segunda-feira, 27 de setembro de 2010

5362 - HISTÓRIA DA GUATEMALA

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A Guatemala é o berço da civilização maia, cujo centro era a região de Petén, o que justifica as características únicas da cultura guatemalteca no quadro da cultura centro-americana. De 2500 a. C. até ao século X d. C., os Maias viveram uma era florescente, entrando depois em declínio até serem subjugados pelo conquistador espanhol Pedro de Alvarado, em 1523. O período de domínio espanhol, marcado pelo fraco desenvolvimento comercial, durou até 1821, ano da declaração da independência das colónias centro-americanas feita na Cidade da Guatemala, sendo a Guatemala, no entanto, anexada pelo Império mexicano até 1823, passando depois a fazer parte das Províncias Unidas da América Central até 1839. Em 1871 teve início uma revolução que culminou com a subida ao Poder de Justo Rufino Barrios em 1873, que iniciou um programa de desenvolvimento económico baseado no investimento em grandes propriedades produtoras de café. A Barrios sucederam-se duas ditaduras: a de Manuel Estrada Cabrera (1898-1920) e a de Jorge Ubico (1931-44), caracterizadas pelo despotismo político interno e pelo favorecimento dado aos investidores norte-americanos.

Em 1945, uma coligação democrático-liberal, liderada por Juan José Arévalo, instituiu um quadro de reformas políticas e sociais que favoreciam os trabalhadores urbanos e os camponeses, retirando poderes aos grandes latifundiários e aos militares. Esta política, seguida pelo sucessor de Arévalo, Jacobo Arbenz Guzmán (1951-54), levaria ao seu derrube na sequência de uma invasão apoiada pelos norte-americanos, que conduziu ao Poder o coronel Carlos Castillo Armas, assassinado em 1957. Ydígoras Fuentes foi declarado pelo Congresso como presidente a 2 de Março de 1958, sendo no entanto derrubado pelo seu ministro da Defesa, o general Enrique Peralta Azurdia, em Março de 1963. Três anos mais tarde, o líder do Partido Revolucionário, Júlio César Méndez Montenegro, foi eleito presidente, mas nunca conseguiu impor as suas políticas por acção dos militares, que controlavam por completo os corredores do Poder.

Arana Osório, que sucedeu a Montenegro nas eleições de 1970, impôs uma política de extinção de todos os opositores, quer de partidos políticos, quer das guerrilhas rural e urbana. A descoberta de reservas petrolíferas nos finais da década de 70, no Norte da Guatemala, criou uma crise entre este país e o Belize (na altura chamado Honduras Britânicas), pois acreditava-se que as reservas se estendiam para aquele território. No entanto, em Setembro de 1981, a Inglaterra deu a independência ao Belize sob os protestos da Guatemala, que só abdicaria das suas pretensões sobre o Belize em Setembro de 1991. Esta descoberta serviu também de pretexto para o Governo guatemalteco iniciar um movimento repressivo sobre os índios no Norte do território, provocando, não só o êxodo para o México, como uma adesão às guerrilhas sem precedentes.
Até 1985, todas as eleições foram monopolizadas de modo a manter os militares no Poder. E em Dezembro desse ano, na sequência da aprovação em Março de uma nova Constituição (de cariz mais humanista), foi eleito o primeiro presidente civil dos últimos 15 anos - Marco Cerezo. Contudo, em vez de apaziguar o país, Cerezo promoveu o ressurgimento dos esquadrões da morte (muito activos durante as presidências militares), o que provocou a formação, por parte das várias guerrilhas, da União Revolucionária Nacional Guatemalteca (URNG). Marco Cerezo teve, também, de enfrentar várias tentativas de golpe de Estado levadas a cabo pelos militares, para além da crescente insatisfação popular.

Historia do Guatemala. Encarta
Nas eleições de 1991 foi eleito presidente Jorge Serrano Elías, que cedo estabeleceu diálogo com a URNG de modo a pôr termo à situação de guerra vivida no país. Esta iniciativa, no entanto, causou reacções violentas por parte da ala direita através de acções perpetradas pelos esquadrões da morte.

Apesar da assinatura dos acordos de paz entre o Governo e a URNG em 1993, a instabilidade política e social continuou a marcar o quotidiano da Guatemala, tornando impotentes os esforços do presidente Ramiro de León Carpio (eleito em 1994) no estabelecimento de uma democracia sólida no país. Exemplo disso é o espancamento de uma cidadã norte-americana acusada de tráfico infantil, que foi levado a cabo por milícias populares em Março de 1994. Este episódio, que acarretou enormes prejuízos económicos ao provocar o cancelamento de visitas turísticas, surgiu na altura em que cada vez mais os militares tentavam imiscuir-se na política guatemalteca, originando, portanto, especulações sobre um possível envolvimento militar naquela acção popular.



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