quarta-feira, 30 de junho de 2010

1340 - HISTÓRIA DO LIVRO

ESTE DOCUMENTO
Visitas 832
Downloads 141

OUTROS DOCUMENTOS
Humanas
Unidade
Área de concentração
Autor
Orientador


Dissertação de Mestrado
Título original 'Em câmara lenta', de Renato Tapajós: a história do livro, experiência histórica da repressão e narrativa literária
Autor Maués, Eloisa Aragão
E-mail aragao@usp.br
Unidade Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)
Área de concentração História Social
Orientador ¤ Eugênio, Marcos Francisco Napolitano de

Banca Examinadora ¤ Capelato, Maria Helena Rolim
¤ Eugênio, Marcos Francisco Napolitano de
¤ Ridenti, Marcelo Siqueira

Data da Defesa 15/12/2008
Palavras-chave ¤ Censura
¤ História do livro
¤ Literatura de testemunho
¤ Oposição armada
¤ Regime militar brasileiro

Resumo Original
Em 1977, a Alfa-Omega, uma editora de oposição ao regime militar, publicou Em Câmara Lenta, de Renato Tapajós. Foi a primeira obra nacional, produzida por um escritor que atuou em um grupo da esquerda armada, a trazer uma reflexão crítica sobre as estratégias da guerrilha e a denunciar o emprego brutal da tortura pela repressão. O autor participara da Ala Vermelha, um agrupamento urbano de influência maoísta que empreendeu ações armadas, e por isso cumpriu pena de 1969 a 1974. Divulgado por todo o Brasil, o livro despertou a fúria de setores conservadores e levou a um episódio inusitado: em julho de 1977 Tapajós foi preso em São Paulo e ficou dez dias incomunicável, sob a acusação de que Em Câmara lenta era "instrumento de guerra revolucionária". Isso apesar de o livro não ter sido proibido e não ter, do ponto de vista legal, nenhum empecilho à sua circulação. Somente 15 dias depos da prisão de Tapajós, a obra foi censurada e sua venda, proibida. A partir das intricadas repercussões desse fato, o propósito principal deste trabalho é procurar demonstrar como a experiência da luta armada se transformou em narrativa literária. Para tanto, apresentamos um estudo sobre a história do livro, sobre os procedimentos empregados tanto na formação da culpa dirigida contra Renato Tapajós (com base em documentos do Departamento Estadual de Ordem Política e Social, DOPS, de São Paulo, produzidos durante a investigação policial) quanto os utilizados pela defesa do caso, bem como a respeito da recepção crítica e do teor testemunhal presente no romance
Título em Inglês 'In slow motion', from Renato Tapajós: the story of the book, historical experience of repression and literary narrative
Palavras-chave em Inglês ¤ Brazilian military regime
¤ Censorship
¤ History of book
¤ Leftist guerillas
¤ Testimonial literature

Resumo em Inglês
In 1977, Alfa-Omega, a publish house which opposes the Military Regime, published Em Câmara Lenta, by Renato Tapajós. It was the first book to analyze the leftist guerilla groups strategies and to denounce the brutality of the torture enforced by the military and the police against the activists of those groups. Tapajós had been a militant of Ala Vermelha, an urban Maoist guerilla group, and had been jailed from 1969 to 1974. Publicized all over the country, the book was furiously received by the conservative sectors of Brazilian society. In a surprising move, Tapajós was jailed in São Paulo in July of 1977 and stayed 10 days without any communication, under the accusation that Em Câmara Lenta was a "tool of the revolutionary guerrilla". Formally, the book was not forbidden and legally, there was no problem to publish and publicize it. Just after 15 days of Tapajós got the jail, the book was formally censured and it was made illegal to sell it. Taking in consideration the complex repercussions of this event, the initial aim of this dissertation is to demonstrate how the leftist guerrilla experience was transformed in a literary narrative. In order to do that, I present a study of this book history, the criminal procedures enforced against Renato Tapajós (using the documentation of the State Department of Political and Social Order, DOPS, the political police of São Paulo, produced during the police investigation) and in favor of him, as well as the testimonial narrative of the romance and its critical reception by the public and the specialists.
Arquivos
Nome Tamanho
¤ DISSERTACAO_ELOISA_ARAGAO_MAUES.pdf 4.06 Mb

Data de Publicação 05/02/2009


Copyright © 2001-2008 by Universidade de São Paulo. Todos os direitos reservados.



COPYRIGHT DEVIDO À UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (ELOISA-ARAGÃO-MAUÉS).

1339 - HISTÓRIA DO LIVRO

New World Order - Pesquisas com fundamentos sobre Cannabis, Política, Religião, Crise Econômica, Gripe do Porco, H1N1-Influenza, Nova Ordem Mundial, Illuminati, Capitalismo, Codex Alimentarius e Depolulação Illuminati – Tiles Experts
Redescobrindo Religiões, Ciências e História – Teorias da Conspiração e Nova Ordem Mundial CAPITALISMO, CODEX ALIMENTARIUS E DEPOPULAÇÃO Home
Institucional
Os Illuminati – História
Símbolos Illuminati O Priorado de Sião Baphomet e os Templários Maçonaria O Pentagrama Ordem Rosa Cruz A Misteriosa Esfinge de Gizé Cannabis Verdades e Mentiras
Os Cavaleiros Templários
Símbolos mais Conhecidos
Os Mistérios das Pirâmides de Gizé
A Santa Inquisição
Malleus Maleficarum – O Martelo das Bruxas Opus Dei Os livros Proibidos Wicca Os Maias
O Códice de Dresden-Maias O Calendário Maia Popol Vuh-Maia Tao Te King
A Nova Ordem Mundial
Os Reptilianos
Os Chakras
I Ching
Ayahuasca
Edge Media TV – Assista on-line
quarta-feira junho 30th 2010
Música ao Ler

Artigos
Berkshire Corporation
Bilionários e suas relações
Crise Mundial
Empresas e pessoas co-relacionadas
Empresas Globais
Meio Exotérico
O Priorado de Sião
Origem da Vida
Os Illuminati
Os Maias
Os Reptilianos
Protócolo dos ânciões de Sião
Teorias da Conspiração
Share | Encontre-nos no


NWO-Illuminati




- Sobrenatural – Ocultismo

Special Links
A Nova Ordem Mundial
Above Top Secret
BBC 5
Biblioteca Pleyades
Common Purpose
David Icke
Exopolítica
InfoWars.com
Médicos Contra Vacinas
Militares contra Guerra
Project Camelot
Resistir.info
The Flu-Case.com
True World History
UK Column
Wiki Leaks
Illuminatis
barack obama bilderberg bilderberg group Bilionários e suas relações bush codex alimentarius Concentration conspiracoes conspiração Crise Mundial Empresas e pessoas co-relacionadas Empresas Globais fema FEMA Camp fema coffins fema cofins FMI george bush gripe do porco gripe suina h1n1 haarp illuminati iluminati influenza iran israel judeus maçonaria nazi nazismo nazista new world order nova ordem mundial nwo obama oms onu Os Illuminati armas militares rfid chip sociedades secretas swine flu USA vacina h1n1 Vídeos de Notícias AlternativasMASSACRE DE PESSOAS APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIAArtigo escrito por Otoniel Ajala Dourado

“As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
têm direito inalienável à Verdade, Memória,
História e Justiça!” Otoniel Ajala Dourado

O MASSACRE APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA

No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi o MASSACRE praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato “JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA”, paraibano de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.

O CRIME DE LESA HUMANIDADE

O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.

A AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELA SOS DIREITOS HUMANOS

Como o crime praticado pelo Exército e pela Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é considerado IMPRESCRITÍVEL pela legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, por isto a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza – CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos

A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO

A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.

AS RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5

A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;

A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA

A SOS DIREITOS HUMANOS, igualmente aos familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.

QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA

A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do “GEOPARK ARARIPE” mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?

A COMISSÃO DA VERDADE

A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.

Paz e Solidariedade,

Dr. Otoniel Ajala Dourado
OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
Presidente da SOS – DIREITOS HUMANOS
Membro da CDAA da OAB/CE
www.sosdireitoshumanos.org.br
sosdireitoshumanos@ig.com.br

Noticías Relacionadas
Empresas de Energia enriquecem às custas dos consumidores CONSPIRAÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA Concessionárias enriquecem às custas dos consumidores - : A SOS DIREITOS HUMANOS protocolou uma Ação Civil Coletiva ...
Illuminati – ONU e Sanções Econômicas ao Irã Iraniana Premiada com Nobel da Paz Shirin Ebadi alerta Irã sobre Direitos Humanos e adverte contra Sanções Internacionais O governo ...
Possibilidade de Assassinato, Execução ou Sequestro dos Membros da Polônia não deve ser descartada As autoridades russas mudaram suas versões sobre se os corpos foram encontrados no local do acidente do avião Tupolev ou ...
Carta Aberta a Sarkozy A associação SOS Justiça & Direitos Humanos enviou uma carta aberta a Sr. Sarkozy, no dia 9 de Agosto 2009, ...
Jazidas de Petróleo em Água Rasas não são da Petrobrás nem do Brasil Foi anunciado em (22/01/2010) nos principais jornais do Brasil, que a empresa OGX acaba de encontrar na bacia de Campos ...

Post Published: 20 fevereiro 2010
Author: Nick Boss
Found in section: Meio Exotérico, Os Illuminati

Tags: 16 crânios de crianças, adolescentes, agindo como juízes, algozes, armas diversas, assassinaram na “MATA CAVALOS”, brasil, CEARÁ, Chapada do Araripe, como metralhadoras, COVA COLETIVA, crato, crianças, doentes, ex-prefeito de Juazeiro do Norte, Exército, facas e facões, fuzis, GENOCÍDIO, GUERRILHA DO ARAGUAIA, idosos, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA, LESA HUMANIDADE, MASSACRE, Massacre do Sítio Caldeirão, mulheres, OEA, Otoniel Ajala Dourado, padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, pistolas, Polícia Militar do Ceará, RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR), revólveres, SERRA DO CRUZEIRO, SÍTIO CALDEIRÃO, SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO, SOS DIREITOS HUMANOS, UFC, URCA

Previous Topic: Satanistas que praticavam a Magia NegraNext Topic: Empresas de Energia enriquecem às custas dos consumidores
Reader Feedback
8 Responses to “MASSACRE DE PESSOAS APAGADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA”
Antonietta Knudtson disse:
31 de março de 2010 às 9:03 pm
Intimately, the distribute is truly the freshest subject about this registry related issue. I healthy in along with your conclusions and can thirstily look forward to your coming improvements. Just saying gives thanks will not just be adequate, to the phenomenal lucidity inside your writing. I will at as soon as get your rss give food to to keep privy of any updates.

Roosevelt Remaly disse:
2 de abril de 2010 às 8:35 pm
Gostei de seu site e retornarei mais vezes para conferir as novidades.´

Adria Cuffee disse:
14 de abril de 2010 às 2:30 pm
nice blog

Angelo Chastant disse:
18 de abril de 2010 às 5:01 pm
Já visitei seu site antes. Gosto do modelo e conteúdo! Parabéns!

Zola Martz disse:
18 de abril de 2010 às 5:09 pm
Blogar com classe é uma virtude de poucos internautas e webmasters. Você tem essa qualidade e a transmite em seu blog! Continuando assim, será grande sucesso!

yeast infection disse:
12 de junho de 2010 às 11:00 pm
Your blog is very beautiful, can you tell me how to make.

am i pregnant... disse:
14 de junho de 2010 às 11:30 pm
This article is written in,I was looking for the information.Thank you and your share this article at here

lactose intolerance symptoms disse:
28 de junho de 2010 às 9:23 am
Awesome work. I always find very unique posts here on your Blog.


Leave a Reply
Name (required)

Mail (will not be published) (required)

Website






Spam Protection by WP-SpamFree
UFO – OVNIs – ALIENS
****Choose your Language****
Suporte o Site e mantenha a Liberdade de Informações... Assine o Feed e Receba nossos Artigos

RSS FEED SUBSCRIPTION Notícias Atuais
Haarp em detalhes 7 seconds ago
Terceira Guerra Mundial – USA Fornece Aviões de Guerra a Israel 22 seconds ago
Planos de Evacuação na Costa Americana 31 seconds ago
HAARP – Chemtrails e novo laser 1 minute, 7 seconds ago
David Icke entrevistado por Rebecca Radio Show 24 April 2010 1 minute, 38 seconds ago
Nova Ordem Mundial: A Mentira de Obama, o mais novo documentário 1 minute, 51 seconds ago
Técnica de Enfermagem morre com suspeita de H1N1 2 minutes, 2 seconds ago
Artigos Recentes
Planos de Evacuação na Costa Americana
Liberdade, Uma Prisão Sem Muro
Vazamento de Petróleo: Lei Marcial como Situação de Emergência
BP Vazamento no Golfo do México = Chuvas de Óleo na Lousiana
Elite constrói Abrigos para Fim do Mundo em 2012
Profecias 2012

Tiles Experts
TilesExperts

TilesExperts Planos de Evacuação na Costa Americana http://f.ast.ly/k888x 12 hours ago reply
TilesExperts 2012 - A Great Shift of Consciousness | Illuminati - Tiles Experts: http://bit.ly/caO9Gi 20 hours ago reply
TilesExperts 2012 - Towards a New Consciousness, or destruction? | Illuminati - Tiles Experts: http://bit.ly/c4DKoy 20 hours ago reply

Join the conversation Esoterismo
A vida é somente um passo em trânsito para o conhecimento real do verdadeiro sentimento do Amor, ainda longe da humanidade atual. Acredite e Ame. " A beleza não está na riqueza ou na miserabilidade, mas na essência do SER.Pesquisas Antigas
junho 2010 (122)
maio 2010 (108)
abril 2010 (166)
março 2010 (212)
fevereiro 2010 (97)
janeiro 2010 (1)
agosto 2009 (9)
julho 2009 (2)

Registrar-se Login Powered by Mídia Free Copyright © 2010 Illuminati – Tiles Experts All rights Reserved designed by midiafree.com



COPYRIGHT MIDIA FREE @ 2010 ILUMINATI.

1338 - HISTÓRIA DO LIVRO

ISSN 1518-2541
Hélade, Número Especial, 2001: 3-10



Ana Teresa Marques Gonçalves

Professora de História Antiga do Departamento de História da UFG

e-mail: anteresa@zaz.com.br



Os Conteúdos de História Antiga nos Livros Didáticos Brasileiros




O livro didático de História deveria ser mais um instrumento de trabalho, entre outros, no interior das salas de aula brasileiras. Ele deveria ser uma fonte de consulta confiável e atualizada e também ser empregado como objeto de investigação, por meio do qual seus conteúdos fossem continuamente problematizados, por alunos e professores, e suas interpretações históricas dessacralizadas e criticadas (Lima, 1998: 205).

Contudo, na maior parte das salas de aula, o livro didático converte-se no único recurso teórico-metodológico e de conteúdo empregado pelos profissionais do saber. Os alunos cobram a existência de um manual, os pais dos alunos demandam um roteiro de estudo para os filhos, e os professores, com baixos salários, e com muitos alunos e aulas a serem ministradas, submetem-se, muitas vezes acriticamente, ao conteúdo que está condensado nos livros didáticos. Muitos professores ainda se preocupam em procurar novas informações e novos exercícios para melhorarem suas aulas, mas utilizam para isso outros livros didáticos. Como afirma Nicholas Davies, se o professor não tiver formação e condições financeiras e de exercício profissional adequados, novos mateirais ou linguagens poderão apresentar os mesmos problemas que o livro didático profissional (Davies, 1996: 81). Tem-se que alterar conjuntamente os livros didáticos e a situação do professor.

Parece ainda haver em nossa sociedade o entendimento de que a escola não é um local de construção de conhecimento, mas apenas de difusão de um saber constituído em outras instâncias, principalmente nas Universidades. À Academia competiria a realização de pesquisas e a construção do conhecimento; à escola caberia a reprodução do saber já constituído.

3




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Entretanto, no que se refere aos conteúdos de História Antiga, nem esta relação tem se estabelecido. Uma leitura crítica realizada em alguns livros didáticos de História, publicados no país, é suficiente para demonstrar que eles estão, em sua grande maioria, defasados em termos das pesquisas e dos arcabouços teórico-metodológicos construídos e aplicados nas Universidades. Os livros didáticos não têm sido atualizados, não conseguindo acompanhar as novas descobertas arqueológicas e as novas tendências de conceituação, aplicadas às releituras feitas dos documentos textuais impressos.

Como a maior parte dos professores de ensino fundamental encontram-se, por diversos motivos, afastados das instâncias universitárias, eles não conseguem detectar os problemas de defasagem de conteúdo que se repetem nos livros didáticos. Segundo Sandra C. F. de Lima, afastados da produção do saber histórico, estes não buscam, muitas vezes, acompanhar os debates acerca da produção científica, por meio de leituras de caráter teórico; portanto, submetem-se acriticamente ao saber que é produzido pela academia e condensado nos livros didáticos.

Como afirma Bárbara Freitag, o livro didático não é visto como um instrumento de trabalho auxiliar na sala de aula, mas sim como a autoridade, a última instância, o critério absoluto de verdade, o padrão de excelência a ser adotado na aula (Freitag et alli, 1989: 124). Entretanto, tudo isto ainda seria válido, mesmo visando a reprodução do saber e não a sua construção, se este conteúdo estivesse atualizado. Como os conteúdos de História Antiga se repetem nas várias coleções, e estas, muitas vezes, ao se constituírem buscam idéias nos manuais mais antigos, as desatualizações vão se repetindo através dos tempos.

4




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Na maioria das vezes, os conteúdos de História Antiga aparecem nos volumes das coleções dedicados às quintas ou às sétimas séries do ensino fundamental. E é facilmente perceptível, que nem sempre as equipes, que formulam estas coleções, integram professores especializados em História Antiga. Não contendo especialistas no assunto, estas equipes acabam preferindo repetir informações advindas de outras coleções de sucesso editorial, e, desta forma, repetem erros de conteúdo e de conceituação de forma acrítica.

Sem os especialistas em História Antiga, que nem sempre são consultados para revisar as informações postas nos manuais, diversos conceitos já revistos, algumas vezes já mesmo ultrapassados e substituídos por outros mais adequados ao real vivido no passado, reaparecem com toda força nos livros didáticos. É o caso, por exemplo, do conceito de “decadência”, que reina quase solitário na explicação da crise do Império Romano em nossos livros didáticos. Apesar de sua utilização estar sendo criticada, no meio acadêmico, desde a década de oitenta, e da existência do famoso verbete “Decadência”, feito por Jacques Le Goff para a Enciclopédia Einaudi, no qual este autor apresenta argumentos decisivos para se repensar a utilização deste conceito na explicação de fenômenos do mundo antigo e propõe a sua substituição pelo conceito de “desagregação” do Império Romano (Le Goff, 1994: 375-422), o conceito de “decadência” ainda reina soberano no estudo do mundo romano em nossos livros didáticos.

Outro conceito que se repete de forma acrítica, apesar de sua revisão já ter sido proposta por historiadores brasileiros que trabalham com o materialismo histórico, é o de Modo de Produção Asiático, e dentro desta perspectiva a famosa Hipótese Causal Hidráulica, usada em vários manuais para explicar o aparecimento das primeiras cidades junto aos leitos dos rios. No livro “Modo de Produção Asiático: Nova Visita a um Velho Conceito”, historiadores de referência para o estudo do mundo antigo no Brasil, como Ciro Flamarion S. Cardoso e Emanuel Bouzon, defendem a idéia de que não é válido se querer derivar a civilização, em seus inícios e em certas regiões do mundo, de um fator mono-causal, ou seja, a necessidade de um controle centralizado tanto do abastecimento de água quanto da proteção contra as inundações em zonas áridas ou semiáridas. Esse determinismo simplista, ao mesmo tempo geográfico e técnico, presente nas formulações iniciais de Marx e Engels (e em vários de nossos livros didáticos), não pôde sustentar-se ao ser transformado em hipótese de trabalho submetida a suficiente confrontação empírica: tal hipótese demonstrou ser falsa em todos os casos estudados (Cardoso et alli, 1990: 121-122), mas ainda permanece como válida em muitos dos nossos manuais.

5




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Nas coleções de História, percebem-se duas tendências principais ao se estruturar o conteúdo de História Antiga. Ou se tenta abranger de forma panorâmica todas as civilizações antigas orientais e ocidentais, ou, buscando aproximar o mundo contemporâneo do passado, remete-se o aluno a uma procura das origens de certas instituições atuais, ressaltando-se o valor das civilizações grega e romana, principalmente. No primeiro caso, ao se tentar abranger um conhecimento tão grande, as informações se perdem no contexto geral. Lembramo-nos de um volume de uma coleção, dedicado à quinta série, no qual a civilização persa era tratada em três parágrafos, a civilização chinesa, em cinco parágrafos e a japonesa, em quatro parágrafos. Dessa forma, o aluno apenas sabe da existência destas sociedades ao invés de estudá-las e de buscar compreendê-las.

Acreditamos que seja melhor analisar um conteúdo menos extenso, mas de forma mais aprofundada. Todavia, muitos dos livros que optam por esta estratégia, acabam por incentivar o aluno a empreender uma verdadeira busca às origens do que existe atualmente. Vêem-se as origens do teatro na Grécia, do direito em Roma, da democracia no mundo grego clássico, da reforma agrária na República Romana, da escravidão, como se o que houvesse hoje fosse um mero prolongamento do que houve no passado. Fazem-se estas comparações sem se perceber que o teatro na Grécia tinha um sentido político próprio e muito profundo para o povo grego, inclusive de caráter religioso; que o direito romano foi sendo muito modificado ao longo do tempo, selecionado em suas várias vertentes, principalmente a partir da releitura que lhe foi imposta no Renascimento; que o conceito de democracia ateniense era completamente diverso do aplicado atualmente (vide: Finley, 1988) ; que a tentativa de reforma agrária, proposta pelos Gracos, respondia a anseios muito específicos e tinha uma dinâmica diversa da dinâmica contemporânea (vide: Corassin, 1988); e que a escravidão antiga apresentava características muito próprias, não contendo em si nenhuma questão racial e comportando figuras impensáveis para o mundo moderno, como a do liberto romano (vide: Finley, 1991; Giardina, 1992; Vernant e Vidal Naquet, 1989).

O conhecimento deste passado mais distante é fundamental para a compreensão do presente, mas ele não deve ser encerrado apenas neste caráter utilitário. Este passado deve ser analisado a partir de seu próprio instrumental de análise. Muitas vezes, para se despertar o interesse dos alunos, pode-se, e até mesmo deve-se, começar o estudo de uma civilização, como, por exemplo, a Mesopotâmica, a partir do que ela tem de exótico ou, ao contrário, de parecido com o tempo atual, como a confecção de horóscopos pelos caldeus. Destarte, não se pode ficar apenas nisto. No caso específico do estudo da Mesopotâmica é fundamental explorar com os alunos o conceito de Cidade-Estado, que vai reaparecer no estudo da Grécia Antiga, do mundo romano, e mesmo no estudo das Cidades-Estado modernas, como Florença, Gênova, entre outras (Cardoso, 1987).

6




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Não somos contrários a comparações passado/presente, desde que estas sejam feitas de forma apropriada, sem distorções do que ocorreu no passado. Lembramo-nos de um livro didático no qual se tentava estabelecer a todo custo uma comparação simplista e anacrônica entre a força bélica romana e a força bélica norte-americana, sem se levar em consideração qualquer tipo de diferenciação entre elas. Ao final do exercício proposto ao aluno, a única conclusão possível era de que os Estados Unidos atuais nada mais são que a reencarnação do Império Romano, sem se levar em consideração formas de dominação tão distantes no tempo e no espaço e tão díspares na forma de se realizarem e nos propósitos a serem alcançados. Vide, por exemplo, o estudo feito por Norberto Luiz Guarinello, em um livro paradidático da Editora Ática, Série Princípios, a respeito da noção de “Imperialismo”, diferenciando o imperialismo Greco-Romano de como ele foi pensado nos mundos moderno e contemporâneo. Trata-se do mesmo termo, mas com sentidos diferentes no tempo e no espaço. Na imensa maioria de nossos livros didáticos ainda não se apresentam estas diferenciações.

A ausência de especialistas em História Antiga, nas equipes que confeccionam as coleções de livros didáticos para o ensino fundamental brasileiro, também se faz sentir na hora de se diferenciar o uso de conceitos no próprio estudo das civilizações. Um exemplo recorrente é a questão da “plebe” no mundo romano. Como o mesmo termo “plebe” é usado para significar grupos sociais diversos durante a República e o Império, o aluno fica sem entender o que foi a questão patrício-plebéia. Vai sempre parecer que foi uma luta travada entre pobre e ricos, quando o que estava em discussão eram questões políticas mais do que econômicas. A plebe no período da Realeza e nos primórdios da República era formada por grupos sociais muito diversos dos que viriam a compô-la no período imperial, e isto não é expresso em quase nenhum livro didático existente, possivelmente porque nem os autores conhecem desta diferença.

Além disso, são comuns os aparecimentos de erros de datas, de explicação de processos históricos, de legendas errôneas nas imagens, entre outros problemas. As imagens, na maioria das vezes, são apenas usadas para embelezar o livro, ou no máximo como uma confirmação do que é afirmado no texto. Dificilmente, encontramos obras didáticas nas quais as ilustrações são exploradas como fontes históricas. Inclusive, várias vezes, usam-se pinturas modernas ao se falar da mitologia grega e romana. Então, o que se apresenta ao aluno não são características dos deuses antigos, mas a releitura que o mundo moderno fez de seus atributos.

7




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Ao se relatar as experiências do passado, são poquíssimos os livros didáticos nos quais se atenta para o fato de que muitos dos fatos narrados, nas diversas civilizações apresentadas, ocorreram de forma simultânea. O mais recorrente é que se abram capítulos para cada uma das civilizações. Por exemplo, surgimento, desenvolvimento e crise da civilização egípcia; surgimento, desenvolvimento e crise da civilização mesopotâmica; surgimento, desenvolvimento e crise da civilização grega; surgimento, desenvolvimento e crise da civilização romana. Como se estas sociedades não tivessem interagido entre si. São postas como blocos estanques e nem nos exercícios propostos se tenta incentivar o estudante a compará-las. Há muito mais a preocupação em compará-las com o mundo contemporâneo do que compará-las entre si.

Muitos livros didáticos acabam por se caracterizar não como um material de referência, mas como um caderno de atividades para expor, desenvolver, fixar e, em alguns casos, até avaliar o aprendizado (Programa Nacional do Livro Didático, 2000: 20).

Entretanto, nem nas atividades propostas sobre o mundo antigo impera a criatividade. Ainda se insiste na formulação de questionários, nos quais se avalia a memorização dos alunos, mais do que seu entendimento e interpretação dos conteúdos. São raras as obras didáticas nas quais se encontram exercícios que estimulam a criatividade dos estudantes, nos quais se peçam, por exemplo, a sua opinião sobre os assuntos tratados. E, muitas vezes, quando tentam estimular o aluno a expressar a sua opinião, criam verdadeiros tribunais da História, em que as personagens históricas são julgadas pelas suas ações. Lembramo-nos de um livro didático no qual em cada capítulo a turma era incentivada a criar um verdadeiro tribunal na sala de aula, com advogados de defesa e de acusação para julgar as personagens citadas, como Júlio César, Cleópatra, Nero, Calígula, entre tantos outros já paradigmáticos. Ao invés de estimular o entendimento da História, ela é transformada, desta maneira, numa potência julgadora, na qual imperam os juízos de valor e a transformação destas personagens históricas em verdadeiros estereótipos.

8




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Assim, torna-se interessante perceber que, principalmente nos Manuais do Professor, que acompanham os livros didáticos, aparecem citados, e sugeridos para consulta por parte dos mestres, vários títulos atualizados em termos de História Antiga. Muitas vezes na própria bibliografia do Livro do Aluno, aparecem elencados títulos atualizados. Contudo, estes títulos parecem apenas enfeitar a obra, visto que seu conteúdo dificilmente aparece expresso nos textos que integram o livro didático.

Da mesma forma, buscando atender às modernas técnicas pedagógicas, os livros didáticos e os Manuais do Professor, que os acompanham, tentam incluir propostas de filmes, de livros paradidáticos e de sites a serem consultados na Internet. Todavia, dificilmente se elabora um roteiro para uso dos filmes propostos e alguns títulos apontados são de difícil aplicação, por exemplo, nas quintas séries. Os livros paradidáticos apontados, muitas vezes, são editados pela mesma editora do Livro Didático. E os sites indicados, quase sempre, se referem a endereços eletrônicos de jornais e revistas, para pesquisas, e não sites específicos de História Antiga, nos quais os alunos poderiam encontrar outras informações a respeito do mundo antigo (vide: Rocha, 1997).

Sabemos que é muito mais fácil criticar os livros didáticos existentes do que confeccionar um. Porém, tantos problemas de forma e conteúdo poderiam e deveriam ser evitados, chamando-se especialistas na área de História Antiga ou para integrar as equipes que produzem o manuais didáticos ou para dar pareceres na obra já pronta. Acreditamos que, deste modo, ao menos alguns problemas poderiam ser resolvidos.

Construir a História em sala de aula junto com os alunos não é uma tarefa fácil. O Brasil é um país de multiplicidades econômicas, culturais, regionais. E os livros didáticos também devem ser múltiplos, para responder a esta característica do nosso país. Entretanto, o que se espera é que o professor ao usar um livro didático tenha certeza de ter em mãos um material minimamente adequado à sua tarefa de ensinar, contribuindo, assim, para a real aprendizagem dos alunos.

9




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Bibliografia

BITENCURT, C. (org.). O Saber Histórico na Sala de Aula. São Paulo: Contexto, 1997.

BORGES, Vavy P. et alli. O Ensino de História: Revisão Urgente. São Paulo: Brasiliense, 1986.

CARDOSO, Ciro F. S. A Cidade-Estado Antiga. São Paulo: Ática, 1987.

__________________ et alli. Modo de Produção Asiático: Uma Visita a um Velho Conceito. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

CORASSIN, Maria Luíza. A Reforma Agrária na Roma Antiga. São Paulo: Brasiliense, 1988.

DAVIES, Nicholas. O Livro Didático: Apoio ao Professor ou Vilão do Ensino de História. Cadernos de História. Uberlândia, 6(6): 81-85, 1996.

FINLEY, Moses I. Democracia Antiga e Moderna. Eio de Janeiro: Graal, 1988.

______________. História Antiga: Testemunhos e Modelos. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

_____________. Escravidão Antiga e Ideologia Moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1981.

FREITAG, Bárbara et alli. O Livro Didático em Questão. São Paulo: Cortez, 1989.

GIARDINA, Andrea (org.). O Homem Romano. Lisboa: Presença, 1992.

GUARINELLO, Norberto Luiz. Imperialismo Greco-Romano. São Paulo; Ática, 1987.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Unicamp., 1994.

LIMA, Sandra C. F. de. O Livro Didático de História: Instrumento de Trabalho ou Autoridade “Científica” ?. História e Perspectivas. Uberlândia, 18/19: 195-206, 1998.

NIDELCOFF, Maria Teresa. A Escola e a Compreensão da Realidade. São Paulo: Brasiliense, 1980.

Programa Nacional do Livro Didático: Histórico e Perspectivas. Ministério da Educação / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília , janeiro de 2000.

RADUCH, M. C. Temas de História em Livros Escolares. Porto: Afrontamento, 1970.

ROCHA, Ivan E. 1000 Sites de História Antiga e Arqueologia. São Paulo: Arte e Ciência, 1997.

SILVA, Marcos A . da (org.). Repensando a História. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1984.

VERNANT, Jean-Pierre; VIDAL NAQUET, Pierre. Trabalho e Escravidão na Grécia Antiga. Campinas: Papirus, 1989.

ZAMBONI, Ernesta (org.). A Prática do Ensino de História. São Paulo: Cortez / CEDES, 1984.



Copyright © 2001 Todos os direitos reservados a Ana Teresa Marques Gonçalves



COPYRIGHT DEVIDO À ANA TERESA GONÇALVES.

1337 - HISTÓRIA DO LIVRO

WordReference.com Language Forums
Dictionary and thread title search: English-Spanish English-French English-Italian English-German English-Russian English-Portuguese English-Polish English-Romanian English-Czech English-Greek English-Turkish English-Chinese English-Japanese English-Korean English-Arabic Spanish-English French-English Italian-English German-English Russian-English Spanish-French Spanish-Portuguese French-Spanish Portuguese-Spanish English definition Italian definition Spanish definition Spanish synonyms


WordReference Forums > Portuguese > Portuguese
Já que a história deste livro faz parde da minha e de...
User Name Remember Me?
Password Register


Register -- Deutsch (Du) -- Dutch -- English (US) -- Español -- Français -- Italiano -- testing Rules/FAQ Calendar Today's Posts Search


Portuguese Questions about Portuguese, or translations between Portuguese and any other language, except for Spanish.


Search Forums


Show Threads Show Posts
Tag Search
Advanced Search

Go to Page...




Thread Tools Search this Thread

#1 30th March 2010, 09:12 PM
Zaytsev
Member Join Date: Mar 2009
Native language: Português
Posts: 80

Já que a história deste livro faz parde da minha e de...

--------------------------------------------------------------------------------

Uma dúvida em português mesmo:

Já que a história deste livro faz parte da minha e de centenas de indivíduos...
Esta acima eu gostei mais. Mas não está correta, certo?

Já que a história deste livro faz parte da minha e da de centenas de indivíduos...
Estranha demais.

Já que a história deste livro faz parte da minha e da história de centenas de indivíduos...
Boa. Mas prefiro a primeira.

Alguma sugestão ou mudança na formação da frase?
Obrigado.


Zaytsev
View Public Profile
Send a private message to Zaytsev
Find all posts by Zaytsev

#2 30th March 2010, 09:24 PM
Outsider
Senior Member Join Date: Feb 2005
Native language: Portuguese (Portugal)
Posts: 25,715

Re: Já que a história deste livro faz parde da minha e de...

--------------------------------------------------------------------------------

Não vejo problema com a segunda. É a que eu normalmente diria e escreveria.
__________________
Deuparth gwaith yw ei ddechrau.


Outsider
View Public Profile
Send a private message to Outsider
Find all posts by Outsider

#3 30th March 2010, 10:50 PM
almufadado
Senior Member Join Date: Feb 2009
Location: Earth
Native language: Português de Portugal
Posts: 3,180

Re: Já que a história deste livro faz parde da minha e de...

--------------------------------------------------------------------------------

Quote:
Originally Posted by Zaytsev
Uma dúvida em português mesmo:

Já que a história deste livro faz parte da minha e de centenas de indivíduos...
Esta acima eu gostei mais. Mas não está correta, certo?

Já que a história deste livro faz parte da minha e da de centenas de indivíduos...
Estranha demais.

Já que a história deste livro faz parte da minha e da história de centenas de indivíduos...
Boa. Mas prefiro a primeira.

Alguma sugestão ou mudança na formação da frase?
Obrigado.

1a como está construida falta a particula da

2a subentende-se que "da de" é "da historia de" que dá inicio à frase -> faz parte da história do livro, da minha, da tua e da deles.

3a Para ser mais exacta a frase teria de ser "da minha história e da de centenas"


almufadado
View Public Profile
Send a private message to almufadado
Find all posts by almufadado

#4 31st March 2010, 12:14 PM
Ishimimoto
Senior Member Join Date: Mar 2010
Location: Portugal
Native language: Portuguese-Portugal
Posts: 134

Re: Já que a história deste livro faz parde da minha e de...

--------------------------------------------------------------------------------

Concordo plenamente com o almufadado, mas só mais uma nota:
Visto que em 'da minha' a palavra minha funciona como um pronome é óbvio que a primeira frase está incorrecta. Seria plausível se fosse por exemplo: 'faz parte de mim e de centenas de indivíduos', mas nesse caso o sentido da frase seria ligeiramente diferente.


Ishimimoto
View Public Profile
Send a private message to Ishimimoto
Find all posts by Ishimimoto




« Previous Thread | Next Thread »


Thread Tools
Show Printable Version

Search this Thread


Advanced Search

Posting Rules
You may not post new threads
You may not post replies
You may not post attachments
You may not edit your posts

--------------------------------------------------------------------------------

BB code is On
Smilies are On
[IMG] code is Off
HTML code is Off

--------------------------------------------------------------------------------

Forum Rules
Forum Jump
User Control Panel Private Messages Subscriptions Who's Online Search Forums Forums Home Spanish-English / Español-Inglés Spanish-English Vocabulary / Vocabulario Español-Inglés Spanish-English Grammar / Gramática Español-Inglés Specialized Terminology Medical Terminology Legal Terminology Financial Terms Computers/IT/Informática Resources - Recursos French French-English Vocabulary / Vocabulaire Français-Anglais Resources Themed Lists French and English Grammar / Grammaire française et anglaise Español-Français Italiano-Français Français Seulement Italian Italian-English Italiano-Español Solo Italiano Portuguese Portuguese Português-Español Other Romance Languages and Latin Sólo Español Catalan Romanian Latin English Only English Only Dictionary Additions German German Español-Deutsch Other Germanic Languages Dutch Nordic Languages Slavic Languages Russian Polish Czech Other Slavic Languages Semitic Languages Arabic Hebrew Other Language Forums Greek Turkish Chinese Japanese Korean Indo-Iranian Languages Hungarian Tagalog and Filipino languages Finnish Etymology and History of Languages Other Languages All Languages Multilingual Glossaries Additional Forums Cultural Discussions Congrats Pages Comments and Suggestions





All times are GMT +2. The time now is 12:11 PM.


-- Default Style ---- Large Fonts ---- Fixed Width ---- Subforums on Top -- Deutsch (Du) -- Dutch -- English (US) -- Español -- Français -- Italiano -- testing Contact Us - WordReference Dictionaries - Privacy Statement - Top


Powered by vBulletin® Version 3.8.4
Copyright ©2000 - 2010, Jelsoft Enterprises Ltd.
Copyright © 2009 WordReference.com


COPYRIGHT DEVIDO AO 2010, JELSOFT ENTERPRISES LTD.

1336 - HISTÓRIA DO LIVRO

ISSN 1518-2541
Hélade, Número Especial, 2001: 3-10



Ana Teresa Marques Gonçalves

Professora de História Antiga do Departamento de História da UFG

e-mail: anteresa@zaz.com.br



Os Conteúdos de História Antiga nos Livros Didáticos Brasileiros




O livro didático de História deveria ser mais um instrumento de trabalho, entre outros, no interior das salas de aula brasileiras. Ele deveria ser uma fonte de consulta confiável e atualizada e também ser empregado como objeto de investigação, por meio do qual seus conteúdos fossem continuamente problematizados, por alunos e professores, e suas interpretações históricas dessacralizadas e criticadas (Lima, 1998: 205).

Contudo, na maior parte das salas de aula, o livro didático converte-se no único recurso teórico-metodológico e de conteúdo empregado pelos profissionais do saber. Os alunos cobram a existência de um manual, os pais dos alunos demandam um roteiro de estudo para os filhos, e os professores, com baixos salários, e com muitos alunos e aulas a serem ministradas, submetem-se, muitas vezes acriticamente, ao conteúdo que está condensado nos livros didáticos. Muitos professores ainda se preocupam em procurar novas informações e novos exercícios para melhorarem suas aulas, mas utilizam para isso outros livros didáticos. Como afirma Nicholas Davies, se o professor não tiver formação e condições financeiras e de exercício profissional adequados, novos mateirais ou linguagens poderão apresentar os mesmos problemas que o livro didático profissional (Davies, 1996: 81). Tem-se que alterar conjuntamente os livros didáticos e a situação do professor.

Parece ainda haver em nossa sociedade o entendimento de que a escola não é um local de construção de conhecimento, mas apenas de difusão de um saber constituído em outras instâncias, principalmente nas Universidades. À Academia competiria a realização de pesquisas e a construção do conhecimento; à escola caberia a reprodução do saber já constituído.

3




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Entretanto, no que se refere aos conteúdos de História Antiga, nem esta relação tem se estabelecido. Uma leitura crítica realizada em alguns livros didáticos de História, publicados no país, é suficiente para demonstrar que eles estão, em sua grande maioria, defasados em termos das pesquisas e dos arcabouços teórico-metodológicos construídos e aplicados nas Universidades. Os livros didáticos não têm sido atualizados, não conseguindo acompanhar as novas descobertas arqueológicas e as novas tendências de conceituação, aplicadas às releituras feitas dos documentos textuais impressos.

Como a maior parte dos professores de ensino fundamental encontram-se, por diversos motivos, afastados das instâncias universitárias, eles não conseguem detectar os problemas de defasagem de conteúdo que se repetem nos livros didáticos. Segundo Sandra C. F. de Lima, afastados da produção do saber histórico, estes não buscam, muitas vezes, acompanhar os debates acerca da produção científica, por meio de leituras de caráter teórico; portanto, submetem-se acriticamente ao saber que é produzido pela academia e condensado nos livros didáticos.

Como afirma Bárbara Freitag, o livro didático não é visto como um instrumento de trabalho auxiliar na sala de aula, mas sim como a autoridade, a última instância, o critério absoluto de verdade, o padrão de excelência a ser adotado na aula (Freitag et alli, 1989: 124). Entretanto, tudo isto ainda seria válido, mesmo visando a reprodução do saber e não a sua construção, se este conteúdo estivesse atualizado. Como os conteúdos de História Antiga se repetem nas várias coleções, e estas, muitas vezes, ao se constituírem buscam idéias nos manuais mais antigos, as desatualizações vão se repetindo através dos tempos.

4




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Na maioria das vezes, os conteúdos de História Antiga aparecem nos volumes das coleções dedicados às quintas ou às sétimas séries do ensino fundamental. E é facilmente perceptível, que nem sempre as equipes, que formulam estas coleções, integram professores especializados em História Antiga. Não contendo especialistas no assunto, estas equipes acabam preferindo repetir informações advindas de outras coleções de sucesso editorial, e, desta forma, repetem erros de conteúdo e de conceituação de forma acrítica.

Sem os especialistas em História Antiga, que nem sempre são consultados para revisar as informações postas nos manuais, diversos conceitos já revistos, algumas vezes já mesmo ultrapassados e substituídos por outros mais adequados ao real vivido no passado, reaparecem com toda força nos livros didáticos. É o caso, por exemplo, do conceito de “decadência”, que reina quase solitário na explicação da crise do Império Romano em nossos livros didáticos. Apesar de sua utilização estar sendo criticada, no meio acadêmico, desde a década de oitenta, e da existência do famoso verbete “Decadência”, feito por Jacques Le Goff para a Enciclopédia Einaudi, no qual este autor apresenta argumentos decisivos para se repensar a utilização deste conceito na explicação de fenômenos do mundo antigo e propõe a sua substituição pelo conceito de “desagregação” do Império Romano (Le Goff, 1994: 375-422), o conceito de “decadência” ainda reina soberano no estudo do mundo romano em nossos livros didáticos.

Outro conceito que se repete de forma acrítica, apesar de sua revisão já ter sido proposta por historiadores brasileiros que trabalham com o materialismo histórico, é o de Modo de Produção Asiático, e dentro desta perspectiva a famosa Hipótese Causal Hidráulica, usada em vários manuais para explicar o aparecimento das primeiras cidades junto aos leitos dos rios. No livro “Modo de Produção Asiático: Nova Visita a um Velho Conceito”, historiadores de referência para o estudo do mundo antigo no Brasil, como Ciro Flamarion S. Cardoso e Emanuel Bouzon, defendem a idéia de que não é válido se querer derivar a civilização, em seus inícios e em certas regiões do mundo, de um fator mono-causal, ou seja, a necessidade de um controle centralizado tanto do abastecimento de água quanto da proteção contra as inundações em zonas áridas ou semiáridas. Esse determinismo simplista, ao mesmo tempo geográfico e técnico, presente nas formulações iniciais de Marx e Engels (e em vários de nossos livros didáticos), não pôde sustentar-se ao ser transformado em hipótese de trabalho submetida a suficiente confrontação empírica: tal hipótese demonstrou ser falsa em todos os casos estudados (Cardoso et alli, 1990: 121-122), mas ainda permanece como válida em muitos dos nossos manuais.

5




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Nas coleções de História, percebem-se duas tendências principais ao se estruturar o conteúdo de História Antiga. Ou se tenta abranger de forma panorâmica todas as civilizações antigas orientais e ocidentais, ou, buscando aproximar o mundo contemporâneo do passado, remete-se o aluno a uma procura das origens de certas instituições atuais, ressaltando-se o valor das civilizações grega e romana, principalmente. No primeiro caso, ao se tentar abranger um conhecimento tão grande, as informações se perdem no contexto geral. Lembramo-nos de um volume de uma coleção, dedicado à quinta série, no qual a civilização persa era tratada em três parágrafos, a civilização chinesa, em cinco parágrafos e a japonesa, em quatro parágrafos. Dessa forma, o aluno apenas sabe da existência destas sociedades ao invés de estudá-las e de buscar compreendê-las.

Acreditamos que seja melhor analisar um conteúdo menos extenso, mas de forma mais aprofundada. Todavia, muitos dos livros que optam por esta estratégia, acabam por incentivar o aluno a empreender uma verdadeira busca às origens do que existe atualmente. Vêem-se as origens do teatro na Grécia, do direito em Roma, da democracia no mundo grego clássico, da reforma agrária na República Romana, da escravidão, como se o que houvesse hoje fosse um mero prolongamento do que houve no passado. Fazem-se estas comparações sem se perceber que o teatro na Grécia tinha um sentido político próprio e muito profundo para o povo grego, inclusive de caráter religioso; que o direito romano foi sendo muito modificado ao longo do tempo, selecionado em suas várias vertentes, principalmente a partir da releitura que lhe foi imposta no Renascimento; que o conceito de democracia ateniense era completamente diverso do aplicado atualmente (vide: Finley, 1988) ; que a tentativa de reforma agrária, proposta pelos Gracos, respondia a anseios muito específicos e tinha uma dinâmica diversa da dinâmica contemporânea (vide: Corassin, 1988); e que a escravidão antiga apresentava características muito próprias, não contendo em si nenhuma questão racial e comportando figuras impensáveis para o mundo moderno, como a do liberto romano (vide: Finley, 1991; Giardina, 1992; Vernant e Vidal Naquet, 1989).

O conhecimento deste passado mais distante é fundamental para a compreensão do presente, mas ele não deve ser encerrado apenas neste caráter utilitário. Este passado deve ser analisado a partir de seu próprio instrumental de análise. Muitas vezes, para se despertar o interesse dos alunos, pode-se, e até mesmo deve-se, começar o estudo de uma civilização, como, por exemplo, a Mesopotâmica, a partir do que ela tem de exótico ou, ao contrário, de parecido com o tempo atual, como a confecção de horóscopos pelos caldeus. Destarte, não se pode ficar apenas nisto. No caso específico do estudo da Mesopotâmica é fundamental explorar com os alunos o conceito de Cidade-Estado, que vai reaparecer no estudo da Grécia Antiga, do mundo romano, e mesmo no estudo das Cidades-Estado modernas, como Florença, Gênova, entre outras (Cardoso, 1987).

6




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Não somos contrários a comparações passado/presente, desde que estas sejam feitas de forma apropriada, sem distorções do que ocorreu no passado. Lembramo-nos de um livro didático no qual se tentava estabelecer a todo custo uma comparação simplista e anacrônica entre a força bélica romana e a força bélica norte-americana, sem se levar em consideração qualquer tipo de diferenciação entre elas. Ao final do exercício proposto ao aluno, a única conclusão possível era de que os Estados Unidos atuais nada mais são que a reencarnação do Império Romano, sem se levar em consideração formas de dominação tão distantes no tempo e no espaço e tão díspares na forma de se realizarem e nos propósitos a serem alcançados. Vide, por exemplo, o estudo feito por Norberto Luiz Guarinello, em um livro paradidático da Editora Ática, Série Princípios, a respeito da noção de “Imperialismo”, diferenciando o imperialismo Greco-Romano de como ele foi pensado nos mundos moderno e contemporâneo. Trata-se do mesmo termo, mas com sentidos diferentes no tempo e no espaço. Na imensa maioria de nossos livros didáticos ainda não se apresentam estas diferenciações.

A ausência de especialistas em História Antiga, nas equipes que confeccionam as coleções de livros didáticos para o ensino fundamental brasileiro, também se faz sentir na hora de se diferenciar o uso de conceitos no próprio estudo das civilizações. Um exemplo recorrente é a questão da “plebe” no mundo romano. Como o mesmo termo “plebe” é usado para significar grupos sociais diversos durante a República e o Império, o aluno fica sem entender o que foi a questão patrício-plebéia. Vai sempre parecer que foi uma luta travada entre pobre e ricos, quando o que estava em discussão eram questões políticas mais do que econômicas. A plebe no período da Realeza e nos primórdios da República era formada por grupos sociais muito diversos dos que viriam a compô-la no período imperial, e isto não é expresso em quase nenhum livro didático existente, possivelmente porque nem os autores conhecem desta diferença.

Além disso, são comuns os aparecimentos de erros de datas, de explicação de processos históricos, de legendas errôneas nas imagens, entre outros problemas. As imagens, na maioria das vezes, são apenas usadas para embelezar o livro, ou no máximo como uma confirmação do que é afirmado no texto. Dificilmente, encontramos obras didáticas nas quais as ilustrações são exploradas como fontes históricas. Inclusive, várias vezes, usam-se pinturas modernas ao se falar da mitologia grega e romana. Então, o que se apresenta ao aluno não são características dos deuses antigos, mas a releitura que o mundo moderno fez de seus atributos.

7




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Ao se relatar as experiências do passado, são poquíssimos os livros didáticos nos quais se atenta para o fato de que muitos dos fatos narrados, nas diversas civilizações apresentadas, ocorreram de forma simultânea. O mais recorrente é que se abram capítulos para cada uma das civilizações. Por exemplo, surgimento, desenvolvimento e crise da civilização egípcia; surgimento, desenvolvimento e crise da civilização mesopotâmica; surgimento, desenvolvimento e crise da civilização grega; surgimento, desenvolvimento e crise da civilização romana. Como se estas sociedades não tivessem interagido entre si. São postas como blocos estanques e nem nos exercícios propostos se tenta incentivar o estudante a compará-las. Há muito mais a preocupação em compará-las com o mundo contemporâneo do que compará-las entre si.

Muitos livros didáticos acabam por se caracterizar não como um material de referência, mas como um caderno de atividades para expor, desenvolver, fixar e, em alguns casos, até avaliar o aprendizado (Programa Nacional do Livro Didático, 2000: 20).

Entretanto, nem nas atividades propostas sobre o mundo antigo impera a criatividade. Ainda se insiste na formulação de questionários, nos quais se avalia a memorização dos alunos, mais do que seu entendimento e interpretação dos conteúdos. São raras as obras didáticas nas quais se encontram exercícios que estimulam a criatividade dos estudantes, nos quais se peçam, por exemplo, a sua opinião sobre os assuntos tratados. E, muitas vezes, quando tentam estimular o aluno a expressar a sua opinião, criam verdadeiros tribunais da História, em que as personagens históricas são julgadas pelas suas ações. Lembramo-nos de um livro didático no qual em cada capítulo a turma era incentivada a criar um verdadeiro tribunal na sala de aula, com advogados de defesa e de acusação para julgar as personagens citadas, como Júlio César, Cleópatra, Nero, Calígula, entre tantos outros já paradigmáticos. Ao invés de estimular o entendimento da História, ela é transformada, desta maneira, numa potência julgadora, na qual imperam os juízos de valor e a transformação destas personagens históricas em verdadeiros estereótipos.

8




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Assim, torna-se interessante perceber que, principalmente nos Manuais do Professor, que acompanham os livros didáticos, aparecem citados, e sugeridos para consulta por parte dos mestres, vários títulos atualizados em termos de História Antiga. Muitas vezes na própria bibliografia do Livro do Aluno, aparecem elencados títulos atualizados. Contudo, estes títulos parecem apenas enfeitar a obra, visto que seu conteúdo dificilmente aparece expresso nos textos que integram o livro didático.

Da mesma forma, buscando atender às modernas técnicas pedagógicas, os livros didáticos e os Manuais do Professor, que os acompanham, tentam incluir propostas de filmes, de livros paradidáticos e de sites a serem consultados na Internet. Todavia, dificilmente se elabora um roteiro para uso dos filmes propostos e alguns títulos apontados são de difícil aplicação, por exemplo, nas quintas séries. Os livros paradidáticos apontados, muitas vezes, são editados pela mesma editora do Livro Didático. E os sites indicados, quase sempre, se referem a endereços eletrônicos de jornais e revistas, para pesquisas, e não sites específicos de História Antiga, nos quais os alunos poderiam encontrar outras informações a respeito do mundo antigo (vide: Rocha, 1997).

Sabemos que é muito mais fácil criticar os livros didáticos existentes do que confeccionar um. Porém, tantos problemas de forma e conteúdo poderiam e deveriam ser evitados, chamando-se especialistas na área de História Antiga ou para integrar as equipes que produzem o manuais didáticos ou para dar pareceres na obra já pronta. Acreditamos que, deste modo, ao menos alguns problemas poderiam ser resolvidos.

Construir a História em sala de aula junto com os alunos não é uma tarefa fácil. O Brasil é um país de multiplicidades econômicas, culturais, regionais. E os livros didáticos também devem ser múltiplos, para responder a esta característica do nosso país. Entretanto, o que se espera é que o professor ao usar um livro didático tenha certeza de ter em mãos um material minimamente adequado à sua tarefa de ensinar, contribuindo, assim, para a real aprendizagem dos alunos.

9




Hélade, Número Especial, 2001: 3-10

Bibliografia

BITENCURT, C. (org.). O Saber Histórico na Sala de Aula. São Paulo: Contexto, 1997.

BORGES, Vavy P. et alli. O Ensino de História: Revisão Urgente. São Paulo: Brasiliense, 1986.

CARDOSO, Ciro F. S. A Cidade-Estado Antiga. São Paulo: Ática, 1987.

__________________ et alli. Modo de Produção Asiático: Uma Visita a um Velho Conceito. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

CORASSIN, Maria Luíza. A Reforma Agrária na Roma Antiga. São Paulo: Brasiliense, 1988.

DAVIES, Nicholas. O Livro Didático: Apoio ao Professor ou Vilão do Ensino de História. Cadernos de História. Uberlândia, 6(6): 81-85, 1996.

FINLEY, Moses I. Democracia Antiga e Moderna. Eio de Janeiro: Graal, 1988.

______________. História Antiga: Testemunhos e Modelos. São Paulo: Martins Fontes, 1994.

_____________. Escravidão Antiga e Ideologia Moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1981.

FREITAG, Bárbara et alli. O Livro Didático em Questão. São Paulo: Cortez, 1989.

GIARDINA, Andrea (org.). O Homem Romano. Lisboa: Presença, 1992.

GUARINELLO, Norberto Luiz. Imperialismo Greco-Romano. São Paulo; Ática, 1987.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Unicamp., 1994.

LIMA, Sandra C. F. de. O Livro Didático de História: Instrumento de Trabalho ou Autoridade “Científica” ?. História e Perspectivas. Uberlândia, 18/19: 195-206, 1998.

NIDELCOFF, Maria Teresa. A Escola e a Compreensão da Realidade. São Paulo: Brasiliense, 1980.

Programa Nacional do Livro Didático: Histórico e Perspectivas. Ministério da Educação / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília , janeiro de 2000.

RADUCH, M. C. Temas de História em Livros Escolares. Porto: Afrontamento, 1970.

ROCHA, Ivan E. 1000 Sites de História Antiga e Arqueologia. São Paulo: Arte e Ciência, 1997.

SILVA, Marcos A . da (org.). Repensando a História. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1984.

VERNANT, Jean-Pierre; VIDAL NAQUET, Pierre. Trabalho e Escravidão na Grécia Antiga. Campinas: Papirus, 1989.

ZAMBONI, Ernesta (org.). A Prática do Ensino de História. São Paulo: Cortez / CEDES, 1984.



Copyright © 2001 Todos os direitos reservados a Ana Teresa Marques Gonçalves



COPYRIGHT DEVIDO À ANA TERESA MARQUES.

1335 - HISTÓRIA DO LIVRO

Livros Didáticos de História:
pesquisa, ensino e novas utilizações deste objeto cultural
Margarida Maria Dias de Oliveira1
I - A escola na dianteira da academia: as pesquisas sobre livro didático de História
No Brasil, após a redemocratização, iniciada no final da década de 70 do século XX, realizou-se uma série de trabalhos que atribuíam ao livro didático diversos problemas, e isto atingia diretamente a qualidade da educação.
Estes trabalhos estavam corretos e cumpriram um papel fundamental. As avaliações sistemáticas e cada vez mais aperfeiçoadas, empreendidas pelo Ministério da Educação por meio das Universidades, vêm, desde meados da década de 90 do século XX, garantindo que cheguem às escolas livros sem erros ou falhas na sua editoração.
As primeiras pesquisas sobre a utilização sobre livros didáticos – ainda no final da década de 70 do século XX - são frutos de experiências ditas “alternativas” em sala de aula. Relatam experiências de ensino com fontes primárias, com músicas, com teatro, com filmes/vídeos, com estudos do meio, com fichas de leitura, com produção de textos, entre outras.
Posteriormente, com o desenvolvimento das pesquisas, concentradas nos programas de pós-graduação em educação, temos um outro quadro. Inicialmente se concentraram na externalidade da sala de aula: leis, currículos, livros didáticos. Só atualmente vêm caminhando para a internalidade da sala de aula, isto é, os temas anteriormente citados continuam sendo analisados, mas nas suas inter-relações com o que se faz dentro da escola e da sala de aula. Como são interpretados esses elementos formais da educação pelos seus agentes sociais.
Num primeiro momento, os trabalhos sobre livros didáticos de história, centraram-se nas denúncias de uma “ideologia dominante” contida nestes, da ausência de determinados temas nos mesmos, ou até de tratamentos errados de alguns temas ou fatos pelos autores de livros didáticos. Foram importantíssimos, pois mapearam um elemento que se tornou indispensável nas escolas. Hoje, porém, requer novos enfoques: a formação inicial dos professores e a relação autores/editoras/indústria cultural podem ser assinalados como uma amostra desses novos caminhos.
É extremamente importante que se estimulem novos caminhos para a pesquisa do livro didático. Convênios entre agências de fomento e o Ministério da Educação, no sentido de abrir
1 Professora do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. 1
possibilidades de financiamentos de pesquisas sobre livros didáticos, seriam fundamentais para produção de novos conhecimentos.
O valor do livro didático engloba aspectos pedagógicos, econômicos, políticos e culturais. Portanto, pesquisas deveriam observá-los. Além disso, seria útil encontrar instrumentos de pesquisa confiáveis para avaliar a eficiência e a eficácia deles.
As pesquisas que estão buscando a internalidade das salas de aula têm, de certa forma, comparado os diversos modos de aprendizado, o que é muito significante e deveria ser mais desenvolvido.
Contudo, apesar das variadas possibilidades, o aspecto mais estudado é a importância político-ideológica dos livros didáticos, por isso afirmamos que, nesse caso a escola se coloca como vanguarda em relação as universidades visto que, por meio da vivência em suas salas de aulas têm experiências para muito além da “denúncia” das faltas, erros e/ou ideologias do livro didático de História.
Há, por isso, um leque de possibilidades aberto para futuras pesquisas. A gama de representações sobre o livro didático é uma delas, inclusive lembrando que se para o estudante, ele é um início, para o professor, é a condensação e o tratamento didático de um conhecimento. Sua utilização em sala – por professores e alunos – também é um caminho que precisa ser mais bem compreendido.
II - Concepção de livro e materiais didáticos
Estamos entendendo como livro didático “um material impresso, estruturado, destinado ou adequado a ser utilizado num processo de aprendizagem ou formação”.2 A complexidade desse objeto, sim porque o livro didático não é “apenas” um livro, tampouco o é no sentido mais usual do termo, para ser lido, da primeira à última página. O livro didático precisa ser entendido como parte da história cultural da nossa civilização e como objeto que deve ser usado numa situação de ensino e aprendizagem e, nessa relação há vários sujeitos: o(s) autor(es), editor, trabalhadores, e, sobretudo, professores e alunos.
2OLIVEIRA, João Batista Araújo et all. A política do livro didático. São Paulo: Summus; Campinas: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1984.
2
Esse objeto tem significados diferenciados para cada um desses sujeitos e, como já assinalado em uma pesquisa,3 pode, inclusive, ser referência de “status” em algumas ocasiões.
O livro didático é um instrumento que precisa ser mais bem utilizado pelo professor. O que estamos entendendo como melhor utilização é a exploração mais adequada das suas potencialidades.
Por exemplo, iniciar o trabalho com os alunos sobre um conteúdo pelas imagens contidas no livro didático e não pelo texto. Muitas vezes, o professor, preocupadíssimo em cumprir o programa e entendendo que sua missão é “expor uma matéria” vista conforme o que está no livro, deixa de utilizar um potencial importantíssimo do material didático, inclusive, levando em consideração que nossa cultura é muito visual e que os alunos têm seus olhares direcionados para as imagens4.
Outros instrumentos apresentados ou sugeridos nos livros didáticos também podem ser mais bem utilizados. No caso dos específicos de História: documentos transcritos como leituras complementares ao final de capítulos, mapas históricos e tarefas a serem desenvolvidas que, muitas vezes, não são de fixação de informações, mas de pesquisa, incentivadoras de debates e também poderiam ser motivadoras iniciais de novos conteúdos. Sugestões de filmes, séries televisivas, história em quadrinhos, charges, ou seja, recursos que têm a imagem como veículo fundamental necessitam de novos aportes informacionais para que sejam, adequadamente, trabalhados pelo professor.
Sobre todas essas questões, poderiam incidir os programas de formação continuada nos quais o foco seria: contribuir para um exercício docente que atingisse melhor seus objetivos, que,
3 Para entender a variedade de relações e representações sociais sobre esse objeto ver a citação a seguir como exemplo: “Para parcelas de alunos oriundos das camadas populares, a posse do livro associa-se a “status”, embora represente um ônus em seu parco orçamento como exemplifica a argumentação de um aluno em reação à proposta da professora em não adotar livro em um curso da periferia de São Paulo, valorizando a segurança que este material oferecia quando das “batidas” de policiais em ônibus ou ruas. A posse do livro garantia uma certa situação social privilegiada, a possibilidade de um tratamento diferenciado pelas autoridades policiais”. In: BITTENCOURT, Circe Maria Fernandes. Livro didático e conhecimento histórico: uma história do saber escolar. São Paulo: DH/FAFICH/USP, 1993. (Tese de Doutorado). P. 2.
4 A diversidade de abordagens sobre essas questões é representada por uma significativa e estimulante bibliografia. KOSSOY, Boris. Fotografia & História. 2. ed. rev. São Paulo: Ateliê Editorial, 2001; JOLY, Martine. Introdução à analise da imagem. Campinas, SP: Papirus, 1996 (Coleção Ofício de Arte e Forma); VOVELLE, Michel. Imagens e Imaginário da História. Fantasmas e certezas nas mentalidades desde a Idade Média até o século XX. São Paulo: Editora Ática, 1997; KOSSOY, Boris. Realidades e Ficções na Trama Fotografia. São Paulo: Ateliê Editorial, 2002; BURKE, Peter. Testemunha ocular. História e Imagem. Bauru, SP: EDUSC, 2004; MANGUEL, Alberto. Lendo Imagens: uma história de amor e ódio. São Paulo: Companhia das Letras, 2001; DUARTE, Rosália. Cinema & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2002; FISCHER, Rosa Maria Bueno. Televisão & Educação. 2. ed Belo Horizonte: Autêntica, 2003; VANOYE, Francis. Ensaio sobre a análise fílmica. Campinas, SP: Papirus, 1994. (Coleção Ofício de Arte e Forma).
3
servindo-se do material didático mais utilizado, mais acessível – porque fornecido pelo Estado – garantisse a professores e alunos resultados mais satisfatórios.
Como já ressaltado em documento do próprio Ministério da Educação5, há a necessidade de prover as escolas de outros materiais didáticos, além do livro. Atlas históricos, cd-rom específicos para a área, coletâneas de documentos históricos, os chamados livros paradidáticos que tratam de temas ou de aspectos de conteúdos históricos e jogos6 são fundamentais para o ensino.
III – A importância da escolha dos livros didáticos
Nenhum profissional deseja que tenhamos um único tipo de livro didático - o que se defende é a qualidade na diversidade.
No processo de escolha dos livros didáticos, é importante que sejam observados todos os aspectos enumerados nas resenhas do Guia do PNLD 2007, afinal, o livro não se restringe ao texto. A partir da leitura atenta das resenhas que estão à disposição no Guia do PNLD 2007 será possível a escolha do livro coerente com o projeto político-pedagógico da escola, com a realidade na qual a escola se insere, com as concepções de sociedade, educação e história.
A avaliação destas obras foi feita por profissionais que conhecem o Ensino Fundamental e refletem sobre ele. Outra avaliação será realizada por professores e alunos e o objetivo é sempre a formação de cidadãos que pensem historicamente e, com isso, também, conquistem sua cidadania plena e ajudem a construir uma sociedade cada dia mais democrática.
Além da informação profissional necessária, tempo e instrumentos são fundamentais para essa escolha. O Guia do PNLD tem sido um desses instrumentos, é preciso que o professor assuma-se como sujeito avaliador – o mais importante - porque a partir das informações fornecidas pela realidade de trabalho.
III. 1. Uma breve caracterização das Coleções presentes no Guia do PNLD 2007
As coleções e livros didáticos regionais foram avaliados no sentido de atender às necessidades de professores e alunos, possibilitando-lhes trabalhar conteúdos com propriedade, evitando veicular, construir e/ou reproduzir noções preconceituosas e informações errôneas, Faz-se
5 BATISTA, Antônio Augusto Gomes. Recomendações para uma política pública de livros didáticos. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Fundamental, 2002
6 Há uma empresa que vem trabalhando no resgate de jogos de outras épocas históricas e de outras sociedades como forma de demonstrar que informações e valores contidas nesses jogos são representativas da visão de mundo daqueles povos. Para maiores informações, visitar o site www.origem.com.br.
4
premente frisar que o conhecimento histórico obedece a critérios e procedimentos inerentes da disciplina História - portanto, estes são aspectos que devem estar explicitados nas obras.
É fundamental que os livros didáticos lancem mão de abordagens pautadas na pluralidade de realidades sociais, econômicas e culturais, além de contribuir para a formação cidadã do educando a reflexão e a construção de conceitos, como tolerância, liberdade e democracia.
Podemos perceber que 97 % dos livros incorporam renovações nas áreas de História e de Pedagogia, problematizando presente-passado e possibilitando ao aluno a percepção da construção do conhecimento histórico. Trabalham organizando o conteúdo por eixos temáticos, por temas-conceituais ou temáticas escolhidas. Percebemos, também que, em geral, os livros destinados às primeiras e segundas séries são mais de acordo com as inovações pedagógicas e históricas. Isto não se mantém para os livros de terceira e quarta séries, que trabalham mais numa linha tradicional, baseados em textos e perguntas.
Há 16 coleções que apresentam e relacionam as fontes com a construção do conhecimento histórico; há quatro em que um capítulo ou parte de um dos volumes trabalha vultos e fatos, e há 10 obras que apresentam fontes, porém não as relacionam com a produção histórica.
Em relação à concepção pedagógica, apenas uma coleção completa foi caracterizada como tradicional, tendo as demais incorporado parcial ou totalmente as renovações da área. No entanto, oito ainda trazem, como principal atividade da obra, exercícios do tipo pergunta-resposta, “velhos questionários” dos pontos de história, em que a capacidade requerida era decorar.
Quase todas coleções trabalham os conteúdos no sentido de desenvolver a formação da cidadania e atualizaram-se em relação aos novos temas hoje em discussão. Há o cuidado com que as coleções dialoguem com o professor através do Manual do Professor, ou similar, transformando-o em auxiliar na prática pedagógica. Contudo, nem todas apresentam e discutem as concepções pedagógicas e históricas adotadas na elaboração da obra, ou sugerem textos complementares para a atualização docente.
De forma geral, as coleções apresentam-se com visual agradável e adequado ao nível de ensino a que se destinam. Percebemos que os problemas de revisão são os que requerem maior cuidado por parte das editoras.
Podemos afirmar que ao menos dois terços das coleções tratam da diversidade das fontes históricas, utilizando vários documentos de natureza diferente, como certidão de nascimento, carteira de identidade, carteira de vacinação, carteira de estudante, título de eleitor, jornais de época, publicidades, anúncios, fotografias, pinturas (reprodução), entrevistas, músicas, plantas de cidades, cartografia de outras épocas e atuais, bem como chamam atenção para outras fontes materiais, como 5
brinquedos, roupas, comidas, objetos de uso diário de outros tempos, permitindo ao aluno a percepção da metodologia histórica e da construção do conhecimento histórico.
III. 2. Uma breve caracterização dos Livros Didáticos Regionais presentes no Guia do PNLD 2007
São classificados como Livros Didáticos Regionais aqueles que pretendem trabalhar com a história delimitando um recorte espacial, podendo ser uma capital ou um estado do país. Normalmente, são destinados à 3ª ou 4ª séries do Ensino Fundamental. São 27 obras para a escolha das escolas, e dentre elas, 13 ainda propõem a organização dos conteúdos na periodização tradicional da história: períodos colonial, imperial e republicano brasileiro. Oito livros organizaram-se por temáticas que orientam os conteúdos propostos, quatro propõem trabalhar com a chamada História Integrada, relacionando pontos da História Geral com a do Brasil e a Regional. Somente duas utilizaram o recurso literário ficcional para conduzir a estrutura da obra.
Os conteúdos com ênfase político-institucional ainda predominam nos Livros Regionais (12). Mas encontramos obras que se alinham às renovações da área de história trabalhando com o cotidiano e a cultura material, ou com questões sociais. Temos também um grupo significativo (7) que dão ênfase aos ciclos econômicos.
Temos nove Livros Regionais que priorizam os personagens ilustres e fatos político-institucionais em suas abordagens históricas. Apenas cinco apresentam e relacionam fontes com a construção do conhecimento histórico, e a maioria (13) não trabalha com heróis e fatos encadeado, mas, quando apresentam fontes, não as relacionam com a produção histórica.
Quanto aos princípios pedagógicos, encontramos 10 obras caracterizadas como tradicionais e 17 como inovadoras. A maioria busca desenvolver capacidades e habilidades básicas através de propostas didáticas diversificadas e criativas, fugindo dos tradicionais questionários. Porém, temos oito livros que se apóiam predominantemente em exercícios do tipo pergunta-resposta.
Identificamos somente uma obra que não se preocupa com a formação para a cidadania, em sua proposta de trabalho. Grande parte do Manual do Professor (ou similar) que acompanha o Livro Regional auxilia o trabalho docente, indicando sugestões de leituras complementares, discutindo a proposta pedagógica adotada. Porém, ainda temos um número significativo (12) de Manuais que apresentam partes sucintas, incompletas ou deixam de abordar elementos importantes para a prática pedagógica, tornando-se, assim, insuficientes para auxiliar o professor na utilização do livro em sala de aula.
6
Dos Livros Regionais, quase todos (24), são agradáveis visualmente, apresentando belas imagens, bem coloridos e, às vezes, organizados com ícones. São apenas três do total que apresentam algum problema no conjunto gráfico. Já em relação à revisão, encontramos 13 obras apontadas com problemas nesta área, como ausência de informações sobre as imagens utilizadas, fontes, bibliografia; ou dados equivocados em legendas, datas, ortografia ou digitação.
III. 3. Cuidados que o professor deve ter no processo de escolha
É fundamental que o professor examine se a coleção ou o livro regional a ser escolhido é adequado para suprir as exigências de seu universo escolar e se poderá ser adaptado à situação concreta dos alunos da escola. Alguns pontos que o professor deve verificar são centrais:
• Se a coleção é adequada ao projeto pedagógico da escola;
• Se a linguagem e as referências são mais adequadas para alunos de cidade grande, de porte médio ou pequeno; de regiões urbanas ou rurais;
• Se há grande complexidade de textos ou de atividades, o que supõe mais atenção do professor ao conduzir suas práticas docentes.
IV - Por ações que potencializem o livro didático
Há necessidades de ações junto a formação inicial e continuada dos professores e também no fornecimento de subsídios informacionais e didáticos aos professores.
No que concerne à formação continuada de professores, por exemplo, seria fundamental o incentivo à criação de Cursos de Especialização em parceria com as Secretarias de Educação e com as Instituições Federais de Ensino Superior que tenham como objeto das disciplinas as potencialidades de trabalhos presentes nos livros didáticos. Isso faria com que o professor dos ensinos fundamental e médio participasse ativamente da discussão do livro didático, proporcionando não só a troca de informações (experiências vivenciadas em sala de aula e análises produzidas sobre os livros didáticos) como a reflexão para novas abordagens e utilizações desse objeto, além de contribuir para a autonomia deles na avaliação dos livros didáticos.
Incentivar a criação de Bibliotecas Didáticas que poderiam subsidiar programas de extensão que tenham como base o livro didático de História.
Incentivar a criação de sites/bancos de dados que fornecessem informações sobre imagens mais utilizadas nos livros didáticos (se é foto, pintura, gravura, estatuária, monumento; sua 7
localização, datação, autor, o porquê da utilização dessa imagem etc.), outras imagens – não tão utilizadas - relativas aos mesmos temas, para que pudessem ser exploradas em sala de aula.
Numa articulação efetiva com o Programa Nacional Biblioteca na Escola, viabilizar-se uma publicação e programas na TVs e Rádios Educativas que articulasse os livros de Literatura e História, incentivando o trabalho interdisciplinar e a ampliação do conceito de livro didático para professores e alunos.
Incentivo ao registro de experiências vivenciadas em sala de aula, tendo o livro didático como centro do processo, tanto por professores quanto por alunos.
Incentivos a projetos que proporcionem ao professor olhar para sua sociedade como fonte inesgotável de recursos e materiais didáticos como museus, praças, jornais, roupas, objetos etc.
IV. 1. Uma experiência7
O quadro “Independência ou Morte!”8 de autoria do pintor Pedro Américo, tem sido utilizado como imagem do processo de Independência política do Brasil na maioria dos livros didáticos. Convidamos os professores a iniciarem este tema na sala de aula pelas imagens presentes no livro didático que está sendo utilizado.
Seria de extrema importância ler o texto de autoria do pintor Pedro Américo intitulado “A pintura”9 e ver as justificativas do mesmo para os “erros” que vêm sendo apontados na obra, desde sua apresentação ao público. A partir deste texto o professor pode organizar, inclusive, a apresentação de trechos do mesmo onde o autor explica o porque das suas escolhas. É interessante, inclusive, para fazer uma comparação com as escolhas feitas pelos profissionais de história (pesquisador ou professor): porquê trabalhar determinados temas e não outros, como tratá-los etc.
Há ainda a possibilidade de outras interpretações do fato representado10 ou, até mesmo, de re-leituras da obra11. Sugere-se, também, a “desconstrução” da obra,
7 Oficina “Uso e abuso do livro didático de História” organizada por Margarida Maria Dias de Oliveira, João Maurício Gomes Neto e Wesley Garcia Ribeiro Silva, em novembro de 2005.
8 Independência ou Morte! Pedro Américo, 7,60x 4,15 m. Museu Paulista – USP. Fotografia de José Rosael.
9 Publicado em: OLIVEIRA, Cecília Helena de Salles e MATTOS, Cláudia Valladão de. (orgs.) O Brado do Ipiranga. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo: Museu Paulista da Universidade de São Paulo, 1999. (Anexo 1)
10 Ver anexo. Imagem também muito presente nos livros didáticos. Proclamação da Independência. François-Rene Moreaux, 2,44 x 3,83 m, 1844. Museu Imperial de Petrópolis. Fotografia de Rômulo Fialdini. (Anexo 2)
11 Ver anexo. SOUSA, Maurício de. História em quadrões. São Paulo: Globo, 2002. (Anexo 3) 8
recortando-o em quadrados, fazendo uma espécie de quebra-cabeças e analisando quadro por quadro.
Ilustração 1: Anexo 1 9
Ilustração 2: Anexo 2
Ilustração 3: Anexo 3 10



COPYRIGHT DEVIDO AO AUTOR DO TEXTO.

1334 - HISTÓRIA DO LIVRO

qui
10
fev

2000Autor:Miguel Duclós
~22.862 acessos 14 Comentários »
Ensino, Textos Introdutórios.
Nesse texto você estuda sobre: Agostinho, Apologia de Sócrates, correntes filosóficas, cultura grega, Descartes, Dialética, dicionários de filosofia, direito natural, ensaios, Ensino, Ensino Médio, Estoicismo, Filosofia Medieval, filosofia no brasil, filósofo, formas de governo, História da Filosofia, História da Filosofia Antiga, Idéia, indicações, Interpretação, Jean-Jacques Rousseau, Lisboa, Locke, não filósofos, natureza, Origem do Mal, os fins justificam os meios, Pascal, pensadores, Platão, príncipe, Razão, Renascença, renato janine ribeiro, revolução industrial, Santo Agostinho, século XIX, sugestões de livro, teoria política, textos clássicos, Thomas More, Utopia, Voltaire, e mais.

|

Lista de Livros Sugeridos para estudantes do ensino médio ou iniciantes em Filosofia



Índice
Link
Comentários (14)

Lista de Livros Sugeridos para estudantes do ensino médio ou iniciantes em Filosofia



--------------------------------------------------------------------------------

Após a leitura desta bibliografia você saberá as principais correntes e pensadores da História da Filosofia, além de adquirir uma boa base para futura especialização em alguma área e domínio do vocabulário técnico da filosofia. Note que alguns dos livros não tem apenas iniciantes como público-alvo, mas podem ser usados por estes sem problemas. Recomendo também uma busca no catálogo das bibliotecas da FFLCH – USP para achar os dados de publicações sobre filosofia em português ou em outras línguas.Esta lista serve tanto a estudantes aplicados do ensino médio quanto para pessoas de outras áreas que desejam adquirir mais solidez intelectual e conceitual em seus trabalhos. Os livros que menciono como estando no catálogo das editoras provavelmente podem ser adquiridos numa boa livraria, como a Livraria Cultura ou o Submarino. Outros títulos podem ainda ser pesquisados em Sebos. Esta lista pode ser aumentada ou modificada ocasionalmente. Sobre a editora Martin Claret: Essa editora vêm publicando uma lista impressionante de obras clássicas de filosofia a um preço bem mais acessível que o de outras editoras, porém não recomendo que você adquira sequer um exemplar. Edições mal-cuidadas, traduções monstruosas, ou pior, plagiadas ou forjadas sob o nome de algum laranja de quem ninguém nunca ouviu falar são alguns dos problemas relatados dessa editora, embora eu não tenho como demonstrar isso agora. Prefira sempre uma grande casa, que tenha um responsável conhecido cuidando. Algumas editoras que costumam editar boas traduções de filosofia: Calouste Gulbenkian (Portugal), Edições 70 (Portugal), Martins Fontes, Companhia das Letras, Zahar Editores e as universitárias: UNESP, Edusp, Unb.


Em primeiro lugar, a publicação mais séria, de grande pioneirismo e alcance na difusão da filosofia no Brasil e dos textos clássicos, foi editada pela Abril Cultural: a coleção “Os Pensadores”. Elaborada a partir dos anois 70, quando os departamentos de filosofia já amadureciam sua produção, idealizada por José Américo Mota Pessanha, esta coleção é composta de 54 volumes, cada um contém ou o principal livro do autor, ou alguns dos seus textos completos, ou ainda – como é o caso do volume Nietzsche – uma seleção de trechos. Além disso, há sempre uma introdução com vida e obra, coordenada por um profissional responsável, geralmente um estudioso do assunto. Os pensadores abordados são os mais importantes e clássicos da filosofia, e alguns volumes são dedicados a mais de um autor. O primeiro volume é uma História da Filosofia do Will Durant, que se encontra editada em várias outras versões (veja abaixo). Muitos dos livros e das traduções desta coleção também figuram em outras edições .

Existem várias edições de “Os Pensadores”. A melhor é a primeira, feita a partir de 1974, que tem uma capa azul dura. Ela é facilmente encontrada em vários sebos nos centros urbanos, e alguns inclusive vendem a coleção completa. Nesta primeira edição, a “vida e obra” vem em encartes separados, em papel de luxo com ilustrações coloridas. Geralmente os sebos vendem os livros sem o encarte, mas se você tiver sorte, pode achar os dois juntos. Além dos sebos, qualquer biblioteca que se preze em sua cidade há de ter esta coleção na seção de Filosofia. Isto também vale para os outros livros fora de catálogo citados neste índice.

Se você não conseguir achar a primeira edição, até a terceira edição – a de capa branca com a foto de um filósofo na capa, da década de 80 – mantém o conteúdo inalterado. As edições posteriores a essa, porém, fragmentam ou mutilam o conteúdo, portanto não é desejável que você as adquira.

Histórias da Filosofia
Evidentemente eu não estou a par dos últimos lançamentos nem conheço todos os livros de História da Filosofia, que formam um mercado editorial vastíssimo. Posso, porém , comentar e recomendar as seguintes Histórias da Filosofia :

Chatêlet, Fançois (direção) História da filosofia: idéias, doutrinas Zahar editores, 1974. R.J . Tradução. de Maria José de Almeida- em 8 volumes. Essa coleção é divida por períodos históricos e correntes filosóficas, e não por pensadores. São convidados diversos professores para escrever os artigos em cada área. Essa coleção pela Zahar está esgotadíssima, mas existe também uma tradução portuguesa pela Guimarães.
Bréhier, Emile. Historia De La Filosofia. Buenos Aires : Sudamericana, 1962 – em 3 volumes. Há uma tradução para português publicada pela editora Mestre Jou, mas está esgotadíssima. De qualquer forma, ela pode ser consultada em espanhol nesta edição argentina. Destaque para os textos de filosofia antiga, como o estoicismo, do qual o autor era um estudioso.
Russel, Bertrand . História da Filosofia Ocidental - em 4 volumes. Esse obra tem várias edições em várias editoras, por isso não coloquei nenhuma específica. Me parece que já faz algum tempo que ela não é reeditada, de qualquer forma, é bastante fácil de ser achada em sebos ou bancas de livros usados. Bertrand Russel é um importante matemático, lógico e filósofo científico. Desta forma, não é de se espantar que ele não limite sua tarefa de historiador a explanações sintéticas. Russel analisa os filósofos, criticando-os segundo suas opiniões, elegendo-os segundo uma “hierarquia”, chega mesmo a desqualificar alguns importantes, como Nietzsche e Platão. Todavia, sua erudição é incontestável, bem como a qualidade de seus textos. Leia com cuidado para não se deixar influenciar demasiadamente.
Reale, Giovanni . História da Filosofia Antiga. Giovanni Reale é um professor italiano especialista em Platão, atualmente um dos que mais conhecem filosofia antiga. Isso não transforma essa sua História da Filosofia Antiga em algo que só pode ser compreendido por eruditos. Pelo contrário, seu estilo explanatório e prolixo levará o estudante a tirar de letra os mais complexos conceitos da filosofia platônica, aristotélica etc. Apesar disso, também empurra para o estudante o resultados de suas reflexões originais, como a teoria das doutrinas não-escritas de Platão. É autor junto com Dario Antiseri de outra História da Filosofia. (ver abaixo). Esta obra se encontra no catálogo das livrarias, embora tenha um preço muito salgado.
Reale, Giovanni. e Antiseri, Dario. A História da filosofia. Editora Paulus. 1990. – em 3 volumes. Aqui temos um resumo de cerca de 30 páginas para os principais filósofos. O resumo é muito bem feito, no geral, e consegue explicar para os estudantes os principais pontos relativos a um autor. Feito para o colegial italiano, é mais avançado até que alguns cursos universitários brasileiros. É engraçado o enorme espaço dado aos filósofos italianos, como Maquiavel e Campanella. Estes volumes se encontram à venda nas principais livrarias. Agora está sendo também constantemente editado.
Durant, Will. História da Filosofia, em um volume. Bem, este é o primeiro volume dos Pensadores que mencionei acima. Embora, este livro tenha um escopo bem menor do que os outros até agora mencionados, resolvi incluí-lo. Will Durant é um escritor americano que consegue simplificar de forma absorvível as idéias contidas no livro principal de alguns autores. Ele comete algumas omissões intoleráveis para uma História da Filosofia que pretende abarcar todas as épocas, mas apresenta um bom resumo dos autores que aborda. É facilmente encontrado à venda.
Gilson, Etiénne. e História da Filosofia Moderna. – Talvez não seja apropriado recomendar estes livros para iniciantes. Eles ganharam tradução pela editora Martim Fontes. Gilson é, talvez, o maior comentador de Filosofia Medieval que existe, seu livro traz tudo o que precisa ser conhecido sobre este período, com uma notável erudição. Adicionalmente, trata muito bem os filósofos modernos, especialmente os do século XVII.
Livros da Professora Marilena Chaui
Dentre os inúmeros campos de atuação desta professora – que vem formando gerações de filósofos -, se inclui a luta pela volta da filosofia para o segundo grau e a divulgação da filosofia para leigos. Neste aspecto, são particularmente interessantes estes três livros, adotados como padrão em muitas escolas .

Chaui, Marilena. Introdução à história da filosofia. Conteúdo do v.1- dos Pré-Socraticos a Aristóteles. Esta obra foi projetada para ser publicada em 3 volumes, porém até agora somente o primeiro volume – sobre filosofia antiga, foi lançado. Facilmente encontrado em livrarias.
Chaui, Marilena - Primeira filosofia : lições introdutórias : sugestões para o ensino básico de filosofia. – Esse eu não li, mas é bastante usado pelos professores do segundo grau. Existe um volume chamado Primeira Filosofia com textos preparados por professores da USP.
Chaui, Marilena – Convite a filosofia - Este é o livro mais clássico e completo da professora no quesito introdução à filosofia. A divisão do livro é muito interessante: temática, explana os principais tópicos da investigação filosófica para o aluno. Constantemente reeditado e revisto. A nova edição aborda na introdução o famoso filme Matrix.
Obras de Referência - Dicionários
Úteis tanto para estudantes avançados quanto para iniciantes, os dicionários de filosofia são, na verdade, indispensáveis. Eles ajudam a não nos perdermos em meio ao vasto vocabulário técnico da filosofia, e a não misturar o significado filosófico de um conceito com o seu uso corrente, como é o caso de vários verbetes : alienação, ceticismo, ética etc. Para uma apresentação de vários dicionários, ver essa seção do Diretório de Links do site.

Dicionário Básico de Filosofia – Hilton Japiassu e Danilo Marcondes. – Sem dúvida o melhor empreendimento deste gênero de autoria brasileira. Os verbetes vão direto ao ponto e procuram mostrar diversas definições de um mesmo conceito. Possui ainda verbetes com vários filósofos, explicando seu tópico central. Da Zahar Editores, facilmente encontrado nas livrarias.
Dicionário de Filosofía – de José Ferrater Mora .- Na minha opinião, o maior dicionário de filosofia já feito. Uma construção simplesmente monumental. Sua última edição revista e atualizada tem 4 volumes. Cada verbete gera praticamente um artigo, constituindo assim uma história dos conceitos. Há ainda um índice de filósofos e uma bibliografia para cada um deles. A tradução para o português é recente, mas não compre um resumo, somente o texto integral. O original é em espanhol, pela Editora Alianza, de Madrid. As versões antigas podem ser encontradas em sebos e as novas em livrarias estrangeiras. Em ambos o caso, o preço é caríssimo.
Dicionário de Filosofia – Niccola Abbagnano – com várias edições, em especial a da Editora Mestre Jou, de São Paulo 1982. – um dos mais completos e eficientes dicionários disponíveis. Facilmente encontrado nas livrarias.
Vocabulário Técnico e Crítico de Filosofia – De André Lalande, posteriormente ampliado pela Sociedade Francesa de Filosofia. Também com várias reedições, como a da Editora Martins Fontes, São Paulo, 1996. Esse é o mais conhecido e usado dicionário. Dá ênfase à historiografia dos verbetes e às suas etimologias. Apresenta diversas citações no original, com suas respectivas traduções. Infelizmente, patina em alguns pontos, pois dá importância exagerada à alguns verbetes e praticamente ignora outros. Por exemplo, o verbete paradoxo meio que ignora o significado mais comum do termo na filosofia. De uma maneira geral, funciona muito bem até Kant, mas está ultrapassado para as correntes do século XX, principalmente da segunda metade do século XX. Facilmente encontrado em livrarias.
Comentadores específicos de um autor

Eis um ramo que tem crescido muito e no qual é preciso tomar cuidado para separar o joio do trigo. Como ainda estou empenhado nesta árdua tarefa, a lista se encontra extremamente enxuta.
Dicionários de Filósofos – é uma coleção editada pela Jorge Zahar com vários volumes já publicados. Embora eles pudessem constar na seção de Dicionários acima, decidi incluí-los aqui, pois são dicionários temáticos sobre um filósofo. Estes dicionários são elaborados por especialistas e trazem de 100 a 150 verbetes sobre os conceitos e as obras de um autor. Assim, se você quiser consultar, de forma breve, o que é direito natural em Locke, ou estado de natureza em Rousseau, ou o cogito em Descartes, a dialética em Hegel esta é a publicação adequada. Os principais verbetes ocupam várias páginas, e tem uma explanação bastante satisfatória. Eu conheço os volumes Rousseau, Locke, Descartes e Wittgenstein, embora haja outros que seguem o mesmo padrão. Editado recentemente.
Prefácio a Platão – de Erick Havelock. Este livro deve fazer parte da biblioteca básica de qualquer estudante de filosofia. O autor elucida a teoria de Platão traçando paralelos constantes com a cultura grega em geral. Disponível em livrarias
Sócrates – de Francis Wolf , ed. Brasiliente, São Paulo, 1982 – Este livreto faz parte da coleção “Encanto Radical” , que apresenta vida e obra de vários personagens da cultura, história, filosofia etc. O volume Sócrates é escrito por Wolff, um competente helenista francês. Disponível em livrarias
Nietzsche – Uma filosofia a marteladas – de Scarlett Marton. “Coleção Encanto Radical”. Embora a autora tenha refinado bem mais os escritos sobre sua paixão – Nietzsche – desde a publicação deste livro em 1983, ele se mantém uma interessante introdução em estilo ensaístico a este polêmico autor. Encontra-se em livrarias. Outros livros da mesma autora, que é professora da USP e coordenadora do Gen – Grupo de Estudos Nietzsche: Nietzsche – a Transvaloração dos valores – Extravagâncias – Ensaios sobre a filosofia de Nietzsche. Da mesma maneira, existem outros volumes da coleção Encanto Radical, como o volume sobre o filósofo Pascal, feito pelo professor Gérard Lébrun.
Alguns textos clássicos que podem ser absorvidos por iniciantes.
O diálogo em torno de um autor clássico nunca se esgota, e é por isso mesmo ele é considerado clássico. Mas você pode ter diversos níveis de leitura num mesmo texto. As releituras são sempre bem vindas, pois com elas amadurecemos as questões, fazemos relações e analogias, absorvemos melhor o conteúdo. Além disso, nenhum comentador pode substituir a leitura da obra de um filósofo, sem intermediações. Separei uma lista de textos clássicos que na minha opinião podem ser lidos pelos iniciantes em filosofia. Muitos destes textos se encontram na já citada coleção Os Pensadores. Os comentários a estes livros, muito simples, são dirigidos aos estudantes que ainda não os leram. A lista também é só uma sugestão, e poderia ser outra.

Apologia de Sócrates – de Platão. Disponível para leitura, sem maiores comentários aqui no nosso site. Este é um clássico absoluto. Platão apresenta como poderia ter sido a defesa de Sócrates diante do democrático tribunal ateniense, quando acusado por Anito e seus comparsas de corromper os jovens e negar os deuses do estado. Teria sido Sócrates realmente um mártir? Poderia ele ter escapado da sentença se assim desejasse? Teria a acusação sido feita pela militância aristocrática contra o regime de Péricles? Navegue por este livro para tentar achar as respostas.
A política - de Aristóteles – O livro-síntese do pensamento político clássico , trata das diferentes formas de governo e de organização social, segundo o significado original de política – as coisas relativas à Pólis. Diversas edições e traduções.
Confissões - de Santo Agostinho. – Este livro pode irritar os mais jovens, que tem uma relutância natural contra a prosa religiosa. Porém, quando estudado com calma se encontra – além das louvações do Santo – uma argumentação extremamente aguçada, concatenada e racional acerca dos problemas que afligem a humanidade: a origem do mal, a salvação divina, a relação entre fé e razão etc. Além disso, Agostinho praticamente inaugura o gênero autobiográfico com este livro. Prefira a edição da Martins Fontes.
Confissões – de Jean-Jacques Rousseau . Rousseau, que sempre criticou a hipocrisia da sociedade ocidental, escreve este livro de peito aberto, contando sua vida desde as mais remotas lembranças da infância, sem procurar louvar a sua pessoa ou satisfazer sua vaidade. Uma viagem introspectiva, psicológica, ao universo interior deste pensador importantíssimo que reformulou as ciências humanas. Eu tenho uma tradução antiga da Rachel de Queiroz, mas este livro também é constantemente reeditado.
O Príncipe – de Maquiavel . O que dizer do mais importante livro de política da Idade Moderna? Apenas que mudou a maneira de se ver o mundo. Escrito no contexto político da Itália na Renascença, que, segundo o autor, precisava ser unificada, este é o livro que separou a política da ética e da religião. Leia o livro e descubra porque simplificações e chavões como “os fins justificam os meios” não servem para resumir um autor. Disponível na internet e em milhares de edições fora dela.
A Utopia de Thomas More. – Este livro pode ser lido como um simples romance, embora naturalmente não o seja. Nele estão presentes a teoria política, a crítica social, a construção de valores, propostas científicas e éticas. Tão importante que cunhou o termo utopia, porém de leitura fluente e fácil. A edição da Martins Fontes é boa. Editado no Brasil desde as primeiras décadas do século XX.
Cândido – de Voltaire – Um dos melhores contos de Voltaire, critica abertamente o “otimismo leibniziano” que propõe este mundo como o melhor mundo possível de acordo com a Providência. O pessimismo de Voltaire se justificou ao observar o massacre de inocentes durante um terremoto em Lisboa. Cândido é um personagem ingênuo, que sai de sua terra natal e percorre o mundo – inclusive El Dourado na América – sempre lidando com a ganãncia e malignidade alheia. Pode ser lido em uma tarde, e é edificante e útil. Diversas edições e traduções.
Zadig – de Voltaire. – Outro dos contos de Voltaire, porém este tem um enfoque diferente. A trama se passa na Babilônia e Zadig é um exemplo de homem virtuoso que vive mil aventuras atrás de seu verdadeiro amor e acaba virando um rei. O interessante é que este livro, ao contrário de Cândido, desculpa a providência e os desígnios superiores. Uma opção barata é a edição da Ediouro.
O manifesto do Partido Comunista – de Marx e Engels. Está disponível em diversos sites na internet, depois que completou 150 anos de publicação. Um clássico indispensável para intelectuais de todas as áreas e tendências. Verdadeiramente bombástico, é cheio de efeitos retóricos, pois é dirigido ao grande público, ao contrário dos escritos mais “esotéricos” de Marx. O momento histórico tratado é o que viviam os operários e o partido comunista pela metade do século XIX. Apresenta uma brilhante interpretação do processo histórico que levou à ascenção da “mais revolucionária das classes - a burguesa” e à Revolução Industrial- que modificou toda a civilização, a sociedade, as relações de trabalho e os modos de produção. A frase-síntese desta análise já rendeu até um título de livro de Marshall Berman: “Tudo o que é sólido desmancha no ar” .

--------------------------------------------------------------------------------

Link
Filosofia para todos os gostos Texto do Prof. Renato Janine Ribeiro (acesso em 18.12.2006)


Última Modificação: 16 mai, 2010.

URL CURTA DO POST: http://wp.me/pbJrC-3h
--------------------------------------------------------------------------------

Tudo sobre:Ensino, Textos Introdutórios. Ver mais categorias do siteOutrosMitologiaFilosofia AntigaGrécia AntigaRoma AntigaPré-SocráticosSócratesPlatãoAristótelesTextos IntrodutóriosBibliotecaSênecaEstoicismoEpicuroNeoplatonismoFilosofia MedievalSanto AgostinhoSanto AnselmoSão Tomás de AquinoNietzscheTrabalhos Acadêmicos Ensaios e ArtigosFilosofia ContemporâneaLiteraturaHistória GeralPlutarcoMaquiavelTeoria e Ciência PolíticaFilosofia Moderna e RenascimentoErasmoThomas MoreMontaigneGiordano BrunoBaconHobbesDescartesEspinosaLockeLeibnizBerkeleyHumeVoltaireRousseauBergsonThomas KuhnLógica, Epistemologia e Filosofia da LinguagemPopperHusserlHeideggerEscola de FrankfurtHegel e Idealismo AlemãoAntropologiaLevi-StraussHanna ArendtPascalMontesquieuKantFoucaultEnsinoMarxExistencialismo & FenomenologiaCamusSartreFilosofia da Mente & PsicologiaLógicaHistória do BrasilFrases, Pensamentos e CitaçõesFarias BritoSchopenhauerSociologiaKierkegaardFilosofia do DireitoGeopolíticaEpistemologia e Filosofia da LinguagemEstética e Arte
Veja todos os textos do autor Miguel Duclós (50 posts)
Tags:Agostinho, Apologia de Sócrates, correntes filosóficas, cultura grega, Descartes, Dialética, dicionários de filosofia, direito natural, ensaios, Ensino, Ensino Médio, Estoicismo, Filosofia Medieval, filosofia no brasil, filósofo, formas de governo, História da Filosofia, História da Filosofia Antiga, Idéia, indicações, Interpretação, Jean-Jacques Rousseau, Lisboa, Locke, não filósofos, natureza, Origem do Mal, os fins justificam os meios, Pascal, pensadores, Platão, príncipe, Razão, Renascença, renato janine ribeiro, revolução industrial, Santo Agostinho, século XIX, sugestões de livro, teoria política, textos clássicos, Thomas More, Utopia, Voltaire

Leia Mais!
Ética de Aristóteles – O Bem e a Comunidade – História da Filosofia Antiga
Santo Agostinho: O Mestre do Ocidente – História da Filosofia na Idade Média
O Estado Ideal na República de Platão
EMPIRISMO E RACIONALISMO
A FILOSOFIA DO HELENISMO E DO IMPÉRIO ROMANO – História da Filosofia Antiga
Resumo sobre Formas de Governo
Quadro histórico das escolas de filosofia – Curso de Filosofia de Jolivet
OS GRANDES FILÓSOFOS DA GRÉCIA ANTIGA
O problema dos universais em Pedro Abelardo
Ética a Nicômaco – Resumo e Análise
Buscas Relacionadas:
obra filosofica de um autor antigo brasileiro-
livros filosofia-
livro história da filosofia-
história ensino médio download-
livro de filosofia ensino medio-
melhor livro de filosofia-
Livros Filosofia Ensino Médio-
livro de filosofia de marilena chaui ensino médio download-
livros de história ensino médio-
pensadores classicos da psicologia-
<>livros de filosofia-
livros de filosofia para o ensino medio-
resumo dos filosofos-
filosofia para iniciantes-
livro filosofia-
convite a filosofia marilena chaui download-
introdução à história da filosofia download-
marilena chaui livros-
marilena chaui download-
livro sobre filosofia-
resumo filósofos-
filosofia livros-
livro introdução a filosofia-
marilena chaui introdução à história da filosofia-
melhores livros de filosofia-
livro de filosofia-
os pensadores historia da filosofia- baixar livro-
principais obras de filosofia-
livros sobre filosofia-
melhores livros filosofia-



Deixe um comentário
Clique aqui para cancelar a resposta.
Name (required)

Mail (will not be published) (required)

Website





14 Comentários para “Lista de Livros Sugeridos para estudantes do ensino médio ou iniciantes em Filosofia”
Páginas: [2] 1 » Show All

14Miguel (admin) Says:
junho 22nd, 2010 at 16:29
o texto não responde, Ellen?

13ellen priscila Says:
junho 22nd, 2010 at 14:27
oi queria saber quais os melhores livros da filosofia alguém pode mim passa alguns tou no esino médio no 1º ano e queria conhecer livros que fazem parte da filosofia ?

12renilson Says:
outubro 25th, 2009 at 9:56
TODO AQUELE QUE BUSCA POR MEIO DO CONHECIMEN APRIMORA SUAS IDEOLOGIAS E AMANTE DA FILOSOFIA E SERVO DO SABER

11sheilla maria Says:
maio 12th, 2009 at 11:43
Como estudante do ensino médio adorei essas informações e vou procurar ler esses livros tão intessantes e que tem muito a me mostrar não só a mim mais a humanidade e a ensina-lá como ver as coisas com o amor que o filósofo a observa.

Grandes filosófos,grandes pensadores

e grandes mestres do tempo contemporâneo.

Páginas: [2] 1 » Show All
Consciência.org


--------------------------------------------------------------------------------

Novidade! Siga as atualizações dos posts lá no Twitter!


--------------------------------------------------------------------------------

Inscrição nas Atualizações
Textos Introdutórios e Resumos
Trabalhos Acadêmicos e Artigos
Biblioteca Ensino de Filosofia
Fale Conosco
Testes de Filosofia
Banco de Imagens
Fórum / Comunidade
Colaborações / Envie seu texto!
Categorias
Filosofia Contemporânea (186)
Literatura (142)
Filosofia Moderna e Renascimento (124)
História do Brasil (112)
Grécia Antiga (108)
Filosofia Antiga (92)
História Geral (79)
Teoria e Ciência Política (79)
Ensino (57)
Nietzsche (52)
Filosofia Medieval (47)
Roma Antiga (41)
Mitologia (40)
Plutarco (32)
Lógica, Epistemologia e Filosofia da Linguagem (29)
Sociologia (29)
Heidegger (28)
Platão (24)
Antropologia (24)
Aristóteles (21)
Estoicismo (19)
Kant (19)
Rousseau (18)
Marx (16)
Sócrates (13)
Filosofia do Direito (13)
Santo Agostinho (12)
Escola de Frankfurt (12)
Existencialismo & Fenomenologia (12)
Descartes (10)
Sartre (10)
Filosofia da Mente & Psicologia (10)
Montaigne (9)
Hume (9)
Voltaire (8)
Thomas More (7)
Hegel e Idealismo Alemão (7)
São Tomás de Aquino (6)
Camus (6)
Farias Brito (6)
Pré-Socráticos (5)
Epicuro (5)
Maquiavel (5)
Hobbes (5)
Espinosa (5)
Locke (5)
Leibniz (5)
Pascal (5)
Montesquieu (5)
Frases, Pensamentos e Citações (5)
Popper (4)
Hanna Arendt (4)
Estética e Arte (4)
Giordano Bruno (3)
Bacon (3)
Berkeley (3)
Thomas Kuhn (3)
Foucault (3)
Santo Anselmo (2)
Erasmo (2)
Bergson (2)
Husserl (2)
Schopenhauer (2)
Lógica (2)
Levi-Strauss (1)
Kierkegaard (1)
Geopolítica (1)
Epistemologia e Filosofia da Linguagem (1)
Parceiros

Aline – Das haus die Frau
Biologia Molecular
Blog do Miguel
Conexões Epistemológicas
Coolmeia
Ducs em Amsterdam
Entre Panelas
Estudando Letras
Férias Floripa
Filosofia em Quadrinhos
Filosofonet
Veritas


Início

Textos Introdutórios e Resumos
Trabalhos Acadêmicos Ensaios e Artigos
Biblioteca - ebooks
Ensino de Filosofia
Salvador Dali
Colaborações / Envie seu texto!
Política de Privacidade
Fale Conosco
Testes de Filosofia
Banco de Imagens
Inscrição nas Atualizações
Fórum / Comunidade
Carlos Castaneda


COPYRIGHT DEVIDO AO AUTOR DO TEXTO.
Contador de visitas