Home História Da Nicarágua VoltarHistória da Nicarágua
Nicarágua, povoada desde há pelo menos 10.000 anos, recebeu migrações de indígenas de México que se dirigiram para a zona do Pacífico. Cristóvão Colombo, em sua segunda viagem, tomou contato pela primeira vez com a costa do Caribe, ainda que o primeiro explorador que percorreu o país foi Gil González de Ávila e Francisco Hernández de Córdoba, quem fundou em 1524 as cidades de León e Granada.
1821-1857 DA INDEPENDÊNCIA À INVASÃO FILIBUSTERA
No momento da independência, Nicarágua fez parte das Províncias Unidas de Centroamérica até 1838. O século XIX esteve marcado por uma sucessão de guerras civis, rivalidades e conflitos entre liberais e conservadores. Os liberais tinham seus principais apoios na cidade de León, enquanto os conservadores recebiam respaldo de Granada.
Em meados do século XIX, depois de descobrir-se ouro em California, Nicarágua se converteu em alvo das ambições das grandes potências, pois viajando através de seu território se podia ir da Costa do Atlântico à do Pacífico dos Estados Unidos, a fim de atingir California e evitar assim atravessar o perigoso oeste norte-americano.
As rivalidades entre conservadores e liberais propiciaram que em 1855 um aventureiro chamado William Walker fora chamado pelos liberais de Leão para participar em sua guerra contra os conservadores. Walker chegou a Nicarágua com 56 mercenários e ao pouco tempo se tinha apoderado do país e se tinha feito nomear presidente. Os países da América Central reagiram e em 1857 *Walker foi derrotado por uma coligação dirigida por Guatemala e Costa Rica.
1860-1909 CONSERVADORES E A LIBERAIS
Depois da devastadora guerra civil, os conservadores conseguiram tomar o controle do país e monopolizaram o poder até a última década do século. As reformas liberais chegaram da mão de José Santos Zelaya quem se converteu no novo homem forte ao derrubar ao regime conservador. Em 1893, sancionou-se uma nova Constituição, onde se plasmou o programa liberal. Ademais reincorporou a Nicarágua a zona do Caribe, modernizou as estruturas políticas e sociais do país, ampliou e estendeu as comunicações.
1909-1936 O PERÍODO DA INSTABILIDADE
Depois da queda de Santos Zelaya em 1909, os conflitos se reativaram, o que permitiu a intervenção de Estados Unidos no país. A guerra entre conservadores e liberais se fechou em falso quando a assinatura da paz entre ambos bandos não foi aceitada por um dos dirigentes liberais, Augusto César Sandino, quem iniciou uma guerra de guerrilhas contra a ocupação estadounidense até 1933, ano que cedeu deixar as armas.
Anastasio Somoza García, chefe da Guarda Nacional, dirigiu em 1934 um complô que terminou no assassinato de Sandino e em 1936 derrocou ao presidente Sacasa para proclamar-se presidente depois das eleições celebradas em 1937.
1936-1978 A DINASTIA SOMOZA
Começou então um longo período na história de Nicarágua no qual a família Somoza se converteu na dinastia que dirigiu de maneira autoritária o país. Somoza morreu assassinado em 1956, mas sua família continuou com o regime.
O filho de Anastasio Somoza García, Luis Somoza Debayle, fez-se cargo do poder obrigado ao controle que o somocismo tinha sobre a Guarda Nacional, único corpo armado do país. À morte de Luis Somoza em 1967, sucedeu-lhe seu irmão Anastasio Somoza Debayle. "Tachito", como era popularmente conhecido, governou o país até que foi derrocado em 1979 pela revolução sandinista. Os escândalos devido à corrupção e a inoperância do Estado durante o terremoto de 1972 terminaram por deslegitimar ao regime.
Em 1962, Carlos Fonseca, Tomás Borge e Silvio Mayorga tinham fundado a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), uma guerrilha que aspirava a acabar com a ditadura e que em 1979, lançou a ofensiva final que terminou com a queda do regime.
1979-1990 A REVOLUÇÃO SANDINISTA
Então uma junta de cinco membros governou o país e Daniel Ortega, um dos comandantes sandinistas, foi nomeado coordenador. Anulou-se a constituição somocista e se iniciou a obra de reconstrução do país: alfabetização, nacionalização das terras e propriedades da família Somoza e de suas mais importantes colaboradores.
Uma parte da Guarda Nacional, "os contras", refugiou-se em Honduras e Costa Rica desde onde iniciou uma guerra de guerrilhas contra o regime sandinista. Iniciando um longo conflito apoiado pelos Estados Unidos no marco da Guerra Fria que nesses anos definia as relações internacionais.
Em 1984, os sandinistas venceram numas eleições e Daniel Ortega foi eleito presidente. A intervenção de outros países, no marco de uns acordos de paz globais para a região se traduziu na celebração de novas eleições em 1990 que, por surpresa, foram ganhadas por uma coligação de direita, a UM (União Nacional Opositora).
1990-2005 ANOS RECENTES
A raiz das eleições de abril de 1990, foi eleita presidenta dona Violeta Bairros de Chamorro, viúva de Pedro Joaquín Chamorro, jornalista e político conservador assassinado em 1978 pelo somocismo. A vitória da UM trouxe a pacificação do país quando os "contras" deixaram as armas. Ademais, pôs-se em marcha um duro plano de ajuste econômico que conseguiu conter a inflação.
Em 1996 umas novas eleições deram a vitória a Arnoldo Alemán, do de direita "Partido Liberal Constitucional ficando os sandinistas em segundo lugar. Em 1998, o furacão Mitch afetou a Honduras e a Nicarágua, ocasionando grande número de vítimas e perdas materiais. Nas eleições de 5 de novembro 2001, foi eleito presidente Enrique Bolaños, também do PLC e vice-presidente durante o governo de Alemán.
Fonte: www.ciberamerica.org
HIstória da Nicarágua
DADOS HISTÓRICOS
Os restos arqueológicos encontrados em Manágua, há 10.000 anos, registram os primeiros moradores de Acahualinca. Acredita-se que no século X a. C. emigraram do México tribos indígenas que se assentaram nas planícies do Pacífico. Em diversos lugares está presente o legado da civilização asteca que chegou em torno do século XV ao território.
Os primeiros europeos chegaram no século XVI. A Espanha colonizou a região e os indígenas foram convertidos ao Cristianismo. As cidades de Granada e León foram fundadas por Francisco Hernández de Córdoba. As civilizações indígenas foram substituídas pelas civilizações européias. León e Granada floreceram, León converteu-se em um centro de intelectuais e de ideologia liberal, enquanto que Granada em um processo mais conservador. Isto provocou o confronto entre ambas idéias.
A Independência
Nicarágua conseguiu a independência da Espanha em 1821. Pertencendo primeiramente ao México e depois a Federação da América Central. Em 1838 tornou-se independente totalmente. Com a saída dos espanhóis, os britânicos e os norte -americanos mostraram interesse no país e sua passo estratégica foi desde o lago da Nicarágua até o Pacífico, onde pretendiam estabelecer um canal de comunicação entre o Pacífico e o Atlântico. Grã-Bretanha garante sua presença na zona caribenha e no norte-americano William Walker, com pretexto de mediar os conflitos existentes entre conservadores e liberais apodera-se da nação, nomea-se presidente e cria um estado escravagista apoiado pelo sul dos Estados Unidos. Entretanto, nenhuma das facções surgidas dentro e fora do país favoreceram seus fins, levando seu próposito ao fracasso.
O país sofria convulsões internas, porém o triunfo do norte dos EE. UU. extendia-se pelo mundo, acima de todo americano, e sua presença econômica e política deixava-se ver a cada passo. No início do século XX, os norte-americanos, impuseram Estrada como presidente. No entanto, os nicaraguenses preferiam a Mena. Enquanto as tropas estrangeiras permaneciam no país, Chamorro assinou o pacto que dava direito aos EE. UU. a construir o canal. Isto incentivou os conflitos nacionais.
O Sandinismo
Nas montanhas, César Sandino dirigiu um amplo movimento guerrilheiro não conseguindo acabar nem com as forças norte-americanas, nem com as da Guarda Nacional. O sandinismo nao destituiu as armas até 1933, em seguimento a repartição dos norte-americanos e, mesmo assim Sandino foi assasinado. Antes de ir embora os norte-americanos tinham impresso o seu brasão e estilo na pele de Anastásio Somoza, que se fêz nomear presidente em 1937, instaurando uma política ditatorial e de benefício pessoal, que durou até o seu assasinato em 1954. A família deu continuidade ao seu estilo.
A Frente Sandinista de Liberação Nacional, que recebia apoio de quase todo o país, desencadeou em 1979 uma ofensiva militar contra Somoza Dabayle, fazendo-o correr para USA. Em 1984 o sandinismo chegou as eleições conseguindo a maioria dos votos. No país continuava presente a ameaça de invasão das tropas norte-americanas ou de forças armadas centro-americanas munidas ou instruidas por eles.
Na década de 80, USA impõe uma retensão econômica ao país e instiga outros países a fazerem a mesma coisa. USA alimenta o contra, amparada pela CIA. Muitos países promoveram planos de paz em Nicarágua, entre eles o presidente de Costa Rica, Oscar Arias Sánchez, que conseguiu assinar um em 1988, entre El Salvador, Nicarágua, Guatemala e Honduras. As pressões econômicas e de guerra que vivia a Nicarágua tinham deixado a sua marca.
Nas eleições de 1990 a viúva de Chamorro, Violeta, ganhou com a coalizão UNO, União Nacional Opositora. A sua política tentou tirar o país da crise econômica e política, porém nas últimas eleições o contra voltou com o pesadelo de um regime de direita conservadora e ditatorial.
Fonte: www.rumbo.com.br
HIstória da Nicarágua
Primeiros povoamentos e colonização
Os primeiros povoamentos na Nicarágua apareceram há milhares de anos, embora tenham deixado poucos vestígios de sua civilização. Os espanhóis chegaram à costa nicaraguense através de Cristóvão Colombo, que chegou à foz do rio San Juan em 16 de setembro de 1502. A primeira expedição espanhola, liderada por Gil González Dávila, chegou somente em 1522, depois da conquista do atual México. A expedição chegou a atravessar o lago Nicarágua, mas foi expulsa pelos nativos. A primeira colonização espanhola foi levada a cabo por Francisco Hernándes de Córdoba (preposto de Pedrarias Dávila, governador do Panamá), que fundou as cidades de Granada, no lago Nicarágua, e León, no lago Manágua, em 1524. Pedrarias foi nomeado governador da Nicarágua em 1527. Em seguida, a colônia passou sucessivamente da jurisdição da audiência de Panamá à de Los Confines, Honduras e, em 1570, à da Guatemala. Após um breve ciclo de extração de ouro, a economia progrediu lentamente.
Durante o período colonial foi desenvolvida uma intensa rivalidade entre as cidades coloniais de León, sede administrativa e centro intelectual e liberal, e Granada, centro agrícola da aristocracia conservadora, enriquecida pelo comércio com a Espanha, feito pelo rio San Juan. Entre os séculos XVI e XVII, ambas as cidades coloniais foram vítimas de ataques de piratas. No fim do século XVIII, a Grã-Bretanha exercia um virtual protetorado sobre índios e zambos do litoral do Caribe, onde se criara a comunidade de Bluefields. Apesar dos ataques e de alguns terremotos devastadores, a colônia prosperou nesse período. As duas cidades continuaram as hostilidades até a data em que o país se tornou membro das Províncias Unidas da América Central. Parte administrativa do vice-reinado da Nova Espanha e da capitania-geral de Guatemala, a região cresceu lentamente. Dependia da agricultura, que se desenvolveu substancialmente no século XVIII. Em 1786, as províncias da Nicarágua, da Costa Rica e a alcaidaria-mor de Nicoya foram reunidas para constituir a intendência da Nicarágua.
O movimento de independência teve início no princípio do século XIX, levando a Nicarágua a declarar a independência da Espanha em 1821.
Vida independente da Espanha
Por influência dos movimentos revolucionários do México e de El Salvador, em 1811 ocorreu em León e estendeu-se a Granada uma revolta, dominada sem muita violência. Em 1821, a capitania geral da Guatemala proclamou-se independente. Granada manteve-se integrada ao novo país, mas León declarou sua independência. O império mexicano de Agustín de Iturbide anexou o território por um breve tempo e quando houve um colapso do domínio mexicano a Nicarágua passou, a partir de 1823, a fazer parte da Federação das Províncias Unidas da América Central (com a Guatemala, Honduras, El Salvador e Costa Rica). Granada, porém, insurgira-se antes da abdicação de Agustín de Iturbide (1823) e proclara a república.
Em 1826, mediante uma primeira Constituição, toda a Nicarágua integrou-se às Províncias Unidas da América Central. A luta entre liberais e conservadores tornou-se a característica mais marcante da vida política nicaragüense. Os liberais, que lutavam para criar uma nação independente, em 1838 proclamaram a república, abandonando a federação, embora o conflito civil tenha continuado. Em 12 de novembro desse ano, no governo de José Núñez, promulgou-se nova constituição que definia a Nicarágua como um estado soberano e independente.
Ocupações britânica e de William Walker
Cornelius Vanderbilt.Na intenção de abrir, entre o lago Nicarágua e o Pacífico, um canal que desse acesso ao Atlântico pelo San Juan, em 1848 os britânicos voltaram a ocupar San Juan del Norte, conhecida como costa dos Mosquitos, nome de uma tribo de índios americanos. Os Estados Unidos tinham igual interesse e, poucos anos depois, Cornelius Vanderbilt implantou na Nicarágua um sistema de barcos e veículos terrestres que permitia passar de um oceano a outro. Em 1850, os dois países comprometeram-se a respeitar a independência da área e a neutralidade do canal, se fosse construído, o que não ocorreu.
As lutas entre os liberais de León e os conservadores de Granada permitiram que, em 1855, um aventureiro norte-americano, William Walker, assumisse o controle do país e se proclamou presidente (1856-1857). Foi, porém, deposto em 1857 pelo esforço conjunto dos países limítrofes, de Vanderbilt e dos liberais, que o haviam contratado para tomar Granada. Sua expulsão contribuiu para a união do país, que estabeleceu relações de paz com a Grã-Bretanha e reconheceu o reino de Mosquito.
Lutas pelo poder
No século que se seguiu, a política da Nicarágua foi dominada por lutas pelo poder entre os liberais de León e os conservadores de Granada. Por esse motivo, num compromisso assinado em 1857, a capital passou a ser Manágua, aliviando os conflitos entre León e Granada. O Reino Unido devolveu a costa oriental, que se tornou reserva indígena autônoma; iniciou-se o cultivo do café; e construiu-se a ferrovia Granada-Corinto.
A Nicarágua tem tido governos constitucionais e outros em regime de exceção. Os conservadores governaram durante a segunda metade do século XIX mas em 1893 os liberais ganharam a presidência e iniciaram uma perseguição ao executivo anterior.
Ditadura Zelaya e intervenções dos Estados Unidos
O século XX encontrou o país sob o vigoroso controle do liberal José Santos Zelaya, que governou de forma ditatorial entre 1893 e 1909 e estendeu a autoridade nicaragüense sobre a reserva do reino de Mosquito.
A insolvência financeira da Nicarágua e a apreensão por parte dos EUA quanto a seus assuntos financeiros com a Grã-Bretanha, motivaram a intervenção dos Estados Unidos, que apoiaram a revolução que o derrubou Zelaya, em 1907, e não reconheceram seu sucessor, José Madriz. Os americanos passaram a controlar a alfândega, o banco central e as ferrovias do país. Adolfo Díaz foi eleito presidente.
Emiliano Chamorro num selo da Nicarágua.A humilhação nacional levou à revolução de 1912. Após essa revolta de contra seu governo, Díaz pediu ajuda militar aos norte-americanos, que ocuparam o país. Para apoiar o novo governo, foram enviados alguns marines para o território. Seus sucessores, Emiliano Chamorro (1917-1921) e Diego Manuel Chamorro (1921-1923), também receberam apoio americano. Em 1925 o destacamento militar retirou-se e a luta entre liberais e conservadores deu origem a uma guerra civil. Os marines foram enviados novamente para o país com o objetivo de pôr fim ao conflito, o que aconteceu em 1927.
Uma nova intervenção ocorreu em 1926, quando Adolfo Díaz, em seu segundo período presidencial (1926-1928), pediu novamente a ajuda dos fuzileiros navais americanos. Os líderes liberais José María Moncada, Juan Bautista Sacasa e César Augusto Sandino lançaram-se à guerrilha mas os primeiros recuaram ante a promessa americana de garantir eleições livres. Somente Sandino manteve a luta contra a ocupação.
Ditadura Somoza
Em 1928 e 1932, os EUA supervisionaram as eleições que elegeram dois presidentes liberais: Moncada (1928-1933) e Sacasa (1933-1936). As tropas norte-americanas abandonaram o país em 1933, depois de terem treinado a Guarda Nacional Nicaraguana, criada pelos americanos na gestão de Díaz com o objetivo de manter a ordem interna. Com a retirada dos fuzileiros, Sandino depôs as armas e reconciliou-se com Sacasa. No ano seguinte, o comandante da Guarda Nacional, o general Anastasio (Tacho) Somoza García, sobrinho de Sacasa, instigou o assassinato do líder rebelde liberal, Augusto César Sandino.
Em 1936, Anastasio Somoza ganhou as eleições presidenciais e, durante vinte anos, governou o país, diretamente ou por interpostas pessoas, com pulso de ferro até ser assassinado em 1956. Foi sucedido pelo filho, Luís Somoza Debayle (1957-1963). René Schick Gutiérrez (1963-1966), morto no exercício da presidência, foi sucedido por Lorenzo Guerrero Gutiérrez (1966-1967), a que se seguiu Anastasio (Tachito) Somoza Debayle (1967-1972, 1974-1979), irmão mais novo de Luís e o último membro da família Somoza a assumir a presidência.
As aparências democráticas desapareceram em 1971, quando Somoza revogou a constituição e dissolveu a assembléia nacional. Aproveitando-se do terremoto que, em 1972, arrasou Manágua, Somoza obteve do Congresso poderes ilimitados.
Surgimento da Frente Sandinista de Libertação Nacional
Durante quarenta anos a família Somoza manteve-se à frente de um regime ditatorial, sustentando os próprios interesses comerciais e aumentando a fortuna pessoal. Violentos protestos irromperam contra Somoza. Os oponentes pertenciam à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), uma organização de guerrilha fundada em 1962 por Carlos Fonseca Amador e cujo nome homenageia Augusto Sandino, guerrilheiro executado em 1934. O grupo sandinista ganhou apoio crescente dos camponeses sem terra e engajou-se em numerosos embates com a Guarda Nacional (1976-1979).
Em janeiro de 1978, o líder oposicionista Pedro Joaquín Chamorro, diretor do mais importante jornal do país, La Prensa, foi assassinado. O presidente foi acusado de cumplicidade e o o conflito tomou proporções de guerra civil. Em 22 de agosto de 1978, sandinistas chefiados por Edén Pastora, o Comandante Zero, tomaram o Palácio Nacional, em Manágua, e mais de mil reféns. Somoza teve que atender às exigências dos guerrilheiros e, em 17 de julho de 1979, os rebeldes o forçam a renunciar. Asilou-se nos Estados Unidos e depois no Paraguai, onde foi assassinado em 1980. A guerra civil custou mais de trinta mil vidas e destroçou a economia do país. Assumiu o poder a Junta de Reconstrução Nacional provisória.
Governo Sandinista e conflitos com os "Contras"
A Junta de Reconstrução Nacional revogou a Constituição, dissolveu o Congresso e substituiu a Guarda Nacional pelo Exército Popular Sandinista. Até que se elaborasse nova Carta, promulgou-se um Estatuto de Direitos e Garantias. Nacionalizou-se a indústria em grande parte e introduziu-se um sistema de planificação central. Os sandinistas expropriaram as terras de grandes latifundiários, que foram distribuídas entre os camponeses. Os Estados Unidos se opuseram a sua política esquerdista e começaram a apoiar um movimento guerrilheiro anti-sandinista, os "Contras". Enquanto os moderados protestavam contra o adiamento das eleições e passavam à oposição os "contras", cerca de dois mil antigos membros da Guarda Nacional, baseados em Honduras, desencadearam ataques guerrilheiros à Nicarágua. A eles aderiram os mosquitos, contrários às medidas para sua integração.
A década de 1980 foi marcada por conflitos armados entre o governo sandinista e os Contras. O resultado foi uma maior radicalização do regime. Minas e florestas foram nacionalizadas e as relações com os EUA se deterioraram. Em 1981, os EUA interromperam a ajuda econômica e o governo sandinista foi acusado de receber apoio de Cuba e da União Soviética. Teve início uma nova guerra civil entre o governo sandinista e os Contras. A administração Reagan tentou conseguir apoio do Congresso para ajudar as forças exiladas dos Contras em Honduras e Miami, mas foi seriamente prejudicada pela divulgação, em 1986-1987, de desvio de dinheiro para os Contras exilados a partir da venda de armas norte-americanas para o Irã (Escandalo Irã-contras).
Daniel Ortega Saavedra.Em novembro de 1984 realizaram-se eleições presidenciais e para uma assembléia constituinte, com o boicote de boa parte da oposição. Eleito com mais de sessenta por cento dos votos, o líder da FSLN Daniel Ortega Saavedra assumiu a presidência em janeiro de 1985. A FSLN também obteve a maioria das cadeiras da Assembléia Constituinte. Os EUA decretaram embargo total à Nicarágua. Em janeiro de 1987, promulgou-se a nova Constituição. Segundo a constituição de 1987, a Nicarágua é uma república presidencialista unicameral, com uma assembléia nacional de 92 membros eleitos por voto direto para mandatos de seis anos. A Carta, que também consagra os princípios de pluralismo político e economia mista, também reconhece os direitos socioeconômicos da população. Administrativamente, o país se divide em 16 departamentos. Prosseguiam, contudo, a luta dos "contras" e os atritos com os Estados Unidos, que os esforços do chamado Grupo de Contadora (México, Venezuela, Panamá e Colômbia) não conseguiram extinguir. Em 1987 e 1988 firmaram-se em Esquipulas, na Guatemala, acordos para o desenvolvimento de um plano destinado a desarmar e repatriar os "contras" baseados em Honduras. Em 1988, governo e "contras" iniciaram negociações para um cessar-fogo. Quando o presidente Bush assumiu o cargo, em 1989, o financiamento militar direto aos Contras foi suspenso, o que levou ao desarmamento dos rebeldes.
Derrota eleitoral dos Sandinistas
Em 1988, depois de libertar quase dois mil ex-membros da Guarda Nacional, Ortega assinou uma lei de reforma eleitoral que incluía a realização de eleições amplas e livres em 1990, e uma nova lei de imprensa que garantia maior participação dos oposicionistas nos meios de comunicação. Para supervisionar as eleições, criou-se o Supremo Conselho Eleitoral, com três membros sandinistas e dois da oposição. Em 1989 foi constituído o Supremo Conselho Eleitoral para preparação das eleições de 1990.
Nas eleições presidenciais realizadas em 1990, sob o controle da comunidade internacional, os grupos de oposição receberam um generoso financiamento norte-americano. Os sandinistas perderam para um grupo de coalizão anti-sandinista liderado por Violeta Barrios de Chamorro, da União Nacional Opositora (UNO), viúva do líder assassinado em 1978. A transição do poder foi pacífica e seguiram-se acordos de desarmamento e cessar-fogo, apesar da relutância de algumas facções.
Ao assumir, Violeta Chamorro manteve Humberto Ortega no comando militar. Os contras depuseram as armas, mas voltaram a se armar no ano seguinte. Apesar de ter conseguido um empréstimo de U$ 300 milhões dos EUA, Chamorro não conteve uma grave recessão econômica, com o PIB caindo 5,5% e cerca de 1,5 milhão de desempregados. Seguiram-se vários protestos contra o aumento da inflação, do desemprego e da crise econômica generalizada. Graças a ajudas internacionais, a situação foi melhorando e, a partir de 1990, a presidente Chamorro passou a governar a Nicarágua de uma forma conciliadora. Conseguiu uma estreita vitória contra a pressão direitista para a devolução das terras confiscadas pelos sandinistas aos seus donos originais. Em 1992, houve violentos combates entre os Contras equipados e os "recompas" sandinistas.
Nas eleições presidenciais de 1996, Arnoldo Alemán saiu vencedor. As eleições de 1996 e de 2001 continuaram na mesma linha, sempre derrotando os sandinistas.
Fonte: www.brasileirosnoexterior.com
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