quarta-feira, 18 de abril de 2012

FRIEDRICH WILHELM NIETZSCH

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A filosofia de Nietzsche é culpada pelo Nazismo? – Não!
Escrito por adv on 9 de maio de 2008 – 23:34 -




Entre os críticos, Nietzsche costuma ser responsabilizado por sustentar o Nazismo, mesmo que este tenha morrido 33 anos antes.

Para eles a idéia do Übermench (“super-homem”) é a idealização da eugenia alimentada por Hittler. – Tal interpretação aponta que esse homem proposto pelo filósofo é um homem imoral, absolutamente individualista e sem valores, aquele que dá ouvidos apenas aos ecos dos seu próprio ego.

Recentemente a autora Abir Taha publicou um livro intitulado “Nietzsche: o profeta do Nazismo “, que tem o objetivo de dar fim às falsas idéias que têm associado o super-homem com a ideologia nazista, esta última se alimenta sobretudo do racismo biológico, bem diferente do “novo homem” proposto por Nietzsche.

A autora ainda revela a apropriação – obviamente que errônea – que o Nazismo possivelmente fez de alguns pressupostos de Nit. Se a culpabilização de Nit pelo Nazismo for levada a sério, teríamos que culpabilizar a humanidade inteira pelos avanços tecnológicos e suas conseqüências danosas (guerras nucleares, destruições ambientais, gerras civis, etc.).

Além dessa característica básica entre Nazismo e a filosofia de Nietzsche, essa relação se torna ainda mais insustentável ao compreender que o novo homem edificado no pensamento nietzschiano não é um homem niilista, isto é, desinteressado com tudo, asséptico de valores e apático diante da vida e dos seus semelhantes, mas sim, aquele que consegue se desatar das amarras da falsa moralização e, principalmente, das convicções e verdades absolutas, indo de encontro à transformação da sua existência.

Para tanto, esse homem deve lançar um olhar dionisíaco sobre o mundo, buscando através da simplicidade e a alegria presentes na vida, encontrar os valores para si e para o bem da humanidade, destituindo aqueles que até então têm mantido o homem preso no conhecimento determinista e nas verdades absolutas, elementos que para Nietzsche têm sido entraves para a humanidade.

O novo homem é aquele que transcenderia a sua época e reinventaria os valores de até então, excluindo de si, sobretudo, os valores tirânicos do cristianismo que instalaram o sentimento de culpa e vendaram os olhos dos homens para a alegria presente na vida.

Entre os diversos aforismos de Nietzsche, sobre a vida, a política, as nações, as relações humanas, etc., transcrevo abaixo, na íntegra, o aforismo 475 de sua obra “Humano, demasiado humano – um livro para espíritos livres (1878, 1886) “. Esse aforismo ilustra bem o pensamento de Nit sobre o povo judeu – além disso, repare que Nit foi um dos primeiros a falar sobre a globalização (não usando esse termo), e uma previsão absurdamente exata do que viria a representar efetivamente o judeu para a questão da eugenia nazista:

* imagem: capa do livro mencionado da autora Abir Taha


O homem europeu e a destruição das nações – O comércio e a indústria, a circulação de livros e cartas, a posse comum de toda a cultura superior, a rápida mudança de lar e de região, a atual vida nômade dos que não possuem terra – essas circunstâncias trazem necessariamente um enfraquecimento e por fim uma destruição das nações, ao menos das européias: de modo que a partir delas, em conseqüência de contínuos cruzamentos, deve surgir uma ração mista, a do homem europeu. Hoje em dia o isolamento das nações trabalha contra esse objetivo, de modo consciente ou inconsciente, através da geração de hostilidades nacionais, mas a mistura avança lentamente, apesar dessas momentâneas correntes contrárias: esse nacionalismo artificial é, aliás, tão perigoso como era o catolicismo artificial, pois é na essência um estado de emergência e de sítio que alguns poucos impõem a muitos, e que requer astúcia, mentira e força para manter respeitável. Não é o interesse de muitos (dos povos), como se diz, mas sobretudo o interesse de algumas dinastias reinantes, e depois de determinadas classes do comércio e da sociedade, o que impele a esse nacionalismo; uma vez que se tenha reconhecido isto, não é preciso ter medo de proclamar-se um bom europeu e trabalhar ativamente pela fusão das nações: no que os alemães, graças à sua antiga e comprovada qualidade de intérpretes e mediadores dos povos, serão capazes de colaborar. – Diga-se de passagem que o problema dos judeus existe apenas no interior dos Estados nacionais, na medida em que neles a sua energia e superior inteligência, o seu capital de espírito e de vontade, acumulado de geração em geração em prolongada escala de sofrimento, devem preponderar numa escala que desperta inveja e ódio, de modo que em quase todas as nações de hoje – e tanto mais quanto mais nacionalista é a pose que adotam – aumenta a grosseria literária de conduzir os judeus ao matadouro, como bodes expiratórios de todos os males públicos e particulares. Quando a questão não for mais conservar as nações, mas criar uma raça européia mista que seja a mais vigorosa possível, o judeu será um ingrediente tão útil e desejável quanto qualquer outro vestígio nacional. Características desagradáveis, e mesmo perigosas, toda nação, todo indivíduo tem: é cruel exigir que o judeu constitua exceção. Nele essas características podem até ser particularmente perigosas e assustadoras; e talvez o jovem especulador da Bolsa judeu seja a invenção mais repugnante da espécie humana. Apesar disso gostaria de saber o quanto, num balanço geral, devemos relevar num povo que, não sem a culpa de todos nós, teve a mais sofrida história entre todos os povos, e ao qual devemos o mais nobre dos homens (Cristo), o mais puro dos sábios (Spinoza), o mais poderoso dos livros e a lei moral mais eficaz do mundo. E além disso: nos tempos mais sombrios da Idade Média, quando as nuvens asiáticas pesavam sobre a Europa, foram os livres pensadores, eruditos e médicos judeus que, nas mais duras condições pessoais, mantiveram firme a bandeira das Luzes e da independência intelectual, defendendo a Europa contra a Ásia; tampouco se deve menos aos seus esforços o fato de finalmente vir a triunfar uma explicação do mundo mais natural, mais conforme à razão e certamente não mítica, e de o anel da cultura que hoje nos liga às luzes da Antigüidade greco-romana não ter se rompido. Se o cristianismo tudo fez para orientalizar o Ocidente, o judaísmo contribuiu de modo essencial para ocidentalizá-lo de novo: o que, num determinado sentido, significa fazer da missão e da história da Europa uma continuação da grega.

* sublinhados meus

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