sábado, 14 de maio de 2011

10545 - RAÍNHA VITÓRIA

oescunchador
A pagina da Rifenha de Vimianço
Início As espigas Espigas de colores Mar e Terra. Relato inacabado Sobre 10

Set

tempo de dálias
Publicado por lolacanosa em Cousas minhas, Plantas. Deixe um Comentário

dália, uma planta da família das asteráceas, é originária do México. Já nos tempos do império asteca, se cultivavam dálias nessas terras, onde era chamada ‘xicaxochitl’


Por volta do final do século XVIII, o diretor do Jardim Botánico de Madrí, o senhor Antonio José Cavanilles, cultivou as primeiras plantas, às quais chamou “dahlias” em honor ao botánico sueco Anders Dahl. Assim seguem a se chamar agora em todo o mundo, agás nalguns paises da Europa do Leste, onde é chamada georgina.

Mui pronto, a dália se introduciu nos jardins, sobre todo em Bélgica e Dinamarca e nas cortes europeias daqueles tempos: A emperatriz Josefina, de França, e a raínha Vitória, de Inglaterra, foram mui afeiçoadas ao seu cultivo nos seus jardins palaciegos.

Com o tempo, viu-se que a dália era uma planta de fácil hibridação com outras plantas, como os crisantemos, e que, ademais, ela mesma podia variar com facilidade. Assim, hoje em dia, conhecem-se 30 espécies de dálias e 20.000 variedades.

Plantam-se a partir dum tubérculo que medra subterráneo e que almazena as reservas de alimento. A plantação faz-se na primavera-março-maio- e a floração, na Galiza, sucede no verão ou mesmo ao começar o outono-julho-setembro-.

Há que as plantar onde dea o sol e a uma distáncia de meio metro uma da outra. A profundidade, mais ou menos o duplo do tamanho da “pataca” ou tubérculo. Estes tubérculos, vão reproduzindo-se e, se se querem obter mais plantas, há que os desenterrar e dividí-los cum corte limpo dum cutelo bem afiado. Logo planta-se cada um por separado e já temos duas plantas. Se se deixam ficar na terra, sem as desenterrar em todo o ano, cada vez imos ter mais plantas, ao irem-se reproducindo as raizes carnosas embaixo da terra. Seica os astecas comiam suas raizes como alimento, mas em Europa não chegou a calhar essa maneira de as aproveitar. Simplesmente, são umas resistentes e formosas amigas do nosso jardim.



Tubérculos ou raizes carnosas de dália

7

Set

A crise? O trabalho, a risa que fazem de nós.
Publicado por lolacanosa em Mundo, sociedade. Deixe um Comentário

Desde os meios de comunicação pregoam uma crise, que, em realidade tem mais pinta de ser uma manobra para recortar o gasto social dos paisses europeus tornar em escravos aos que erão trabalhadores, ou, polo menos, esse era o seu nome e a condição que eles acreditavam em ter, e seguir adiante com essa linha de capitalismo neo-liberal que se basea em aquela senténcia de Hobbes de “O homem é um lobo para o homem” que, mais tarde, os pais fundadores do capitalismo se ocupariam de dessenvolver até hoje, que estamos a acadar as últimas consequências.

Dentro deste contexto de pseudo-crise, -os bancos seguem a ganhar dinheiro e o Estado a recadar tributos que, mais tarde, destina a reforçar a situação da banca- que nos queda a nós, gente comum, sem espaço nos grandes centros de decisão que regem uma economia cada vez mais Global e mais corporativa, que marca as linhas da política das grandes nações e dos pequenos Estados.

Que reparte o planeta segundo os seus interesses e que mantem ao cidadãos na condição de súbditos ou escravos.

Pois…Pouco ou muito podemos fazer, segundo como se mire.

Polo de pronto, somos muitos e somos quem mantemos os mercados com nossas compras. Um jeito consciente de comprar,seria a primeira base para mudar o mundo.

Em segundo lugar, somos trabalhadores. Nós tamém temos interesses corporativistas, como classe operária. Façamos valer o nosso trabalho.

Nos últimos anos, a tendencia geral era o mandar aos filhos à Universidade, estudar para se fazerem com titulações específicas e especializadas, que depois não podiam exercer, agás no ensino.

Os antiguos oficios perderam importáncia. Já ninguém quería que o se filho for canteiro, ou ferreiro.

O melhor dos ofícios é que sabes fazer cousas com as tuas mãos, e que não precisas de nemum chefe para poder trabalhar. Simplesmente,fazes um trabalho para alguem que o precise, e entre vós, não há falta e mediadores, comerciantes, nem chefes-rata que só pensam em eles e deixam aos operários sem os mais mínimos direitos com o pessoa, cidadão e trabalhador.

Tenho dous filhos com ofício: Um fiz estudos de talha em pedra e madeira e completou sua formação com experiéncia, trabalhando em todas as variantes da cantería, restauração, esculturas que faz nos tempos mortos, entre trabalho e trabalho, e talha de madeira.

Outro filho fiz estudos de joiería. Ele faz joias formosas com prata, ouro, pedras e pérolas, cuiro…experimentando no seu obradoiro, onde trabalha sobre encargos… É difícil agora, quando ainda não os conhecem, mas acredito em que, com tempo, as cousas vão melhorar. Tem de fazer um bom trabalho. São os únicos responsáveis diante do que lhes paga.







Embaixo da casa, tenho um cachinho da terra de meus avós, onde ponho de todo para o ano: Cebolas, alhos, pementos, feijões, repolo, verças, nabiças…






Sabendo fazer cousas com as tuas mãos e tendo um anaquinho de terra, podes-te sentir libre, independente e mais seguro, nos tempos difíciles.

O mesmo deveria reger para os paises. Deveriam de ser auto-suficientes e produzir todo o que precisem para a sua subsisténcia.

Os mono-cultivos impostos polas corporações alimentárias ou as extrações mineiras que esnaquiçam a terra sem deixar mais que escravidão e guerras, não deveriam de ser permitidas. Meio mundo morre à fame por culpa de não terem alimentos. E não tem alimentos, porque plantam bananas, ou cacáu, ou extraem uránio , ou diamantes, para as grandes corporações europeias e dos EE.UU., na sua maior parte. Ao frente das nações, há governantes corruptos postos e mantidos por essas mesmas corporações que os armam e os patrocinam e, no entanto, a gente a morrer de miséria.

Que cada quem cuide sua terra e seu horto. Que plante o que precise para comer. Que trabalhe com independéncia, ofício e dignidade.

E deixemo-nos de cantos de sereias que só nos levam ao fundo do mar, com os tubarões famentos que nos rodeiam…

Por uma vida mais auto-suficiente e mais digna para todos os seres humanos.







8

Jul

A seleção espanhola de futebol
Publicado por lolacanosa em Cousas minhas, Galiza, Mundo, sociedade. 2 Comentário


stes dias andamos na casa pendentes dos partidos de futebol do mundial.

Já no mundial anterior vos comentei que gostava muito de ver jogar as selecções dos diferentes países e comparar estilos, jeitos de estar no campo, de desenvolver o jogo… Mas há uma diferença deste mundial ao outro. No anterior eu vivia no Rif, litoral mediterráneo de Marrocos, longe da casa e das minhas coordenadas de origem. Viver distante e fora da área de influência das tuas origens, às vezes é mui triste mas, outras vezes, da uma sensação de liberdade e leveza que te permite voar a onde queiras, sem ter roteiro nem destino marcado. És, simplesmente, uma exploradora. Uma viageira que vai à ventura. Podes tomar o que mais gostes da tua cultura e outras cousas da cultura na que vives, mudar, combinar,jogar com as mesturas…Um prazer.

Lembro aquele mundial como algo mui divertido. O meu homem levava um cartão de canal+ a piratear quando mudavam o código e eu via os partidos pola “parabólica” que tinhamos no terraço desde as tv suíça, francesa,italiana…A que quadrasse. Linda e intensa vida, a que vives sabendo que estás de passo!

Este ano, estou cá, na casa. Na Galiza. A visão do mundo que tenho desde aquí é diferente. É meu país. Suas contradições e seus paradoxos condicionam a minha vida. O sentido de pertença faz que, ante as cousas, a atitude não seja de jogar a viver, com a inocência de quem não é responsável da evolução dessa sociedade, mais que no tempo no que lá está. Cá, na casa, sinto-me responsável além do tempo que estive fora. A responsabilidade vai desde o nascer até a morte. Os laços com a terra de um, implicam peso, gravidade,a outra face da moeda.

Bom. Todos estes pensamentos e reflexões vem-me assim, cavilando no tema do que vos queria falar.

Se vós, os que vindes por esta casa virtual, sondes brasileiros ou portugueses, para vós há de ser algo estranho o que eu diga. Se sondes galegos, havedes de saber do que falo.

Desde que começou o mundial de Sudáfrica, com seleções, partidos e vuvuzelas, tive uma contradição, um paradoxo constante.

Quando uma selecção dum pais joga, todo o pais que gosta do futebol, desfruta e goza sem reparos do jogo da sua equipa.

Ou sofre, que para que uns ganhem outros hão de perder. Assim são os jogos de competição.

Mas, quando joga a seleção espanhola, é uma sensação de não poder desfrutar totalmente, como todos os demais.

Espanha é diferente.

É diferente, porque milhões de catalães, bascos e galegos, não nos sentimos identificados com essa realidade que chamam Espanha, e quisermos ter nossa própria selecção ou ir com a espanhola se nos permitirem decidir e assim o decidira a maioría. Esses milhões de pessoas, não acreditamos em que exista uma nação chamada Espanha da que formamos parte. Existe um Estado chamado Espanha, mas o nosso sentir não se identifica com ele em absoluto.

Os que se sentem espanhois, na sua maior parte, não compreendem nossa atitude e, desde as instituções estatais participa-se na guerra contra Serbia para liberar Kosovo, mas não se deixa que o lehendakari basco faça um referendo para saber a opinião dos cidadãos sobre a sua conformidade com a pertença ou não pertença ao Estado Espanhol. Defendem com todos os médios ao seu alcance- imprensa, tv, radio,manipulação- essa ideia de Espanha que é a de eles, a que mais lhe convem aos seus interesses. Eles tem o exército, o poder, a representatividade ante Europa e o resto do mundo.

Por esse motivo, em muitas casas “espanholas” os partidos da selecção não suscitam comentários sobre o jogo, que tamém, mas, sobre todo, sobre se é mais importante desfrutar do jogo ou boicotear a uma equipa que representa algo hostil

Eu tenho-o claro.

É o mundial do futebol e vou desfrutar do futebol. Logo virá a celebração de Santiago Apóstolo, para uns patrão de Espanha e matador de mouros e para outros, día da reivindicação da Nação galega. Uns numa fachada da catedral de Compostela e outros na outra. E no meio, os peregrinos que vem de todo o mundo a fazer o caminho por razões religiosas, esotéricas, místicas, desportivas…

Em fim. Que é difícil, complicado e peculiar ser galego ou galega e viver na Galiza.

Ainda que tamém apaixonante e sempre surpreendente.



9

Jun

De luzes e sombras. Monoteísmo vs. Politeísmo.
Publicado por lolacanosa em Cousas minhas, Mitos, tradições, contos: O reino de Psique, Mundo, sociedade. 3 Comentário

o longo da vida, umha vai topando com pessoas, situações, fatos e vivências, próprias ou alheias que, quando se chega a umha certa idade e se está tranquila, sem trabalhar, só arrincando as ervas que estorbam no horto ou estendendo a roupa a enxugar, dão para muitos pensamentos e descobertas que fazem que umha não queira volver atrás no tempo, ainda que isso for possível.

Há pessoas, que a miúdo dizem: Quem me dera agora de vinte anos! Quem tivesse quinze ou dez e oito!!!

Se a mim me oferecessem essa possibilidade, consideraria-a umha condena, um castigo, um tormento como o de Sísifo e a sua roda, volver ao pé do monte, para subir de novo a pesada pedra da sua ignorância.

Por que digo isto? Pois porque a minha vida até os vinte anos, transcorreu num colégio católico, baixo umha ditadura e só após muito tempo fui quem de recuperar a minha inocência infantil. A viagem de volta foi um periplo arredor de mim mesma, do océano desconhecido e tenebroso que era o meu interior. Umha viagem ao fundo de mim mesma, que resultou fascinante, mas tamém terrível, dura e cheia de dor.

O outro día, falando com umha amiga minha, umha rapariga muçulmana que conheci nos meus anos de docência no Rif, ela contava-me o processo no que estava inmersa e lembrei tanto a minha própria vivência e a amargura, que me dou para esta reflexão:

Muita da angústia existencial dos seres humanos e, sobre tudo, se são do género feminino, vem pola via da religião. A religião que não é tal, porque não cumpre o seu objectivo de ajudar a se re-ligar com tudo quanto existe e sentir-se umha parte deste universo do que somos parte consciente e viva.

A religião, tal e como está concebida hoje em dia, é apenas um sistema de normas morais, que não éticas, de corte patriarcal,alienante e até sórdido e vergonhento. Faz-nos sentir mal, em contradição com nós mesmos, temerosos e eivados, privados da nossa capacidade para seguir aos nossos instintos, emoções, raciocínio e sentimentos, os quatro eixos nos que se fundamenta o nosso ser. Em troques, exige-nos delegar nos papas e popes que ditam as normas, deixando que pensem, sintam e decidam por nós.

Há gente que fica contenta com essa maneira de fazer as cousas: Eles não pensam , limitam-se a assistir aos templos, presenciar a litûrgia e seguir as normas de portas para fóra, diante dos demais: Ficam tranquilos, sem problemas aparentes e são bem vistos pola maioria dos seus vizinhos.

Mas, negar-se a si mesmo, com o tempo, passa a factura , ao indivíduo e à sociedade na que ele vive.

E excuso falar de escándalos, abusos,intoleráncia, machismo, violéncia, extermínio de seres humanos,por parte dos papas e popes de religiões várias.

E agora chego ao ponto central da minha reflexão: Há dous jeitos de conceber a religião: O monoteismo : Cristianismo, que junto com o islão, procedem do monoteísmo hebreu, nado nas áridas terras do Meio Oriente, nas tribos dos pastores de ovelhas. Religião que afinca as suas raízes na crença dum único deus que, como tal, tem de ser excludente, monolítico e unilateral.

Nas religiões monoteísticas há espaço unicamente para a luz, umha luz cegadora que emana de deus e que não deixa lugar a sombras, pontos escuros, penumbra ou escuridade. O olho de deus, dentro do triângulo, está sempre à espreita,vigiando cada passo, cada ato, cada pensamento. Na cultura islámica, esse olho está representado na comunidade, na umma, a sociedade na que vives, que te protege, mas que vigia implacável o teu comportamento. Para que falar da religião hebrea, que sostem que os seus praticantes são o povo elegido entre todos os demais da humanidade.

Está claro que as religiões monoteísticas, assim concebidas, são inhumanas, porque privam ao ser humano de algo fundamental na sua essência e que tem de se manifestar a travês da sua existência. Privam ao ser humano, como micro-cosmos que é, da sua sombra, escuridade,penumbra. Os ritmos macro-cósmicos de dia e noite, verão e inverno,solpôr e amencer. Assim trata de lhe arrincar da mente a ligação com o útero, essa parte feminina escura e húmida de onde procede, para mimimiçar o papel da mãe, porque deus não pode ser umha mulher. Faltaria mais! As sociedades de pastores são patriarcais ao cento por cem.

Mas… Umha pessoa não pode viver sem a sua própria escuridade. A escuridade das cousas que não gostam aos popes, dos instintos, emoções, sentimentos e ideias que temos de reprimir, represar no nosso interior sem sequer atrever-nos a reconhecé-las, olhá-las de frente, queré-las como nossas, porque 0 são, rir-nos com elas, perdoar-nos e compreender-nos, para poder compreender e perdoar aos demais. Ou sacá-las à luz, para enfrentar-nos à catarse colectiva, porque, no fundo, todos somos iguais e a todos nos passam as mesmas cousas.

As religiões politeistas, comprem melhor esta função: Há deuses para os aspectos luminosos, mas tamém para os escuros: Sempre há algum deus ou deusa que encarne o desejo sexual, a ira, a impaciência, e mesmo a morte e a devastação. Assim, sempre podes ir acender umha candeia a um deus diferente, segundo o que reine nesse momento no teu coração.

As religiões pagãs, as animistas, são ainda mais humanas, porque ensinam a venerar a través da natureza, das ârvores, das plantas, dos ríos e os astros, cada recuncho do nosso ser, despertando a conciência de que formamos parte dum todo que nos cuida e nos protege, o mesmo que faz florescer as plantas, ou nos agasalha com os frutos da terra, a energia do sol ou a água que acalma a nossa sede.

A mais antiga das religiões conhecidas, diz-nos que não há nada além de TAO, o rio que flue e no que nos devemos deixar levar se queremos ser felizes.




Cada quem tem o direito de praticar sua religião, se assim o decide. Mas, ainda para os crentes monoteístas: Que sentido teria que o deus que nos criou nos fosse premiar por rejeitar umha parte de nós mesmos e lutar contra ela? Se não gostamos de nós mesmos, pouco contento pode ficar o nosso criador. E nós, ainda menos. Assim faremos da nossa vida umha hipócrita amargura e da dos demais, um inferno.

Ao fim. Quem criou a quem? Os deuses a nós ou nós a eles para tratar de compreender o universo das nossas vivências e o acontecer da existência do cosmos no que estamos inmersos? Para tentar compreender o latejo do nosso próprio coração…Bum-bum. Bum-bum. Bum-bum. Sístole e diástole. Contracção e expansão. A música do universo está no nosso interior. Só há que ficar em vacío silêncio para escutar…E sentir…






29

Mai

Noitinha
Publicado por lolacanosa em Cousas minhas, Galiza, Natureza. 2 Comentário

pós a hora do solpôr, vai vindo a escuridade, de vagar, mentras no ar queda ainda essa claridade que encheu todo o espaço diurno.

A Galiza, pola sua situação geográfica, fica mais perto do círculo polar ártico que do ecuador, e essa circunstáncia posicional no globo planetário, faz que certas cousas sejam dumha determinada maneira.

No ecuador, não há crepúsculo. O sol desaparece polo horizonte, e já é noite fecha. Em vez disso, nos polos, norte e sul, os dias duram seis messes e as noites outro tanto. Tampouco no ecuador há diferença entre as horas de luz do verão e do inverno. Os dias e as noites sempre são iguais: doce horas.

Quanto mais perto dos círculos polares, os dias de verão tem mais horas de luz do que as noites porém, no inverno, sucede o contrário.

Longe da minha intenção dar lições de geografia desde esta janela aberta a todos vós, mas é certo que a nossa vida tem muito a ver com a terra, seus climas, suas rotações e traslações polo espaço. Ao fim, que somos? Filhos da mãe terra que nos alimenta, do pai sol que nos abastece de energia e namorados da lua que gravita sobre nós e nos atrai ou nos aparta, como umha rainha caprichosa. Que gravita sobre os fluidos do planeta e de nós mesmos, que com sua luz polarizada, marca as colheitas e as favorece, ou estraga a carne salgada ou as patacas de comer.

Pois agora, no mês de maio, perto já do solstício de verão, após o solpôr, o crepúsculo vólve-se noitinha. Umha escuridade que se vai espalhando, de vagarinho, ralentizada, na que o silêncio se faz mais profundo e o campo arrecende a erva, a névodas, a hortelã. Aló, na beira do rio, os pássaros seguem com seu trafego e, por acima da cabeça, passam os morcegos, voando umha e outra vez, num ir e vir silandeiro e apenas vissível.

Polo leste, vai saíndo a lúa cheia, a deusa que caminha majestuosa, espalhando sua luz sobre o meu vale circular, que se enche dum pó de prata que resplandece na erva, nas àrvores do rio, na aba do monte, como um fluido etéreo que muda completamente a aparência das cousas e tamém o nosso ánimo, que se volve mais instintivo, esquece-se da rutina do trabalho diário e percebe as sensações com mais intensidade: A noitinha é hora propícia para estar fóra, para a conversa, para o descanso e tamém para o amor.

Há tempo, esta hora mágica era a do lezer, das reuniões dos vizinhos para falarem do dia, dos jogos dos rapazes, dos moços que iam ver às moças para falarem com elas na porta, e dos passeios à fonte, onde alguns se perdiam entre os carvalhos, ou os abeneiros, pra lhe render culto à deusa que fazia prender o lume nos corações e nas virilhas.

Umha cantiga popular da minha terra:

“Ainda me acordo, neninha,

de aquela noite de verão.

Ti, olhavas as estrelas.

Eu, as ervinhas do chão.“

Aproveitade as noitinhas, que não duram todo o ano.






20

Mai

Solpôr
Publicado por lolacanosa em Cousas minhas. Deixe um Comentário

esde a minha janela, vi passar o dia de hoje redondo, cheio de luz, com o calor do sol quase perpendicular do solstício, derramando a sua dourada energía sobre os abeneiros da beira do rio, os salgueiros e os campos de erva e de milho recem nado, em fiadas verdes sobre o negro da terra. Olhei o pessegueiro, ateigado de pequeninhas améndoas de veludo verde onde há um mês estavam as rosadas flores.
O meu vale é mui formoso. Porque é redondo e amplo. Um orbe cheio de luz dourada e verde.
Há um pedazinho, baixei até a horta, pra regar as alfaces, os cabazinhos, pementos,chícharos e demais legumes que plantei há pouco tempo. Disfruto enormemente deste tempo de regar, arrincar ervas pra deixar limpa a terra arredor das plantinhas, e ver como, día a día, se vão percebendo mudanças em cada pequeno terreio no que fum parcelando meus cultivos, em cada eitinho onde assomam, como crianças inocentes e tenras.
Hoje, passou-me algo especial em tanto estava lá, na horta. Houvo um momento no que a luz se fixo de ouro puro, a brisa encalmou e o siléncio só era interrompido polos latidos dos cães, ao longe, e o rechouchiar dos pássaros, na beira do rio.


Todo ficou parado, estantío. O tempo deixou de correr e o espaço encheu-se de luz e sombras alargadas estendidas sobre a erva.
Esse intre especial, que precede ao pôr do sol, que se percebe no campo, ou na beira do mar. Essa luz e esse silêncio mágico são umha das vivências mais preciosas para mim. É como traspassar a porta da realidade aparente e entrar no plano da verdade onde o interior e o exterior estão em total e perfecta comunhão. Quando vivía no Rif, essa era a hora do Al Magreb, a última pregária do día antes de vir a noite. Desde os minrahbs de todas as mesquitas da cidade, os almuecins chamabam ao rezo com sua cadéncia de alalá: Allauh Akbar!!!! Desde a minha açoteia, escutava ecoar os cantos e não tinha em conta o que diziam. Só a cadéncia, o canto, o siléncio no que boiavam as pregárias.


Há portas que se podem abrir e traspassar de muitos modos. E todos os caminhos, se vão ao coração, sempre chegam ao destino.



18

Mai

Tempo e eternidade
Publicado por lolacanosa em Cousas minhas. 2 Comentário

uando eu era umha meninha, ainda o estado espanhol vivía baixo a ditadura de Franco e a ditadura franquista foi sempre fortemente apoiada pola igreja católica e o catolicismo,uns dos maiores símbolos da ditadura.

Até tal ponto chegava o servilismo da igreja católica, que quando o ditador Franco participava num ato litúrgico, os oficiantes, o levavam baixo do pálio que está reservado ao Santíssimo Sacramento quando sai em procissão dentro da sua custódia dourada.

Se conto estas cousas, é para que compreendades que a minha infáncia foi totalmente colonizada polo catolicismo revelhido e lúgubre de aqueles anos e que o “catecismo” ou livro da doutrina da igreja era de obrigada aprendizagem em todas as escolas com as mesmas palávras com as que fora redatado polas autoridades da cúria eclesial, aínda que nós, meninhos galegos do rural, não percebiamos nada de todo aquel remexido de ideias tão abstratas e, ainda para mais, em espanhol, idioma que não era o nosso nem podiamos falar nem perceber na sua maior parte.

Bem. Pois entre toda aquela doutrina ininteligível, havia umha ideia que sempre me despertou curiosidade: Deus era eterno. Não tinha princípio nem fim. Existiu sempre e existir-á por toda a eternidade.

Aquela afirmação era completamente incompressível para mim.

Com o passo do tempo, de vagar, fui passando a vida e, com ela, as vivências, sentimentos, ideias e todo o que se foi acumulando na minha mala vital.

Agora, estou por ver que aquela afirmação de que a eternidade existía, era certa. Mas não só para aquele senhor de barba branca e um olho dentro dum triángulo equilátero que nos vigiava em todo momento. Para todos e para todo a eternidade é um estado onde o tempo não existe. Porque, tanto o pasado como o futuro, são em realidade, projecções do pensamento sem verdadeira existéncia. O passado e o futuro, como memória ou imaginação, estam no presente. Todas as vivéncias de momentos passados estam em nós, como presente. E o futuro não existe mais que como umha tentativa de se projectar que tem lugar agora, no presente tamém.

Só existe presente. Presente que leva em sí todas as vivéncias, avatares e sensações vividas ou sonhadas.

Esse é o sentido da palávra eternidade.

Cada um de nós, cada areia, cada folha, cada latejo do macro ou micro cosmos, tem em sí mesmo o presente que veu de longe e vai para não se sabe onde em cada momento.

Só existe este momento. Este momento no que escrevo estas palávras fruto de toda a minha história pessoal e tamém da do universo, com suas estrelas, galaxias e fontes de energia que me tem trazido até aquí. Tudo está presente agora, em mim.

Desde a primeira explosão estelar que faz possível que eu exista, até as sucesivas explossões de sentimento frente ao mundo, aos olhos dum amado, ou o sorriso de tantos meninhos que tive a sorte de conhecer nos meus anos de mestra. Todas as terras que descobri, os amenceres que me encheram de emoções, os cantos das mesquitas do Magreb, os bairros de Barcelona onde vivi, os companheiras e companheiros com os que comparti a minha alegría, cansaço, afecto, as tristezas, as penas, os namoros, o medo. O amor.

Essa sensação de eternidade que não acredito que seja a mesma do “catecismo”, do senhor de barba branca que mora numha nubem a vigiar com seu olho as vidas alheias.




13

Mai

A crise que vém de longe. Em rios de sangue e bágoas.
Publicado por lolacanosa em Mundo. Tags:classe operária., consumo, crise, internacionalismo, solidariedade. Deixe um Comentário


“PRIMERO COGIERON A…

Primero cogieron a los comunistas,
y yo no dije nada porque yo no era un comunista.
Luego se llevaron a los judíos,
y no dije nada porque yo no era un judío.
Luego vinieron por los obreros,
y no dije nada porque no era ni obrero ni sindicalista.
Luego se metieron con los católicos,
y no dije nada porque yo era protestante.
Y cuando finalmente vinieron por mí
no quedaba nadie para protestar.”

Bertold Brecht


Estes psico-sociópatas que movem o nosso mundo e que jogam com seres humanos ao pim pam pum, tem o poder que da o dinheiro. Mas,nós temos parte de culpa do que está a passar. Só nos centramos no nosso embigo e consumimos sem nos importar as condições de trabalho dos que fazem as parvadas que a miúdo compramos sem precisar de elas. Não temos conciéncia de clase. Só reagimos quando nos toca a nós. O comprar ou não comprar é o único poder do que imos dispôr de aquí em diante. Sejamos solidários no consumo. Já sei que é triste a cola do paro: Eu tenho três filhos que passam dos trinta e que não tem trabalho estável. Sei que para o ano, o subsídio que cobro não vai medrar. E muitas cousas mais. Mas tamém sei que em toda África, Ásia e América Latina, a gente passa fame, não tem sanidade pública, nem educação para os seus filhos, nem um entorno social no que poder viver, no sentido mais profundo da palávra.
Quando os bancos davam créditos, ou cartões de pago adiado, e dinheiro a eito, comprava telefones, PSP, computadoras, roupa, calçado, cousas para embelecer a minha casa, sem me preocupar polos meus irmãos trabalhadores que perdiam a vida e a dignidade para que eu pudesse ter essas parvoíces. Os senhores do dinheiro fregavam as mãos. Suas contas medravam cada vez mais e os seus ditadorzinhos mantinham à raia aos seus escravos para evitar quaiquer mostra de rebeldía. Quando saíam as novas na TV de guerras na Costa do Marfim ou no Congo, diziamos: Olha para aí, estes africanos, que selvagens. Lutam uns com outros como animais. Não queriamos saber a verdade: Que o combustível do nosso carro, ou o nosso telemóvel de última geração, estava fabricado com o sangue de operários na escravidão.
Pois agora, tocou-nos a nós. Um pouquinho. Nada comparável ao de eles. E, com toda a razão, nos reviramos e saímos às ruas. Mas…Onde quedou o internacionalismo solidário? As ideias dum mundo mais livre, igualitário e humano? Nas ONG com as que descarregamos as conciências? Nas tristes esmolas ou apropiações de crianças que desarraigamos dos seus paises e suas culturas para lhes fazer um favor? Porque no nosso pais não nos deixam ter um filho sem o parir?
Até que sintamos que cada mãe sou eu mesma, cada filho o nosso filho, -porque é filho dumha mãe, ainda que não tenha que comer e tenha de ficar fechado numha gaiola tecendo alfombras e tapices com seus dedinhos para que os operários podam ter casas de burgueses-, cada avó, o meu avó. Até que não mudemos isso, sempre será o mesmo. E não lhe botemos a culpa aos psicosociópartas que abusam de nós. Que, quando abussavam dos demais, nós mirávamos para o outro lado para não ver, com tal de poder ter essas estupideces que nos ofereciam.




A foto é tirada de nomasmentiras.worpress.com


13

Ago

O carvalho
Publicado por lolacanosa em Galiza, Natureza, Plantas. 7 Comentário


“O carvalho da portela

tem a folha revirada

que lha revirou o vento

numha manhã de geada”




“Carvalheira de São Justo

carvalheira derramada.

Naquela carvalheirinha

perdim a minha navalha”


São cantigas populares galegas de há muito tempo.

A senhora Deolinda, que naceu em Portugal e emigrou ao Brasil com seis anos, é profesora de botánica e, ainda que no Brasil há àrvores fermosas e de muito interesse, ela tem sua saudade ligada às àrvores da sua infáncia.

Ela pediu-me que trrouxesse por aquí um carvalho e vou tentar ser seus olhos polas carvalheiras deste velho país da sua infáncia.

A Galiza é terra de carvalhos e carvalheiras. São àrvores sagradas, vencelhadas aos rituais e à religião pagã, prévia ao cristianismo.

Como as religiões se superpõem umhas às outras, como as capas dumha cebola, não é estranho, na Galiza, ver um carvalho centenário diante dumha igreja, ou dumha ermida de culto popular.




Carvalho de Cereixo, no meu concelho. Calcula-se que pode ter arredor dos 500 anos e está ao pé da igreja e o camposanto da parróquia


O carvalho, no noroeste da peninsula Ibérica, é a àrvore autótone por exceléncia. As carvalheiras forom os primeiros lugares de culto aos deuses pagãos, o mesmo que as fontes, erão das deusas femininas. Fontes milagreiras que aínda quedam, espalhadas pola nossa geografía física e cultural, onde a gente, o día da romaría da santa, lava a cara e as mãos e deixa os paninhos da mão estendidos na silveira, para curar as verrugas ou o mal de olho.

Dum tempo para cá, as carvalheiras foram substituindo-se por outras plantações de àrvores importados de fóra: pinheiros primeiro e logo, eucaliptos, umha verdadeira praga para a terra, que se enche de mato que mais tarde, com a calor do verão, arde arrassando todo ao seu passo.

Embaixo dos carvalhos, medra a erva viçosa, a sombra húmida baixo as suas copas, assim as landras, ao cairem, vão germolando e criando novos carvalhinhos para o futuro.




E olhade se a terra é teimuda que, na sua saudade polos seus filhos vegetais, não se rende e, a pouco que a deixem, polo meio dos eucaliptos australianos, agromam os carbalhinhos pequenos, retortos, pulando por sobreviver aos invasores. A terra tem memória da saudade, como dona Deolinda.

O carvalho do país, autotone da Galiza e norte de Portugal é o Quercus Robur, umha das quatro variedades de carvalhos européus.







È uma árvore de grande porte, que atinge 30 a 40 metros de altura e que tem um tempo de vida entre 500 a 1000 anos. Esta espécie possui copa redonda e extensa em árvores adultas, e contorno oval piramidal em indivíduos jovens. O tronco do carvalho-vermelho é forte, direito e alto, a partir do qual partem ramos vigorosos ao acaso. O tronco possui também uma casca (ritidoma) lisa e acinzentada, quando nova, ou grossa, castanha e escamosa em árvores adultas.






Folhas e landras do carvalho-vermelho

As suas folhas são caducas, membranáceas e pequenas, com 5 a 18 cm de comprimento, sendo geralmente mais largas na parte superior. Com 3 a 7 pares de lóbulos redondos, possuem um pecíolo (pé da folha) com 2 – 12 mm de comprimento. Elas permanecem com um verde forte ao longo do Outono antes de se tornarem castanhas persistindo na árvore até ao Inverno.


As flores do carvalho-vermelho florescem em Maio a partir dos 80 anos de idade.




Flores masculinas-foto superior-

Flores femininas-foto inferior-

O carvalho-vermelho possui landras de maturação anual com 1,5 a 4 cm de comprimento. As landras a princípio têm um tom claro ficando castanhas à medida que amadurecem, e na sua fase verde são pardas e com riscas longitudinais escuras.”


Características ecológicas
O carvalho roble é uma espécie bem adaptada aos climas temperados húmidos, que apresenta grande resistência ao frio. Esta espécie prefere os terrenos siliciosos, argilosos frescos e húmidos, ricos em nutrientes.

Distribução do carvalho em EUROPA


No centro de Santiago de Compostela, a capital da Galiza, pervivem duas carvalheiras; Santa Susana e São Lourenço, por onde podes dar passeios polo bosque sem saires da cidade e mesmo fazer aquelarres, juntanças de bruxas e meigas que se reúnem no centro dum círculo de carvalhos, nas noites de lúa.









25

Jun

O XIV Asalto Irmandinho de Vimianzo, já está aquí.
Publicado por lolacanosa em Costa da Morte, Galiza, Músicas, Vimianço. Deixe um Comentário

Como cada ano, a “Asociación Axvalso” de Vimianzo, na Terra de Soneira, na Costa da Morte, prepara a festa conmemorativa do asalto à fortaleça dos Mososo, como há mais de quinhentos anos, figeram Os Irmandinhos, aquela gente do comum organizada para lutar polos seus direitos fronte aos abusos dos senhores feudais.

Se queredes mais informação do tema, no blogue http://asaltovimianzo.wordpress.com, toparedes toda a quepodades necessitar.

Os que moredes perto, animádevos. É umha verdadeira festa para não perder.

Esperamos-vos em Vimianço a tarde-noite do 4 de Julho.

Saudos irmandinhos.



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Escunchar as espigas da memória. Debulhar as emoções, os pensamentos,o que me rodea em cada instante.
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