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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de abril de 2011 atualizado às 08h54 Ibovespa: Fonte:
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Notícia da edição impressa de 14/04/2011
É simplismo proibir as armas sem evitar a loucura
Depois de um referendo em 2005 em que a população repudiou a proibição das armas no País, eis que o eterno político José Sarney volta à carga propondo outra consulta popular para banir o armamento, a fim de evitar novas tragédias como a de Realengo, no Rio. Por ironias da vida, depois ocorreram duas matanças em países da Europa. Quando uma pessoa é tomada pela loucura, pela esquizofrenia paranoide, segundo os especialistas, ela cria um mundo, vive nele, ali justifica suas ideias e, finalmente, de maneira calculada na mente desvirtuada, perpetra crimes como o assassinato de 12 crianças. Fazer uma consulta à população em cima da tragédia é oportunismo para se chegar a conclusões precipitadas. O desarmamento beneficia os marginais, pois ficou provado, antes, que quem entregou armas não foram os fora da lei, mas sim pessoas que as tinham em seus domicílios sem serventia alguma. Corremos o risco de aplicarmos a velha piada, segundo a qual, para evitar o namoro indecoroso da filha no sofá da sala, o pai mandou retirar o sofá.
Ora, quem busca encontra, quem quer transgredir alterna meios e, finalmente, quem foi tomado pela loucura vive em um mundo apartado da realidade. Se não fosse um revólver poderia ser uma bomba, faca ou qualquer coisa que pudesse ferir e matar. No Japão, outro tresloucado usou faca para invadir uma escola infantil e matar crianças. E que não se venha com a catilinária de que isso é fruto de “mundo em que o que importa é o ter e não o ser”. No Brasil, além das mortes violentas, aumenta o endividamento das classes sociais emergentes, que não resistem aos apelos para adquirir o que não tinham, aproveitam os empréstimos subsidiados em consignação e saem por aí em busca dos sonhos de consumo, algo muito humano. Foi muito triste o que aconteceu, mas a demência do psicopata não impediu que ele observasse, entrasse na escola antes, pedisse papéis que são requeridos amiúde e, finalmente, atirasse nos inocentes. Na Idade Média havia manicômios e não existiam automóveis nem geladeiras, televisores ou micro-ondas, ora! A rejeição de si próprio, no caso de Realengo, mais a ausência de autoestima fizeram com que o assassino se tornasse algoz. Os que não se aceitam são invejosos, imitadores, competitivos e, muito mais, destruidores.
Se for para proibir armamento, primeiro vamos fiscalizar as fronteiras do Brasil, por onde entram drogas, armas e produtos falsificados que são vendidos nas ruas das principais cidades do País. Se for para coibir causas e não consequências, por que continuamos a fabricar motos se morrem centenas de motociclistas por ano? E o trânsito, onde caminhões, automóveis e ônibus deixaram um saldo macabro de 38.273 mil mortos no País em 2010? Alguém pensou em proibir as fábricas de continuarem produzindo veículos? O que houve na escola de Realengo foi terrível, um choque para a Nação, que se julgava livre desse tipo de crime da mesma forma que não nos atingem terremotos, furacões e outros cataclismos naturais. Mas vamos criar uma estrutura mais igualitária na sociedade, com educação, saúde e segurança pública. Esse é o caminho, o resto é oportunismo político que não nos libertará do atraso, do déficit escolar, das doenças mentais e da insegurança.
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