correto afirmar:
a) Constituiu um dos pilares do Estado Novo, pois ao
disseminar imagens e símbolos que valorizavam as
ações do governo teve como alvo buscar o apoio
popular e a legitimidade junto às massas, assegurando
assim o controle social.
b) Expressou a preocupação de Vargas em associar o seu
governo ao passado nacional, já que a utilização de
símbolos da “República Velha” era recorrente e difundia
a idéia de continuidade.
c) A propaganda política do Estado Novo veiculou
mensagens que objetivavam consolidar o ideal de um
trabalhador orientado por uma consciência de classe e
reivindicativo quanto a seus interesses.
d) A veiculação de imagens e símbolos enaltecedores da
figura de estadista de Vargas dificultou a visualização
dessa liderança política como “pai dos pobres”.
e) O objetivo central da propaganda política no Estado
Novo era explicitar para a sociedade a existência das
tensões e conflitos, indicando ser a luta de classes o
caminho para a construção de uma sociedade coesa.
Com base nos textos, assinale a alternativa que apresenta
a compreensão do editorial do jornal O Paiz e da
historiadora Maria Odila Dias sobre o contexto do
abolicionismo no Brasil.
a) A historiadora analisa o abolicionismo restringindo-o às
condições do mundo escravo e desconsiderando a
importância do contexto urbano para a compreensão
desse movimento.
b) Tanto para o editorial quanto para a historiadora, as
discussões em torno do abolicionismo no Brasil
ocorreram dentro de um contexto em que se destaca a
ausência de conflitos sociais expressivos.
c) O editorial do jornal ressalta que, no Brasil, os interesses
dos setores vinculados ao estabelecimento da mão-deobra
livre estiveram ausentes da campanha
abolicionista.
d) No texto da historiadora percebe-se a preocupação em
elaborar uma memória para o abolicionismo com ênfase
na participação de grandes personagens reconhecidos
pela história oficial.
e) A diferença de abordagem sobre o abolicionismo,
presente nos textos, revela no editorial do jornal o viés
conciliador que contribuiu para que o país fosse um
dos últimos a decretar o fim do trabalho escravo.
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16- “[...] O capitalismo contemporâneo é mundial e integrado
porque potencialmente colonizou o conjunto do planeta,
porque atualmente vive em simbiose com países que historicamente
pareciam ter escapado dele (países do ex-bloco
soviético e China) e porque tende a fazer com que nenhuma
atividade humana, nenhum setor de produção fique fora de
seu controle. [...] O capitalismo mundial integrado não respeita
mais os modos de vida tradicional do que os modos de
organização social dos conjuntos nacionais que parecem
estar melhor estabelecidos. [...]” (GUATTARI, Felix.
Revolução molecular: pulsações políticas do desejo. São
Paulo: Brasiliense, 1987. p. 211.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a
globalização e seus efeitos, é correto afirmar:
a) A economia do mundo globalizado privilegia relações
de mercado vinculadas à dinâmica da acumulação
flexível do capital.
b) O conhecimento científico reafirma cotidianamente a
sua autonomia e independência em relação aos efeitos
da globalização.
c) A globalização manteve a tradicional divisão social do
trabalho capitalista fundada à época da revolução
industrial na Inglaterra.
d) A lógica do mercado globalizado fortalece as
organizações representativas dos trabalhadores, que
resistem com sucesso à desestruturação do mundo do
trabalho.
e) Os sistemas produtivos dos países emergentes
protegem-se dos dissabores do mercado,
estabelecendo cotas para os seus produtos exportáveis.
19- “[...] a técnica ‘áudio-animatrônica’ constituía um dos maiores
motivos de orgulho de Walt Disney, que finalmente conseguira
realizar o próprio sonho, reconstruir um mundo de
fantasia mais verdadeiro que o real, destruir a parede da
segunda dimensão, realizar não o filme, que é ilusão, mas o
teatro total, e não com animais antropomorfizados, mas com
seres humanos. [...] De fato os autômatos da Disney são
obras-primas de eletrônica [...], verdadeiros e autênticos computadores
em forma humana, revestidos no fim de ‘carne’ e
‘pele’ realizadas por uma equipe de artesãos de incrível
perícia realística.” (ECO, Umberto. Viagem na irrealidade
cotidiana. 9.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, s. d. p. 57.)
Sobre a inserção social do “mundo de fantasia” de Walt
Disney, é correto afirmar:
a) Nos parques da Disneylândia, o aparato utilizado para
a montagem e integração de seus visitantes aos
cenários temáticos impõe obstáculos à reprodução da
sociedade de consumo.
b) O uso de autômatos humanos demonstra muito mais a
preocupação dos parques com a reprodução da fantasia
que da realidade, característica que leva o visitante a
aderir à cena teatral de forma irrefletida.
c) A incorporação às paisagens fictícias possibilita ao
visitante, na condição de espectador, manter um
distanciamento dos cenários.
d) Na Disneylândia o recurso à técnica ocupa um lugar
secundário, pelo fato de as paisagens reais aguçarem
a imaginação mais que as paisagens fictícias.
e) A natureza fictícia da Disneylândia faz dela um mundo
alheio à realidade norte-americana, o que impossibilita
qualquer vínculo entre a reprodução da fantasia e o
mundo real.
17- “Quem não se comunica se trumbica!” Esse era o bordão
utilizado por um apresentador de programa de auditório
muito popular da televisão brasileira. A forma de
comunicação projetada pela TV exerce um importante
papel no cenário nacional, via de regra reafirmando diferenças
regionais, sociais e culturais. Sobre a presença
da televisão no Brasil, considere as afirmativas a seguir.
I. A base dos programas de televisão, bem como a
experiência de seus primeiros artistas, sofreu a influência
precursora do rádio, que tinha uma significativa
penetração popular.
II. Pela sua estreita vinculação com o regime instaurado
no golpe militar de 1964, as emissoras de TV foram
poupadas da censura política em suas programações.
III. Desde os primeiros programas televisivos da década
de cinqüenta a presença do negro mereceu destaque
na programação, tendo como objetivo questionar
o preconceito racial.
IV. O fato de a televisão ser o principal canal de entretenimento
para a maioria da população brasileira não
assegura o compromisso das emissoras com a qualidade
da programação.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I, II e III.
b) II, III e IV.
c) I e III.
d) I e IV.
e) II e IV.
18- “Caminhando contra o vento / Sem lenço sem documento /
No sol de quase dezembro / Eu vou / [...] Por entre fotos e
nomes / Sem livro e sem fuzil / Sem fome sem telefone / No
coração do Brasil / Ela nem sabe até pensei / Em cantar na
televisão / O sol é tão bonito / Eu vou / Sem lenço sem
documento / Nada no bolso ou nas mãos / Eu quero seguir
vivendo amor.” (Caetano Veloso, Música “Alegria Alegria”.)
Com base na letra da canção e nos conhecimentos sobre
o tropicalismo, é correto afirmar:
a) Ao criticar a sociedade por meio da construção poética,
a canção questiona determinada concepção de
esquerda dos anos 1960.
b) A letra da canção mostra que os tropicalistas usavam a
arte como instrumento para a tomada do poder.
c) Ao valorizar a aproximação com a mídia os tropicalistas
colocaram num plano secundário a qualidade estética
de suas canções.
d) Para o tropicalismo as transformações sociais precedem
as mudanças ocorridas no plano subjetivo.
e) A letra da canção enfatiza temas sociais e revela o
engajamento do autor na resistência política armada.
8
20- Observe as imagens a seguir.
Disponível em: . Acesso em: 07 dez. 2003.
A imagem 1 refere-se à derrubada de uma estátua do
ditador iraquiano Saddam Hussein, ocorrida no centro
de Bagdá, em 9 de abril de 2003. A imagem 2 mostra a
derrubada de uma estátua improvisada do presidente
norte-americano, George W. Bush, em uma praça no centro
de Londres, durante um protesto de mais de 100.000
pessoas, organizado pela coalizão “Stop the War” (Pare
a Guerra), em 20 de novembro de 2003.
Com base nas imagens, considere as afirmativas a seguir.
I. O protesto contra George W. Bush constrói uma paródia
da derrubada da estátua de Saddam Hussein,
objetivando caracterizar satiricamente os dois personagens
como politicamente semelhantes.
II. Os dois eventos demonstram como a recorrência da
simbologia atribuída aos monumentos constitui um
elemento importante do discurso político contemporâneo.
III. O fato de a estátua de Saddam Hussein ser um verdadeiro
monumento e a de George W. Bush ser alegórica
torna impossível estabelecer analogias entre
os dois episódios.
IV. As duas imagens revelam atitudes de vandalismo nos
protestos contra Saddam Hussein e George W. Bush,
o que retira a legitimidade dessas ações como
mobilizações políticas autênticas.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I, II e III.
b) II, III e IV.
c) I e II.
d) I e IV.
e) III e IV.
Imagem 1
Imagem 2
Disponível em: . Acesso
em: 07 dez. 2003.
SOCIOLOGIA
21- O pensamento científico, além de auto definir-se, também
classifica e conceitua outras formas de pensamento. Por
exemplo, é possível encontrar a definição de pensamento
mítico como aquele que “vai reunindo as experiências, as narrativas,
os relatos, até compor um mito geral. Com esses materiais
heterogêneos produz a explicação sobre a origem e a forma das
coisas, suas funções e suas finalidades, os poderes divinos sobre
a natureza e sobre os humanos.” (CHAUÍ, Marilena. Convite à
filosofia. São Paulo: Ática, 2000. p. 161.)
Assinale a alternativa que apresenta a afirmação que está de
acordo com a definição de pensamento mítico dada acima.
a) “Acredito em coincidência e essa [a transferência do local
do jogo] é uma vantagem a mais para nós nesta final. Foi
lá que conquistamos nosso primeiro título.” (declaração
da capitã do time de vôlei do Vasco da Gama ao
comemorar a transferência da partida contra o Flamengo
para um ginásio de sua preferência)
b) “Considero a sexta-feira 13 um dia ‘nebuloso’. Para mim,
o poder da mente é forte e aquelas pessoas que pensam
negativamente podem atrair má sorte. Não creio que
ocorram coisas ruins para mim, mas prefiro me precaver
com patuás e incensos.” (estudante, 24 anos)
c) “Não temo o desemprego, quem com Deus está, tudo
pode.” (depoimento de um candidato a emprego de gari
no Rio de Janeiro, disputando vaga com outros 40 mil
candidatos)
d) “Viemos em busca da ‘Terra sem males’, atrás do ‘Éden’.
Estamos atrás do ‘paraíso’ sonhado por nossos ancestrais
e ele se encontra por essas regiões.” (explicação dada
por líder guarani diante do questionamento sobre a
instalação de grupos indígenas em áreas de mata atlântica
protegidas por lei)
e) “As principais causas da exclusão educacional apontadas
pelo censo do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística], além do trabalho infantil, são a pobreza, a
distância entre a escola e a residência, a distorção idadesérie
e até o tráfico de drogas.” (divulgação na imprensa
de dados do IBGE sobre educação)
22- “A casa não é destinada a morar, o tecido não é disposto a vestir,
O pão ainda é destinado a alimentar: ele tem de dar lucro.
Mas se a produção apenas é consumida, e não é também vendida
Porque o salário dos produtores é muito baixo – quando é aumentado
Já não vale mais a pena mandar produzir a mercadoria –, por que
Alugar mãos? Elas têm de fazer coisas maiores no banco da fábrica
Do que alimentar seu dono e os seus, se é que se quer que haja
Lucro! Apenas: para onde com a mercadoria? A boa lógica diz:
Lã e trigo, café e frutas e peixes e porcos, tudo junto
É sacrificado ao fogo, a fim de aquentar o deus do lucro!
Montanhas de maquinaria, ferramentas de exércitos em trabalho,
Estaleiros, altos-fornos, lanifícios, minas e moinhos:
Tudo quebrado e, para amolecer o deus do lucro, sacrificado!
De fato, seu deus do lucro está tomado pela cegueira.
As vítimas
Ele não vê.
[...] As leis da economia se revelam
Como a lei da gravidade, quando a casa cai em estrondos
Sobre as nossas cabeças. Em pânico, a burguesia atormentada
Despedaça os próprios bens e desvaira com seus restos
Pelo mundo afora em busca de novos e maiores mercados.
(E pensando evitar a peste alguém apenas a carrega consigo,
empestando
9
Também os recantos onde se refugia!) Em novas e maiores crises
A burguesia volta atônita a si. Mas os miseráveis, exércitos gigantes,
Que ela, planejadamente, mas sem planos, arrasta consigo,
Atirando-os a saunas e depois de volta a estradas geladas,
Começam a entender que o mundo burguês tem seus dias contados
Por se mostrar pequeno demais para comportar a riqueza que ele
próprio criou.”
(BRECHT, Bertolt. O manifesto. Crítica marxista, São Paulo, n. 16, p.116,
mar. 2003.)
Os versos anteriores fazem parte de um poema
inacabado de Brecht (1898-1956) numa tentativa de
versificar O manifesto do partido comunista de Karl Marx
(1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). De acordo
com o poema e com os conhecimentos da teoria de Marx
sobre o capitalismo, é correto afirmar que, na sociedade
burguesa, as crises econômicas e políticas, a concentração
da renda, a pobreza e a fome são:
a) Oriundos da inveja que sentem os miseráveis por
aqueles que conseguiram enriquecer.
b) Frutos da má gestão das políticas públicas.
c) Inerentes a esse modo de produção e a essa formação
social.
d) Frutos do egoísmo próprio ao homem e que poderiam
ser resolvidos com políticas emergenciais.
e) Fenômenos característicos das sociedades humanas
desde as suas origens.
23- Observe o quadro a seguir.
Fonte: BRASIL. Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar. Política de
Segurança Alimentar para o Brasil. Brasília, 2003.
Com base no quadro e nos conhecimentos sobre as estratégias
de combate à fome no Brasil, considere as afirmativas
a seguir.
I. É necessário coordenar políticas de longo prazo com
ações emergenciais na luta contra a fome.
II. A eficácia do combate à fome depende da substituição
da agricultura familiar pela agroindústria.
III. Políticas estruturais e de geração de emprego e renda
são fundamentais para a erradicação da fome.
IV. Um aumento na oferta de alimentos teria como conseqüência
o fim da fome no Brasil.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.
24- O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) definiu dominação
como a “possibilidade de encontrar obediência
para ordens específicas (ou todas) dentro de determinado
grupo de pessoas” (WEBER, M. Economia e
sociedade. Brasília: UnB, 1991. p. 139). Em Weber este
conceito está relacionado à idéia de autoridade e a partir
dele é possível analisar a estrutura das organizações
e instituições como empresas, igrejas e governos. Na
sociedade capitalista, dentre os vários tipos de dominação
existentes, predomina a dominação burocrática ou
racional. Assinale a alternativa que indica corretamente
a quem se deve obediência nesse tipo de dominação.
a) “À ordem impessoal, objetiva e legalmente estatuída e
aos superiores por ela determinados, em virtude da
legalidade formal de suas disposições.”
b) “Aos mais velhos, pois são eles os melhores
conhecedores da tradição sagrada.”
c) “Ao líder carismaticamente qualificado como tal, em
virtude de confiança pessoal na sua capacidade de
revelação, heroísmo ou exemplaridade.”
d) “À pessoa do senhor nomeada pela tradição e vinculada
a esta, em virtude de devoção aos hábitos costumeiros.”
e) “Ao senhor, mas não a normas positivas estabelecidas.
E isto unicamente segundo a tradição.”
25- Em 1840, o francês Aléxis de Tocqueville (1805-1859),
autor de A democracia na América, impressionado com
o que viu em viagem aos Estados Unidos, escreveu que
nos EUA, “a qualquer momento, um serviçal pode se
tornar um senhor”. Por sua vez, o escritor brasileiro Luiz
Fernando Veríssimo, autor de O analista de Bagé, disse,
em 1999, ao se referir à situação social no Brasil: “tem
gente se agarrando a poste para não cair na escala social
e seqüestrando elevador para subir na vida”.
As citações anteriores se referem diretamente a qual fenômeno
social?
a) Ao da estratificação, que diz respeito a uma forma de
organização que se estrutura por meio da divisão da
sociedade em estratos ou camadas sociais distintas,
conforme algum tipo de critério estabelecido.
b) Ao de status social, que diz respeito a um conjunto de
direitos e deveres que marcam e diferenciam a posição
de uma pessoa em suas relações com as outras.
c) Ao dos papéis sociais, que se refere ao conjunto de
comportamentos que os grupos e a sociedade em geral
esperam que os indivíduos cumpram de acordo com o
status que possuem.
d) Ao da mobilidade social, que se refere ao movimento, à
mudança de lugar de indivíduos ou grupos num
determinado sistema de estratificação.
e) Ao da massificação, que remete à homogeneização das
condutas, das reações, desejos e necessidades dos
indivíduos, sujeitando-os às idéias e objetos veiculados
pelos sistemas midiáticos.
26- “Ainda que do ponto de vista social o Brasil continue sendo
um país de muitas e profundas desigualdades sociais, não
se pode ignorar ter havido mudanças significativas no campo
político, em especial a partir dos anos 80. Nesse sentido,
[...] a abertura de fóruns públicos de representação e participação
teve o efeito de explicitar e tornar pública a dimensão
conflitiva da vida social. A questão pode parecer trivial, já
que nesses espaços convergem e se expressam reivindicações
vocalizadas por diversos movimentos sociais. Mas há
algo como uma metamorfose do conflito social quando esse
ganha essas esferas públicas que estabelecem a mediação
entre Estado e sociedade. Pois aí o particularismo das reivindicações
necessariamente tem que se redefinir em função
FOME
O parte do princípio de que a pobreza não é algo ocasional, mas sim o
resultado de um modelo de desenvolvimento perverso que tem levado à crescente
concentração de renda e ao desemprego. Essa situação produz o círculo vicioso da fome:
Fome Zero
Crise agrícola
Juros altos
Falta de
políticas
agrícolas
Queda dos
preços
agrícolas
Queda do
consumo de
alimentos
Concentração
de rendas
Salários baixos
Desemprego
Falta de políticas de geração
de emprego e renda
Queda da
oferta de
alimentos
Os bolsões de pobreza
O Brasil tem basicamente três grandes bolsões de pobreza:
As regiões
metropolitanas
Desempregados,
subempregados e
trabalhadores informais.
Áreas rurais
Agricultores familiares,
trabalhadores informais,
subocupados e
desocupados.
Áreas urbanas das
pequenas e médias cidades
Famílias sem renda regular
e desempregados.
10
Conforme o texto, é correto afirmar:
a) As mudanças no campo político levaram ao atendimento
permanente das reivindicações dos diversos movimentos
sociais porque as tornaram públicas.
b) A constituição de esferas públicas de representação e
participação fez com que os conflitos sociais passassem a
ser reconhecidos de acordo com padrões públicos.
c) Com a abertura dos fóruns públicos de representação e
participação, as demandas dos movimentos sociais tornaramse
menos reivindicativas.
d) A abertura de fóruns de participação, a partir das reivindicações
dos movimentos sociais, levou ao reforço da prática
patrimonialista no Estado brasileiro.
e) Do ponto de vista democrático, a abertura de fóruns públicos
de participação implicou num retrocesso na solução dos
conflitos sociais.
27- “Formado nos quadros da estrutura familiar, o brasileiro recebeu
o peso das ‘relações de simpatia’, que dificultam a
incorporação normal a outros agrupamentos. Por isso, não
acha agradáveis as relações impessoais, características do
Estado, procurando reduzi-las ao padrão pessoal e afetivo.
Onde pesa a família, sobretudo em seu molde tradicional,
dificilmente se forma a sociedade urbana de tipo moderno.”
(CANDIDO, Antônio. Prefácio. In: HOLANDA, Sérgio B.
Raízes do Brasil. 10.ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976. p.
XVIII.)
De acordo com o texto, a sociedade brasileira, apoiada
nas relações de simpatia, encontra dificuldades de constituir
relações próprias do Estado moderno. Assinale a
alternativa que indica corretamente uma das características
que fundamentam o Estado moderno a que se refere
o autor.
a) Ênfase na afetividade.
b) Uso do ‘favor’ nas relações políticas.
c) Servilismo.
d) Procedimento universal.
e) Recorrência ao expediente do ‘jeitinho’.
28- “Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos
direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e
apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações
culturais.
§1° O Estado protegerá as manifestações das culturas
populares, indígenas e afro-brasileiras e das de outros grupos
participantes do processo civilizatório nacional.” (BRASIL.
Constituição (1988). Constituição da República Federativa
do Brasil. 31.ed. São Paulo: Saraiva, 2003. p. 134.)
É correto afirmar que no artigo transcrito a Constituição
Federal:
a) Reconhece a existência da diversidade cultural e da
pluralidade étnica no país.
b) Impõe restrições para o exercício da interculturalidade.
c) Propõe um modelo para apresentação de projetos
culturais.
d) Orienta o processo de homogeneização e padronização
cultural.
e) Estimula o investimento estatal que visa evitar o
hibridismo cultural.
de parâmetros públicos de gestão política das cidades.”
(PAOLI, Maria; TELLES, Vera. Direitos Sociais, conflitos e
negociações no Brasil contemporâneo. In: ALVAREZ, Sonia;
DAGNINO, Evelina (Orgs.). Cultura e política nos movimentos
sociais latino-americanos. Belo Horizonte: UFMG, 2000. p. 117-
118.)
30- O texto a seguir refere-se à situação dos apátridas na
2ª Guerra Mundial.
“O que era sem precedentes não era a perda do lar, mas a impossibilidade
de encontrar um novo lar. De súbito revelou-se não existir
lugar algum na terra aonde os emigrantes pudessem se dirigir
sem as mais severas restrições, nenhum país ao qual pudessem
ser assimilados, nenhum território em que pudessem fundar uma
nova comunidade própria [...] A calamidade dos que não têm
direitos não decorre do fato de terem sido privados da vida, da
liberdade ou da procura da felicidade, nem da igualdade perante a
lei ou da liberdade de opinião – fórmulas que se destinavam a
resolver problemas dentro de certas comunidades – mas do fato
de já não pertencerem a qualquer comunidade [...] A privação
fundamental dos direitos humanos manifesta-se, primeiro e acima
de tudo, na privação de um lugar no mundo que torne a opinião
significativa e a ação eficaz. Algo mais fundamental do que a
liberdade e a justiça, que são os direitos do cidadão, está em jogo
quando deixa de ser natural que um homem pertença à
comunidade em que nasceu.” (ARENDT, Hannah. Origens do
totalitarismo: anti-semitismo, imperialismo, totalitarismo. São Paulo:
Companhia das Letras, 1989. p. 227, 229, 230.)
Com base no texto, é correto afirmar:
a) Obter o reconhecimento por uma comunidade é condição
básica para o gozo de direitos.
b) A condição em que se encontra o apátrida é igual à condição
de escravo.
c) Ser privado da vida é menos importante que ser privado da
liberdade.
d) Ao apátrida é garantida ressonância às suas opiniões
mais significativas.
e) Ser um apátrida é ser reconhecido como um indivíduo
com direitos fora de seu país de origem.
29- O sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) considera
a “comunhão de valores morais” a condição fundamental
e primeira para a construção da coesão social. Para ele, a
moral (conjunto de valores e juízos direcionados à vida em
comum) é o amálgama que une os indivíduos à vida em
grupo. A moral traça as orientações da conduta ideal para
as pessoas, e parte do seu conteúdo se materializa em
normas e regras. Durkheim afirma o papel do regulamento
moral para a integração social, insistindo que a moral é
o mínimo indispensável, sem o qual as sociedades não
podem viver em harmonia. Esses pressupostos, a respeito
das condições para o bom convívio dos indivíduos numa
coletividade, permitem a formulação de uma avaliação
específica sobre o problema da criminalidade violenta praticada
por jovens no Brasil, hoje.
Indicam-se, a seguir, algumas possíveis propostas de ação
para enfrentar esse problema. Assinale a alternativa que
está em conformidade imediata com os pressupostos
sociológicos mostrados no texto.
a) Priorizar o combate ao narcotráfico, ao crime organizado,
aos esquadrões da morte e a unificação das polícias.
b) Estimular a produção econômica para a geração de
empregos, enfatizando aqueles voltados à população
de 15 a 24 anos.
c) Promover a instituição familiar; reforçar o papel
socializador da escola com ênfase na educação para a
paz e para a cidadania e melhorar o funcionamento do
sistema legal.
d) Detectar antecipadamente os jovens portadores de
personalidade irritável, impulsiva e impaciente e
providenciar o tratamento terapêutico como política
pública.
e) Investir no controle da natalidade, reduzindo o número
de nascimentos a médias compatíveis com os índices
de desenvolvimento econômico previstos.
11
31- Leia a seguir uma declaração sobre as atuais conseqüências
do processo de globalização, feita pelo Exército Zapatista de
Libertação Nacional (EZLN), movimento revolucionário que
surgiu em 1994 na região de Chiapas, no México.
“O mundo do dinheiro, o mundo deles, governa a partir das bolsas
de valores. A especulação é hoje a principal fonte de enriquecimento
[...] Já não é necessário o trabalho para produzir riqueza,
agora só se precisa de especulação [...] A globalização dos mercados
significa eliminar fronteiras para a especulação e o crime, e
multiplicá-las para os seres humanos. Os países são obrigados a
eliminar suas fronteiras com o exterior para facilitar a circulação do
dinheiro, porém se multiplicam as fronteiras internas [...] O
neoliberalismo não transforma os países em um só, transforma os
países em muitos países [...] Quanto mais o neoliberalismo avança
como sistema mundial, mais crescem o armamento e o número
de efetivos dos exércitos e polícias nacionais. Também aumenta o
número de presos, desaparecidos e assassinados nos diversos
países.” (Comando Geral do EZLN. Segunda Declaración de La
Realidad. In: DI FELICE, Massimo; MUNOZ, Cristobal (Orgs.). A
revolução invencível. São Paulo: Boitempo, 1998. p.178-179.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o tema, é
correto afirmar que o EZLN:
a) Incentiva o neoliberalismo porque este assegura que um país
se transforme interna e vantajosamente em muitos outros
países.
b) Apóia a globalização porque ela faz com que os países
eliminem suas fronteiras territoriais.
c) Entende que a eliminação de fronteiras que limitam a
circulação monetária favorece a equânime distribuição das
riquezas.
d) Defende uma resistência ao processo de globalização que
faz proliferar dentro dos países as fronteiras internas de
classes, etnias, culturas, etc.
e) Entende que o modelo socioeconômico neoliberal é gerador
de paz social e consolidador de direitos civis.
32- Considere os acontecimentos relatados a seguir.
O advogado criminalista S. Holmes está indignado com a
decisão da delegada Mary Watson que declarou que o
inquérito sobre a morte do publicitário J. Jamenson “será
conduzido em sigilo” pela polícia. Jamenson caiu, na
madrugada de ontem, do apartamento do empresário T.
H. Lawrence, do 9º andar de um prédio localizado na Viera
Souto, avenida beira-mar no nobre bairro de Ipanema. O
empresário afirma que a queda foi acidental, mas, por
enquanto, a polícia não descarta as hipóteses de suicídio
ou homicídio. Para Holmes, a decisão de manter o inquérito
em sigilo só ocorreu “porque os envolvidos pertencem à
elite carioca”. Segundo ele, no artigo 20 do Código de
Processo Penal, é dito que todos os inquéritos são
sigilosos, “mas quando se trata de gente pobre, a polícia
divulga tudo”. A delegada Watson nega que o sigilo esteja
relacionado “à posição social dos envolvidos”. Mas,
segundo ela, porque “há casos em que o assédio da
imprensa dificulta a investigação”.
De acordo com a crítica levantada pelo advogado S.
Holmes, o evento revelaria a presença de ao menos três
situações que afetam as relações sociais e a justiça no
Brasil. Assinale a alternativa que indica corretamente quais
seriam essas situações.
a) Isonomia da lei; igualdade de cidadania entre as
classes; discriminação racial.
b) Imparcialidade da justiça; exibicionismo das elites;
favorecimento às castas superiores.
c) Igualdade formal perante a lei; comprometimento da justiça
por causa do assédio da imprensa; discriminação étnica.
d) Lentidão da justiça; reconhecimento da diferença e da
autonomia entre as classes sociais; preconceito de gênero.
e) Parcialidade da justiça; privilégio dos grupos sociais
dominantes; preconceito de classe.
33- Observe os quadrinhos a seguir.
Fonte: HENFIL. Fradim. Rio de Janeiro: Codecri, [197-], p. 3.
Nos quadrinhos o cartunista faz uma ironia sobre a perspectiva
adotada pelos ‘civilizados’ em relação aos
ameríndios. Por intermédio dessa ironia, Henfil revela
práticas contumazes dos ditos ‘civilizados’. Sobre essas
práticas, analise as afirmativas a seguir.
I. As práticas dos ‘civilizados’ expressam uma postura
de relativismo cultural, pois os aspectos da cultura
ameríndia são abordados em seu próprio contexto.
II. A disposição de assimilar os ameríndios à ‘civilização’
é um sinal evidente de negação do direito à
diferença cultural.
III. Os ‘civilizados’ se propõem a estabelecer uma relação
simétrica com a sociedade dos ameríndios.
IV. Os ameríndios são vistos pelos ‘civilizados’ sobretudo
pela ausência do que é natural para os próprios
civilizados.
Estão corretas apenas as afirmativas:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III, IV.
e) II, III, IV.
12
34- “As práticas religiosas indígenas, contudo, não desapareceram,
convivendo com o pensamento cristão. O mesmo
ocorreu com os negros vindos da África, que trouxeram para
cá sua cultura religiosa [...] Uma prova da mistura e da presença
das várias tradições culturais e religiosas no Brasil
era a chamada ‘bolsa de mandinga’, pequeno recipiente no
qual se guardavam vários amuletos com o objetivo de oferecer
proteção e sorte a quem a carregava. Dentro da bolsa
encontravam-se objetos das culturas européias, africana e
indígena, podendo conter enxofre, pólvora, pedras, osso de
defunto, papéis com dizeres religiosos ou símbolos, folhas,
alho e outros elementos que variavam conforme o uso a que
ela se destinava.” (MONTELLATO, Andrea. História temática:
diversidade cultural e conflitos. São Paulo: Scipione, 2000.
p. 145.)
É correto afirmar que o texto refere-se a:
a) Um processo chamado de aculturação em que os
grupos abandonam suas tradições.
b) Uma forma de organizar as diferenças que os homens
percebem na natureza e no mundo social.
c) Um processo de ressignificação de elementos culturais
tendo como resultado uma nova configuração.
d) Um movimento de eliminação de determinadas culturas
quando transpostas para fora da sua área de origem.
e) Um movimento de imitação de costumes estrangeiros,
inerente aos países periféricos.
35- Leia a letra da canção.
“Tinha eu 14 anos de idade quando meu pai me chamou
Perguntou-me se eu queria estudar filosofia
Medicina ou engenharia
Tinha eu que ser doutor
Mas a minha aspiração era ter um violão
Para me tornar sambista
Ele então me aconselhou:
‘Sambista não tem valor nesta terra de doutor’
E seu doutor, o meu pai tinha razão
Vejo um samba ser vendido, o sambista esquecido
O seu verdadeiro autor
Eu estou necessitado, mas meu samba encabulado
Eu não vendo não senhor!”
(Canção “14 anos” de Paulinho da Viola, do álbum Na Madrugada,
1966.)
De acordo com a letra da canção, assinale a alternativa
correta.
a) O sambista vê na comercialização do samba, ou seja,
na sua mutação em mercadoria, um processo que
valoriza mais o criador que a coisa produzida.
b) Os termos ‘sambista’ e ‘doutor’ servem para qualificar
e/ou desqualificar os indivíduos na rigorosa hierarquia
social vigente no Brasil.
c) A filosofia, enquanto conhecimento humanístico voltado
à crítica social, é desqualificada em relação aos
conhecimentos direcionados às profissões liberais.
d) Para o sambista, o valor objetivo da música como
mercadoria, medido pelo reconhecimento econômico,
é mais relevante do que sua condição de criação
artística subjetiva.
e) A expressão ‘terra de doutor’ está relacionada à
disseminação generalizada dos cursos superiores no
Brasil, responsáveis por uma elevação do nível cultural
dos setores populares.
36- Na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) foi
implantado, no exame vestibular, o sistema de cotas raciais,
que desencadeou uma série de discussões sobre
a validade de tal medida, bem como sobre a existência
ou não do racismo no Brasil, tema que permanece como
uma das grandes questões das Ciências Sociais no país.
Roger Bastide e Florestan Fernandes, escrevendo sobre
a escravidão, revelam traços essenciais do racismo
à brasileira, observando que: “Negro equivalia a indivíduo
privado de autonomia e liberdade; escravo correspondia (em
particular do século XVIII em diante) a indivíduo de cor. Daí
a dupla proibição, que pesava sobre o negro e o mulato: o
acesso a papéis sociais que pressupunham regalias e direitos
lhes era simultaneamente vedado pela ‘condição social’
e pela ‘cor’.” (BASTIDE, R.; FERNANDES, F. Brancos e negros
em São Paulo. 2.ed. São Paulo: Nacional, 1959. p. 113-
114.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a questão
racial no Brasil, é correto afirmar:
a) O racismo é produto de ações sociais isoladas
desconectadas dos conflitos ocorridos entre os grupos
étnicos.
b) A escravatura amena e a democracia nas relações
étnicas levaram à elaboração de um ‘racismo brando’.
c) As oportunidades sociais estão abertas a todos que se
esforçam e independem da ‘cor’ do indivíduo.
d) Nas relações sociais a ‘cor’ da pessoa é tomada como
símbolo da posição social.
e) O comportamento racista vai deixando de existir,
paulatinamente, a partir da abolição dos escravos.
37- “Depois de viajar nas alturas durante toda a campanha eleitoral
no ano passado e resistir bravamente em alta durante
o começo do governo Lula, o dólar finalmente começou a
voltar a seu valor de equilíbrio, aquele em que reflete as
condições econômicas do país sem os sustos especulativos
das eleições e outros terremotos emocionais que os mercados
usam com maestria para obter lucros.” (O dólar baixa a
crista. Veja, São Paulo, v. 36, n. 17, p. 108, 30 abr. 2003.)
O texto expressa fenômenos típicos da sociedade capitalista:
fetichismo e alienação. Sobre esses fenômenos,
considere as seguintes afirmativas.
I. Na situação apresentada, integram um processo que,
nesse caso, sujeita o capital financeiro a um
comportamento racional cuja conseqüência é a
alocação ótima de recursos.
II. São fenômenos sociais nos quais as mercadorias e
o capital aparecem às pessoas como possuidoras
de vida própria.
III. São fenômenos que, na situação apresentada,
revelam a insensibilidade dos agentes econômicos
às influências da esfera política e aos eventos de
caráter psicossocial.
IV. São fenômenos nos quais os homens, a exemplo da
situação apresentada, não se reconhecem nas obras
que criaram e deixam-se governar por elas.
Assinale a alternativa em que as afirmativas sintetizam
de forma correta as análises sobre esses fenômenos.
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV.
d) I, III, IV.
e) II, III, IV.
13
38- Observe o quadro a seguir.
Salário Mensal
Até 130 reais (até um SM**)
De 130 a 260 reais (de um até dois SM**)
De 260 a 650 reais (de dois até cinco SM**)
De 650 a 1.300 reais (de cinco até dez SM**)
De 1.300 a 2.600 reais (de dez até vinte
SM**)
Mais de 2.600 reais (acima de vinte SM**)
Total no Brasil
Número de
jogadores*
8.638
4.987
1.289
436
293
701
16.344
Peso sobre
total (%)
53
30
832
4
100
* Jogadores profissionais, inscritos na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
** Salários mínimos.
Fonte: Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 fev. 1999, Caderno Esporte, p. 4-12.
Assinale a alternativa que melhor interpreta os dados
apresentados no quadro anterior.
a) “No Brasil, um campo de futebol ou uma quadra de tênis
é formado por linhas divisórias que promovem a
inclusão social, que dão chances, fazem prosperar e
levam ao sucesso os jovens da ‘ralé brasileira’, num
processo de mobilidade instantânea.” (colunista de um
grande jornal de São Paulo)
b) “Há muito tempo me desinteressei pelo futebol. Foi
quando comecei a ver aqueles latagões, ganhando
fortunas e tratados como odaliscas, não conseguirem
dar um passe certo no meio do campo – sem qualquer
pressão do adversário. Como artista plástico, tratado
daquele jeito, eu morreria de vergonha se não pintasse
uma Capela Sistina por semana.” (depoimento de um
escritor e teatrólogo brasileiro)
c) “Por intermédio do futebol podemos conviver com
jogadores de todas as raças e de todas as classes
sociais; possuidoras de todo o tipo de sonho – algumas
sem sequer capacidade de sonhar – e/ou realidade [...]
Daí sua riqueza como experiência de vida. Foi minha
maior escola.” (depoimento de um ex-jogador da
seleção brasileira e, atualmente, comentarista esportivo)
d) “O futebol já serviu para formar cidadãos. Hoje, pelo
jeito – e é só acompanhar as manchetes policiais –, ele
só serve para formar marginais. Uma verdadeira escola
de malandragem. Até presidente [de clube] aprende a
matéria.” (jornalista esportivo)
e) “Existe uma grande ilusão entre o povo brasileiro de
que jogador de futebol ganha bem e leva vida de
milionário. Essa visão distorcida é reforçada pela
propaganda que a televisão faz de alguns raros craques
que assinam contratos milionários.” (editorial de um
jornal de circulação nacional)
39- “No tempo em que os sindicatos eram fortes, os trabalhadores
podiam se queixar do excesso de velocidade na linha de
produção e do índice de acidentes sem medo de serem
despedidos. Agora, apenas um terço dos funcionários da
IBP [empresa alimentícia norte-americana] pertence a algum
sindicato. A maioria dos não sindicalizados é imigrante
recente; vários estão no país ilegalmente; e no geral podem
ser despedidos sem aviso prévio por seja qual for o motivo.
Não é um arranjo que encoraje ninguém a fazer queixa. [...]
A velocidade das linhas de produção e o baixo custo trabalhista
das fábricas não sindicalizadas da IBP são agora o
padrão de toda indústria.” (SCHLOSSER, Eric. País Fast-
Food. São Paulo: Ática, 2002. p. 221.)
No texto, o autor aborda a universalização, no campo
industrial, dos empregos do tipo Mcjobs “McEmprego”,
comuns em empresas fast-food. Assinale a alternativa
que apresenta somente características desse tipo de
emprego.
a) Alta remuneração da força-de-trabalho adequada à
especialização exigida pelo processo de produção
automatizado.
b) Alta informalidade relacionada a um ambiente de
estabilidade e solidariedade no espaço da empresa.
c) Baixa automatização num sistema de grande
responsabilidade e de pequena divisão do trabalho.
d) Altas taxas de sindicalização entre os trabalhadores
aliadas a grandes oportunidades de avanço na carreira.
e) Baixa qualificação do trabalhador acompanhada de má
remuneração do trabalho e alta rotatividade.
40- No final de 2000 o jornalista Scott Miller publicou um
artigo no The Wall Street Journal, reproduzido no Estado
de S. Paulo (13 dez. 2000), com o título “Regalia para
empregados compromete os lucros da Volks na
Alemanha”. No artigo ele afirma: “A Volkswagen vende
cinco vezes mais automóveis do que a BMW, mas vale menos
no mercado do que a rival. Para saber por que, é preciso
pegar um operário típico da montadora alemã. Klaus Seifert
é um veterano da casa. Cabelo grisalho, Seifert é um
planejador eletrônico de currículo impecável. Sua filha trabalha
na montadora e, nas horas vagas, o pai dá aulas de
segurança no trânsito em escolas vizinhas. Mas Seifert tem,
ainda, uma bela estabilidade no emprego. Ganha mais de
100 mil marcos por ano (51.125 euros), embora trabalhe
apenas 7 horas e meia por dia, quatro dias por semana. ‘Sei
que falam que somos caros e inflexíveis’, protesta o alemão
durante o almoço no refeitório da sede da Volkswagen AG.
‘Mas o que ninguém entende é que produzimos veículos
muito bons.’ E quanto a lucros muito bons?”
A relação entre lucro capitalista e remuneração da força-
de-trabalho pode ser abordada a partir do conceito
de mais-valia, definido como aquele “valor produzido pelo
trabalhador [e] que é apropriado pelo capitalista sem que um
equivalente seja dado em troca.” (BOTTOMORE, Tom.
Dicionário do pensamento marxista. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 1998. p. 227).
Com o intuito de ampliar a taxa de extração de maisvalia
absoluta, qual seria a medida imediata mais adequada
a ser tomada por uma empresa de automóveis?
a) Aumentar o número de veículos vendidos.
b) Transferir sua fábrica para regiões cuja força-detrabalho
seja altamente qualificada.
c) Incrementar a produtividade por meio da automatização
dos processos de produção.
d) Ampliar os gastos com o capital constante, ou seja, o
valor dispendido em meios de produção.
e) Intensificar a produtividade da força de trabalho sem
novos investimentos de capital.


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